<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669</id><updated>2011-06-07T23:29:05.336-07:00</updated><title type='text'>Ana Giovanni</title><subtitle type='html'>As aventuras de Ana Giovanni</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>40</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-3675457645445353112</id><published>2007-10-21T09:24:00.001-07:00</published><updated>2007-10-21T09:24:57.132-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXXX – A perseguição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Olhe Ana, olha como elas são grandes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino parou diante da armadura avermelhada e virou-se para Ana Giovanni e Mustan. A Fumaceta soltou um chiado engraçado do outro lado do jardim e a menina sentiu que a máquina descansava, assim como gente. Mustan abriu um sorriso para o menino e voltou sua atenção para uma das rodas do veículo. A roda de madeira parecia instável demais e o pequenino ancião já retirava suas ferramentas dos bolsos para dar cabo do problema. Pregos, um pouco de  cola e uma gosma azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus olhou para sua direita e viu outras cinco sentinelas encostadas em hastes de metal, próximas do paredão de rocha. Correu para uma delas e voltou a inspecionar os pesados grupos bípedes de  Minério Real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhem, elas trazem espadas. Não lembram os heróis da Távola Redonda, Ana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina girou os olhos e concordou em tom de desânimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos Justus, deixe essas coisas para lá. Vamos conhecer a cidade de Pan Solaris.&lt;br /&gt;- Fica calma aí, ô dona da razão. Quero me divertir um pouco mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus sem pensar, levou as mãos até a quarta armadura da fileira e tocou seus braços reluzentes. A armadura tilintou ao movimento e sacudiu-se ligeiramente. O menino agora tocava o conjunto de manoplas que consistia em proteger o braço e o antebraço. A armadura medieval provocava fascínio no garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não toque nisso, quatro-olhos.&lt;br /&gt;- Me impeça sua nariguda!&lt;br /&gt;- Do que você me chamou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus riu feito moleque chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou um caçador de dragões, Ana! Eu posso enfrentar qualquer perigo!&lt;br /&gt;- Você vai ver o perigo que você vai enfrentar quando eu chegar ao seu lado, seu debochado. – apontou em direção ao menino e gesticulou – Largue essas coisas, vai chamar a atenção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan percebeu o burburinho e olhou em direção aos dois jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não façam muita bagunça, hein?&lt;br /&gt;- Pode deixar, Mustan. Vou apenas mostrar para essa bola-fofa como se maneja uma espada! Eu sou o Rei Arthur!&lt;br /&gt;- Largue já essa coisa, moleque! Pode se machucar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino não deu ouvidos. A essa altura, a espada da sentinela havia se deslocado e Justus a manuseava a cima de sua cabeça. A espada devia pesar uns 5 quilos. Leve demais, pensou por um momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No instante seguinte, Justus não pôde perceber a velocidade do ocorrido atrás dele. A sentinela se desprendeu da haste provocando uma barulho de metal enferrujado e moveu-se sozinha para frente com uma pequena passada. Enquanto Justus, com grande força, pendia a arma laminada acima do corpo, a sentinela ergueu uma das mãos e ameaçou tocá-lo. Aliás, tocar não era o melhor verbo para distinguir a ação que se precipitou. A menina arregalou os olhos e gritou o mais alto que pôde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado! Atrás de vo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria impossível acreditar que Justus fez o que fez. Em uma velocidade superior ao que se imagina que seria da capacidade de seus limites físicos, o menino saltou para frente e girou no chão até se desvencilhar da sentinela viva. A armadura não tinha olhos, mas sabia que os dois seres a sua frente eram intrusos no reino de Pan Solaris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corram, crianças! Corram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan subiu na Fumaceta em três pulos e atingiu seu topo. Nas suas mãos, uma chave de fenda e um pote de cola-tudo, feito sabe-se lá com o quê. O velho esfregou as mãos no uniforme do circo e deu um pontapé no urso dorminhoco. O mesmo abriu um dos olhos e encarou a situação. Não pensou duas vezes. Ajoelhou-se no teto da máquina e Mustan subiu em suas costas. Quem olhasse de longe, jurava que era um cowboy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos Zonco, vamos mostrar para esse enferrujado que Pan Solaris merece assistir ao Circo do Olho Verde! – girou a chave de fenda no alto e num segundo, estava no chão a poucos metros de Ana e Justus.&lt;br /&gt;- Ela está viva, mas como?&lt;br /&gt;- Depois eu explico, minha princesa! Agora deixe que Mustan defenda-os dessa terrível criatura sem coração. Saia da frente, sir Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus, apesar de sua incrível façanha outrora, estava paralisado de medo. A espada ainda estava presa em suas mãos, atraindo a cada segundo a armadura andante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, sir! Vamos lutar junto, é assim que um cavaleiro se porta. – bravejou o velho ao posicionar-se ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sentinela andava feito um daqueles zumbis norte-americanos, que rondeia os jogos de videogame. Os braços estendidos e cambaleante. A armadura parecia desequilibrada nos próprios pés de metal avermelhado. Ana correu em direção a Justus e puxou-o por um dos braços, mas o menino mantinha-se parado, no chão, imóvel. Estava assustado demais para movimentar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mexa-se, menino. Não temos tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana podia sentir o trimilico de Justus. Era como se estivesse frio, muito frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, Mustan e o urso Zonco fechavam o caminho entre o monstro enferrujado e o jovem casal. O velho não parava de rodar sua chave de fenda acima da cabeça, estava eufórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zonco, vamos mostrar a essa lata velha como se concerta uma lata de nubalús fatiados e congelados à moda de Pan Solaris!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O urso soltou um arroto e levantou nas duas patas. O velho, sentado em suas costas, fez muita força antes de perder o equilíbrio e cair no chão de costas. Soltou um grito de dor e levou as mãos às costelas em sinal de que alguma coisa havia se partido. O urso voltou á posição de quatro e deitou no chão roncando alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é hora de dormir, Ronco! – as dores ainda pulsavam na parte esquerda de seu tronco – Argh! Acho que Mustan se partiu em dois, minha princesa! Peçam ajuda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sentinela passou por cima do urso aos passos largos e desajeitadamente parou diante de Mustan caído. A armadura fez o que o velho por um momento imaginara, ameaçou passar ao seu lado, sem se importar com o homem caído e dolorido. A sentinela era atraída por Justus. Ou algo que estava com Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A espada, cavaleiro! Solte-a! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Justus não ouviu. Ouvir, até ouviu. Mas suas mãos não obedeceram ao alerta. A sentinela, ao som de “cracks” e “zrrrincs”, ou como um milhão de moedas ricocheteando dentro de uma lata de refrigerante, continuou andando em direção ao menino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus então se mexeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou. Ana arregalou os olhos e agradeceu pelo gesto oportuno do amigo. Mas Justus não largou a espada da armadura viva. Correu em direção a Fumaceta, fazendo com que Mustan e Ana o seguissem. Ronco permanecia imóvel, no oitavo sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Roooonco! - Mustan gritou enquanto corria em direção ao veículo. O urso levantou um olho e preguiçosamente, desatinou a caminhar em direção à Fumaceta. – Mas que animal desajeito, por mil dragões dourados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fumaceta roncou alto três vezes quando Justus, Ana Giovanni e Mustan, o dono do Circo do Olho Verde, entraram em suas partes internas. O menino soltou a espada dentro do veículo e sentou-se no banco da frente. Seus olhos eram como duas grande bolas de gude. A expressão de medo era visível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem vou falar nada. – disse Ana sem olhá-lo, mas no fundo, todos sabiam do que ela havia insinuado naquele momento de tensão – Mustan, precisamos ligar a Fumaceta!&lt;br /&gt;- Sim, minha princesa, assim que eu achar minha chave de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O metal enferrujado estava a metros de distância do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas por diabos, ela caiu quando Ronco desajeitado decidiu voltar a dormir.&lt;br /&gt;- Não temos muito tempo, Mustan, ela vem indo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho deu um pontapé na madeira crua da carroça e ela xingou. A menina olhou para dentro da Fumaceta e encontrou as três bailarinas do circo encolhidas em um dos cantos. O urso nem estava na metade do trajeto, quando a sentinela se aproximou cambaleando. Os braços de ferro vermelho estendidos, era perceptível sua ansiedade em recuperar o objeto roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jogue essa maldita espada para fora da Fumaceta, sir Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fumaceta cuspiu seu nome pela chaminé e começou a se movimentar. A sentinela percebeu e estranhamente parou no meio do caminho. Ana olhou para trás ainda quando viu a armadura de metal vermelho desistir de segui-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rá! Eu sabia, a espada é minha! – bradou o menino.&lt;br /&gt;- Justus! Você quase nos matou! Você percebeu o que fez agora pouco?&lt;br /&gt;- Mas temos a espada, Ana. Veja, já temos nosso Minério Real...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan olhou para o lado e bravejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não seja tolo, cavaleiro. Sentinelas cegas nunca desistem de recuperar parte de si que foi perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana sentiu um calafrio, mas antes de ter certeza do pior, percebeu as mãos de Mustan tremendo no volante da Fumaceta. Não sabia se era o balançar da própria carroça motorizada ou o medo impregnado no pobre velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No belo jardim de entrada da cidade de Pan Solaris, todas as sentinelas, pura armadura de minério real, se desprenderam sozinhas de suas hastes. Elas não eram como a primeira armadura viva. Algo assustador as movimentava em direção a Fumaceta. Elas se mexiam agora como corpos humanos dotados de muito equilíbrio. A primeira armadura levantou um de seus braços metálicos e apontou na direção da carroça que se movimentava. Todas entenderam o comando. E começaram a correr na direção do Circo do Olho Verde.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-3675457645445353112?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/3675457645445353112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=3675457645445353112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/3675457645445353112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/3675457645445353112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/10/captulo-xxxx-perseguio.html' title='capítulo XXXX – A perseguição'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-1230107065495119596</id><published>2007-10-02T14:56:00.001-07:00</published><updated>2007-10-02T14:56:37.186-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXXIX – Algo está vivo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mustan pediu para que Ana Giovanni e Justus subissem na carroça. O veículo um tanto quanto rústico levava ao mesmo tempo boa parte de quinquilharias e geringonças. Um pequeno pódio se encontrava em um canto e no outro lado, dois sacos de uma espécie de grão jaziam encostados na parede interna da madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não me parecem um circo muito grande. – bradou a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan pulou para cima de uma banqueta verde-limão na parte dianteira onde estavam um volante e dois pedais coloridos. Ele olhou para a menina ao seu lado antes de sentar-se confortavelmente no banco e piscou o olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se iluda minha pequenina princesa Giovanni, existem coisas que o Grande Circo do Olho Verde faz que até qualquer grande bruxo duvidaria. – deu um tapinha na carroça e a chaminé começou a tossir novamente a fumaça preta. – Segurem-se todos! A Fumaceta vai decolar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumaceta deu um estalo ouco e um cano esguinchou uma tinta preta na terra avermelhada. Justus pulou rapidamente para o lado de Ana Giovanni antes do veículo ganhar movimento. O urso estava no teto da carroça dormindo e aparentemente, não incomodado com o balanço grave da Fumaceta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oooorrooow! – gritou o pequenino Mustan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carroça passou a subir a trilha na montanha avermelhada. Ao se aproximar do túnel as bailarinas deram gritinhos abafados de ansiedade na parte traseira da Fumaceta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Segurem-se, meninas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de Mustan Gomes ecoou quando o escuro do túnel começou a cobrir todos. Ana ainda deu uma espiadela pelo portal e releu as frases talhadas em pedra. Engoliu em seco e desejou que estivesse tudo dando certo conforme imaginara. O breu do túnel durou não mais que três minutos. Era impossível enxergar qualquer coisa naquelas condições. Justus levou a mão pra frente do rosto e sacudiu tentando ver alguma coisa, mas ficou longe disso. O homem que conduzia a carroça deu um pontapé em alguma manivela e a Fumaceta abriu dois fortes faróis iluminando o caminho. Uma trilha de tijolos cor de rubi mostraram um caminho curvilíneo e longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau! Isso são rubis?&lt;br /&gt;- Como? – Mustan olhou para Justus com expressão de espanto e retornou a dizer – São minérios reais, meu cavaleiro! Somente o reinado de Pan-Solaris possuem tal oferta de pedras tão belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus e Ana se entreolharam angustiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um minério real? – indagou o menino&lt;br /&gt;- Sim. Não conhecia os minérios reais? São uma relíquia! Porém...&lt;br /&gt;- Porém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan apertou uma segunda manivela e a Fumaceta passou a realizar uma curva brusca dentro do túnel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não me parecem conhecer muito de minérios reais, não? Bom, seja lá de que reino vocês são, é melhor eu explicar antes que vocês sejam presos pela Guarda de Dragões do impetuoso rei Guiad III!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ouviu o urso roncar em cima da fumaceta e voltou sua atenção ao diálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minérios reais existem em grande escala nesse reinado. Porém, nenhum pode ser levado daqui sem a permissão de Guiad. Isso sem dúvida nenhuma ocorreria em um dose cavalar de sanguessugas gigantes no corpo de vocês até noventa cometas estourarem lá em cima. – Mustan pigarreou e voltou a falar com um tom típico de quem estava prestes a contar um grande segredo. – Existem três minérios reais nesse lugar. Dois deles são muito conhecidos, usados na construção das residências do povoado de Pan-Solaris e até mesmo na confecção dos talheres. São minérios muito bonitos e flexíveis! Todo habitante que se preze tem algum objeto criado a partir dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan enfiou a mão no bolso de seu casaco de veludo verde musgo e abriu a mão na frente dos dois meninos revelando uma pequenina pedra avermelhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma pedra boba. Um minério real, mas não um minério real real.&lt;br /&gt;- Um minério real real? – questionaram.&lt;br /&gt;- Sim! Conta-se a lenda que o rei Guiad possui uma seleta reserva de um minério real muuuuito raro – endossou a palavra com os dentes – o mesmo minério, conta a história que foi uma pedra que o levou a tomar posse do reinado de seu tio e até mesmo de seu pai!&lt;br /&gt;- Credo, que briga familiar. – Ana Giovanni ajeitou-se no banco no balanço da Fumaceta.&lt;br /&gt;- Esse minério real real tem poderes estranhos e misteriosos. Garante-se que Guiad tenha usado de feitiçaria baixa demais para garantir esse trono. O minério real real nunca fora visto. Sabe como é, uma lenda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus cutucou Ana Giovanni e cochichou em seu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que a pedra que precisamos para Artos é um minério real real.&lt;br /&gt;- Por que acha isso?&lt;br /&gt;- Porque é o mais difícil de se conseguir nessa história toda. Se fosse fácil eu até duvidaria...&lt;br /&gt;- Não seja pessimista Justus, talvez a pedra possa ser feita desse tal minério real que é bastante popular por aqui e não precisaremos de muito trabalho para conseguir um.&lt;br /&gt;- Ah é? Estou me comparando ao Hércules já.&lt;br /&gt;- Pelos doze trabalhos?&lt;br /&gt;- Sim. – deu uma risadinha – E pela força também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana olhou com desdém ao menino que continuava a rir de si mesmo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos quase chegando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan deu duas batidas na Fumaceta e os faróis reluzentes se apagaram de repente. O breu era novamente um incômodo. Era possível nesse instante confundir o barulho da carroça com o do urso dorminhoco. Eram os dois graves e intercalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni e Justus levaram um susto quando o veículo perdeu velocidade. Não podiam ver Mustan ao lado, mas ainda sentiam a presença do pequenino homem na condução. O tremor do movimento foi sendo interrompido a medida que os balanços terminavam. De repente, um estalido e a Fumaceta bateu de frente com uma parede sólida produzindo um barulho ensurrecedor  quase arremessando metade dos passageiros contra o escuro a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prontinho. – disse Mustan como se estivesse sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escuridão abriu-se em dois. Um filete de luz cortou o breu e foi ganhando espaço lentamente. Uma claridade se apoderou do túnel revelando o que antes era uma possível parede, uma porta de madeira grossa e bem polida. As duas portas foram se abrindo lentamente enquanto a Fumaceta empurrava-se para fora do túnel. Mustan abrira um sorriso largo quando foi possível enxergar a grandiosa placa em vermelho rubi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bem vindo a Pan-Solaris”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jardim extenso revelou-se a Fumaceta que ia lentamente adentrando ao belíssimo cenário. Milhares de orquídeas amarelas e roxas coloriam um trecho entre a saída do túnel até um muro alto de pedras reluzentes de minério real. Nas extremidades, a montanha do reino de Pan-Solaris criava dois imensos paredões. O ar dado era quase clautrosfóbico para Ana Giovanni. O jardim devia ter uns duzentos metros e parecia ser impecavelmente cuidado pelos habitantes daquele lugar. Um cercadinho demarcava o limite da estrada de minério real até os largos muros mais a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau! Vejam isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus apontou na direção de uma estranha armadura metálica de cor avermelhada recostada em uma pequenina cabine em um dos cantos do muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni rapidamente tapou a boca do amigo aflita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhh! Fale baixo, moleque. Eles não parecem ser amigáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan deu um risinho ao lado e brecou a Fumaceta ao puxar uma alavanca no painel a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxa nobre princesa, são apenas Guardiões Cegos.&lt;br /&gt;- Guardiões Cegos?&lt;br /&gt;- Exatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ajeitou os óculos em cima do diminuto nariz e voltou sua atenção para o pequenino homem que falava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não são “gente”. Ao menos, gente como a gente. – soltou uma risada esganiçada que pareceu incomodar um cometa lá no céu escuro. – Bom, são feitos de material real, mas não necessariamente são ruins. Um pouquinho intransigentes, eu acho.&lt;br /&gt;- Viu Ana? São de mentira. Aposto que são para espantar os ladrões.&lt;br /&gt;- Tipo espantalhos...&lt;br /&gt;- É!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino pulou da Fumaceta e correu em direção a uma das sentinelas. No total, eram seis. Ao se aproximar de uma delas, sentiu uma respiração por dentro do metal avermelhado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-1230107065495119596?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/1230107065495119596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=1230107065495119596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/1230107065495119596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/1230107065495119596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/10/captulo-xxxix-algo-est-vivo.html' title='capítulo XXXIX – Algo está vivo'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-2834090322099357335</id><published>2007-08-24T14:19:00.001-07:00</published><updated>2007-08-24T14:24:16.647-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXXVIII – O Grande Circo do Olho Verde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ana e Justus desataram a caminhar para onde estavam a minutos atrás. Os pés dos meninos tropegavam desastrosamente na terra batida da inclinada subida e os tênis levantavam hora ou outra uma fina poeira avermelhada do solo. O clima era extremamente seco e o suor começara a deslizar pelas bochechas dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse morro está mais para uma montanha. – começou o menino esfregando as faces na manga da camisa.&lt;br /&gt;- Talvez seja uma montanha mesmo. – respondeu Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A subida durou mais dez minutos até que chegassem ao ponto original de saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estávamos aqui, recorda-se?&lt;br /&gt;- Sim, mas é estranho.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino apontou na direção do chão. Ana avistou o que chamara a atenção do seu amigo. O chão estava todo marcado de pegadas. Pés alongados do tamanho de pedras gigantes haviam deixado seus rastros. As pegadas eram profundas e mediam quase quinze centímetros de altura. De longe, não eram pegadas humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, o que passou por aqui?!&lt;br /&gt;- Não faço idéia, mas não é bom esperarmos para ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele instante, um cometa deslizou pelo céu escurecido daquele lugar. Sua passagem terminou em uma explosão de milhares de faíscas. O céu iluminou-se durante três segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Justus voltaram a olhar para a continuação da trilha. O caminho subia até desembocar em um túnel mal iluminado. Os dois jovens caminharam até sua entrada lentamente. Um vento frio soprou de dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuro Ana, não vou passar por ele de forma alguma.&lt;br /&gt;- Deixe de ser medroso Justus!&lt;br /&gt;- Nada disso! Nada disso!&lt;br /&gt;- Ah, o sexo frágil. - Suspirou a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino mostrou a língua em sinal de desaprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao olharem mais atentamente, Ana Giovanni e Justus perceberam algo escrito por cima da curva de entrada do túnel encrustado na pedra. Eram frases construídas de forma singular, em uma estrofe conjunta. As letras eram rústicas, porém, sua capacidade artística era perceptível. Os traços haviam sido calculados de forma simétrica, como se cada palavra fosse importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Três reis por aqui passaram,&lt;br /&gt;Dois reis quase não ficaram,&lt;br /&gt;O primeiro de febre terminou,&lt;br /&gt;O segundo de dores acabou. &lt;br /&gt;Um apenas reinou&lt;br /&gt;E eternamente por aqui ficou.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Justus se entreolharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que engraçado, parece uma rima. – afirmou o menino.&lt;br /&gt;- Mas é uma rima, Justus. Porém, é também uma história.&lt;br /&gt;- Os dois primeiros reis não foram muito sortudos, hã.&lt;br /&gt;- Temos um terceiro rei por aí.&lt;br /&gt;- Mas... bom, onde estamos? – acertou os óculos do pequenino nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma forte luz invadiu o cenário como faróis. Uma buzina tocou três vezes quando os meninos voltaram-se ás suas costas. Uma grande carroça equipada com diversas ferramentas e recursos tecnológicos se encontravam em sua base saindo como braços dianteiros e outros, como canos de água circundando todo seu corpo maderil. Uma grande chaminé se dispunha no teto do veículo onde emanava uma forte fumaça cinzenta concomitamente. As rodas, todas de uma madeira escura e mal conservada, interromperam a velocidade de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequenino senhor de quase meio metro de altura trajando roupas um tanto quanto extravagantes pulou de dentro do excêntrico carro e parou diante deles com entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá senhores! Olá moradores do reinado de Pan-Solaris! – um estrondo ouviu-se de dentro da carroça e a chaminé soltou uma nuvem azulada em forma de círculo – Meus caros e respeitáveis cidadãos honoráveis do honorável rei reinante deste belíssimo e caloroso, diga-se de passagem, lar! – a carroça grunhiu como um animal e suas portas abriram-se – Fiquem felizes, sorriam, festejem... – três meninas saíram de dentro por cima de triciclos  prateados e começaram a passear em volta de Ana e Justus ao mesmo tempo que balançavam fitas rosas em movimentos graciosos – pois o magnífico circo do trem das doze retornou! – Um estranho urso dançava em cima do capô da carroça vestindo uma gravata azul com bolas amareladas. O desajeitado animal parecia instigado a fazer tal coisa -  Somos... – um estalido soou e uma nuvem de papéis coloridos soltaram-se da parte traseira do veículo – O Grande Circo do Olho Verde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma música alegre passou a soar no ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni engoliu em seco antes de tentar falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ameaçou dizer alguma coisa, mas preferiu olhar para Ana antes de tudo. A menina compartilhava da incerteza do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homenzinho ainda estava com os braços erguidos e os pequeninos papéis agora tocavam o chão de forma triste. A música podia ser confundida com uma música francesa dos cabarés antigos. Daqueles tocados em violas rústicas. O urso tossiu antes de sentar-se cansado e cair de sono no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina analisou melhor o homem e percebeu que sua roupa era parecida com a roupa de duendes. Daqueles mesmos que conhecia-se em seu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já fomos melhor recepcionados, mestre Mustan Gomes! – a bailarina do meio veio em direção aos três e desceu de seu triciclo reluzente.&lt;br /&gt;- De acordo, linda menina, mas ainda não entendi porque tais nobres cidadãos Panienses-Solarienses não bateram palmas para nós. – continuou Mustan.&lt;br /&gt;- Somos um fracasso! Ninguém gosta de nós, mestre. – uma segunda bailarina chorou juntando-se a primeira dançarina desistida do triciclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O urso arrotou e voltou a roncar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, não menininhas, eles não devem ter ouvido direito nossa apresentação. Acho que são esses malditos cometas explodindo a toda hora.&lt;br /&gt;- Acabam com nossa luz, mestre.&lt;br /&gt;- Exato, exato! Nossa luz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni deu um passo a frente e estendeu a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- An... Lady Ana. Giovanni. Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustan abriu os dois olhos tanto quanto Justus. O urso amestrado acordou e decidiu espiar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha nossa! Uma princesa! Vejam minhas meninas, encontramos uma princesa!&lt;br /&gt;- Finalmente, mestre Mustan!&lt;br /&gt;- Viva o vinho! Viva o olho verde! – bradou o pequenino homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana olhou para o amigo Justus que engasgava com algo e piscou um dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este é meu fiel escudeiro, Sir Justus.&lt;br /&gt;- Honrado seja conhecê-lo meu cavaleiro. – Mustan fez uma reverência e inclinou-se diante do casal – Será um prazer tê-los conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bailarinas bateram palminhas e inclinaram-se também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde? – questionou Ana.&lt;br /&gt;- No maior espetáculo que o reinado de Pan-Solaris irá admirar, minha princesa. O maior de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus fechou a cara para Ana antes de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Princesa Giovanni. Princesa... sei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-2834090322099357335?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/2834090322099357335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=2834090322099357335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/2834090322099357335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/2834090322099357335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/08/captulo-xxxviii-o-grande-circo-do-olho.html' title='capítulo XXXVIII – O Grande Circo do Olho Verde'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-8908247123983633172</id><published>2007-08-15T13:02:00.001-07:00</published><updated>2007-08-15T13:05:01.115-07:00</updated><title type='text'>Capítulo XXXVII – Para cima e avante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O calor era insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni abriu os olhos depois da chama faiscante rodopiar três vezes cintilando em meio a duas labaredas flutuantes.  Elas se dissiparam como em um passe de mágica.  A menina apertou os olhos ainda lacrimejados por Sumiris. Seja lá o que for que acontecesse em sua vida, era a primeira vez que Ana se deparava com a possibilidade de perder um amigo. A menina loira, de olhos profundos e ar rebelde, parecia ter ajudado de graça a ela e Justus todo esse tempo. Participar tão intensamente da vida de alguém sem ao menos conhecê-los era difícil no mundo de Ana. Um mundo real, onde não havia mágica e a realidade não podia ser distorcida com tanta facilidade por anjos ou demônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus jazia ao seu lado desacordado ainda pela viagem no portal entre os mundos. Os óculos desalinhados, o rosto sereno, se Ana quisesse, poderia tirar uma foto e zoa-lo por todo o colégio do Sagrado Coração pendurando a bomba no mural de notícias do corredor C. O famigerado corredor onde as piores notícias corriam feito bala. Desde do boletim do último semestre ao aviso de suspensão de algum aluno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora no fundo Ana não fosse disso, uma máquina digital não era uma da coisas mais importantes a se conseguir naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela... ela se foi, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus sentava-se ajeitando os óculos e olhava perplexo para Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sumiris nos salvou, Justus. Ela realmente nos salvou.&lt;br /&gt;- Você acha que podemos... – Justus parou por um tempo refletindo –  ...fazê-la voltar?&lt;br /&gt;- Está louco, menino?&lt;br /&gt;- Por que louco? Você abre portais entre mundos desconhecidos e o nosso, fala com animais exóticos, é perseguida pelo capeta e ainda acha que eu estou louco? Claro que não! Se o diabo existe, é óbvio que deus também existe. As aulas de religião da professora Odete do Sagrado Coração nunca lhe ensinaram nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana estava atenta ao discurso do pequeno amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ajeitou os óculos numa atitude engraçada e continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja bem, pela bíblia, o diabo era um anjo de deus. Aconteceu alguma coisa e deus o mandou para o inferno como traidor ou algo do tipo. Se na nossa realidade o diabo é um personagem presente, deus também deve ser! E somente ele pode ressuscitar Sumiris. Até podemos talvez quem sabe a levarmos para nossa realidade. E tem o lance da venda da Terra. Acho que temos que pedir para ele desistir dessa idéia comercial.&lt;br /&gt;- É verdade. Temos que encontrar deus.&lt;br /&gt;- Lógico que é verdade, garota! Lembra-se da carta? A tal carta que meteu-nos nisso tudo?&lt;br /&gt;- Nessa dimensão longe de casa ou na fuga do Lu?&lt;br /&gt;- Os dois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajeitou novamente os óculos que caíam-lhe pelo nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus quer vender o nosso mundo, a nossa dimensão, para o rabudo. Mas não sei porque ele se zangou tanto por nós dois termos descoberto o pacto.&lt;br /&gt;- Cláusulas!&lt;br /&gt;- Ahn?&lt;br /&gt;- Meu tio do Sul é advogado. Ele sempre vive falando de cláusulas. Elas existem para fazer acordos estranhos e complexos. É coisa dos advogados.&lt;br /&gt;- Quer dizer que advogados são amigos do diabo?&lt;br /&gt;- Bom...&lt;br /&gt;- Então se alguém descobrisse do pacto entre eles, talvez...&lt;br /&gt;- Talvez o acordo não poderia ser feito!&lt;br /&gt;- Isso!&lt;br /&gt;- Vamos Justus, temos que procurar pelos outros objetos para que o Artos possa refazer meu pingente. Só assim podemos voltar para casa.&lt;br /&gt;- Credo, eu acho que já vi isso em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus espirrou e prosseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;“Você terá que trazer quatro materiais de quatro mundos. O minério real das terríveis terras do fogo, a unha do peixe Nubalú no povoado do mar... a pimenta que só cresce nas florestas selvagens de Itako e uma pena da Coruja Sábia nas planícies da ventania.&lt;/i&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino repassou as falas do mestre Artos ditas na Torre da cidade prateada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decididos a saírem dali, olharam em volta e avistaram-se em um terreno montanhoso. O calor, percebido logo de cara, era terrivelmente insuportável. O céu era de uma cor púrpura, quase um preto - como a noite. Porém, não havia estrelas e sim, cometas rasgando o escuro a todo momento. Justus contou. De três em três segundos uma grande chuva de meteoritos cintilantes passavam pelo céu daquele novo mundo. Pareciam fogos de artifícios caríssimos coloridos explodindo em linhas faiscantes. Não haviam nuvens. Somente cometas percorrendo a galáxia lá em cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois estavam em uma trilha em uma espécie de morro angular. O caminho fazia uma curva logo a frente, atrás, ele desaparecia em um misterioso túnel aberto nas rochas avermelhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente, isso é um vulcão?&lt;br /&gt;- Pára garota! Deus me livre estar em um vulcão.&lt;br /&gt;- Vamos Justus, pegue essas coisas do chão para podermos andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meninos desandaram a pegar os objetos espalhados no chão de terra ocasionado pela queda do portal. Os dentes de Nubalú e a semente de Itako jaziam jogadas misturando-se com a terra. No canto mais a esquerda, perto de uma elevação no morro, o livro 16 estava caído aberto como se alguém o estivesse lendo e tivesse ido embora com tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus abaixou para pegá-lo e estranhou os rastros no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A-A-Ana...&lt;br /&gt;- O que é? – a menina falava sem dar muita atenção ao garoto.&lt;br /&gt;- Veja isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana viu uma das páginas do livro 16 estava rasgada quando Justus escancarou o objeto na sua cara. Ela abriu os dois olhos com espanto antes de soltar um grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga!&lt;br /&gt;- Eu achei a mesma coisa.&lt;br /&gt;- Estamos f...&lt;br /&gt;- Fritos? – Justus interrompeu desabando no chão e segurando o livro no colo.&lt;br /&gt;- Não! Totalmente ferrados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das páginas amareladas havia sido cortada, de fato. Havia aqueles pequeninos pedaços de papel ainda presentes da página sob a moldura colante onde podia ser lido “a’s” e “p’s” aleatórios de palavras desconhecidas, obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni abriu a mochila azul que levara desde seu encontro com Marvius na Rosa Fustigante. Naquela bolsa a menina levava tudo que havia vindo recolhendo para levar a Artos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está fazendo?&lt;br /&gt;- Estou procurando alguma coisa.&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus bufou e voltou sua atenção para o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que alguém nos encontrou antes de acordamos aqui?&lt;br /&gt;- Não, eu estive acordada a todo momento.&lt;br /&gt;- Hummm. Será que foi a queda? A gente tem corrido muito nesses últimas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após quinze minutos, o menino tentou acabar com a dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse calor está me matando...&lt;br /&gt;- Você deveria pegar um corzinha.&lt;br /&gt;- Minha mãe disse que sol dá câncer.&lt;br /&gt;- Alôôô, protetor solar?&lt;br /&gt;- Dãããã. Alôôô, aquecimento global?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina respirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cheiro esquisito.&lt;br /&gt;- Não fui eu.&lt;br /&gt;- Não tonto, respira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino obedeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eca! Não havia reparado... esse lugar tem cheiro de...&lt;br /&gt;- É enxofre, antes que você fale qualquer coisa.&lt;br /&gt;- Então eu vou rezando até o final daquela trilha para que não estejamos em um vulcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana deu de ombros e fechou a mochila azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não achou nada aí que vá nos ajudar, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina pensou rapidamente antes de responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por agora? Acho que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois jovens pegaram suas coisas e passaram a caminhar pela trilha de terra oposta ao túnel encrustada na rocha. O caminho fazia uma curva até desembocar em uma estrada que descia. O morro não era muito grande, fazendo com que perdessem não mais que vinte minutos caminhando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá embaixo, Ana e Justus viram-se perdidos em uma planície desértica. Não havia nada. Somente terra, areia e pedras. Não era possível avistar o horizonte naquelas condições. E apesar de estar escuro, o calor poderia acabar com os dois caso decidissem caminhar para alguma direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olharam para trás e admiraram a montanha vermelha por qual desceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seja lá o que o que estamos fazendo nesse mundo, acho que devemos subir a montanha.&lt;br /&gt;- Eu odeio montanhas.&lt;br /&gt;- É porque você não foi capturado por espécie subaquáticas a um tempo atrás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino não entendeu, mas correu em direção a Ana Giovanni que ia mais a frente já subindo a trilha novamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-8908247123983633172?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/8908247123983633172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=8908247123983633172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8908247123983633172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8908247123983633172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/08/captulo-xxxvii-para-cima-e-avante.html' title='Capítulo XXXVII – Para cima e avante'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-5756207323504713833</id><published>2007-06-08T04:23:00.000-07:00</published><updated>2007-06-08T04:24:28.438-07:00</updated><title type='text'>Capítulo XXXVI – Debaixo da pedra de sete cores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando Ana avistou Sumiris e Lagartixa, elas estavam sentadas em cima de uma pedra de sete cores. Sumiris gargalhava, aliviada. Isso deu coragem para Ana avançar mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conseguimos, Ana! – gritou Sumiris alegremente para Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem entender nada, Ana sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas onde está o vaso? - perguntara.&lt;br /&gt;- Olhe o desenho de novo, Ana Giovanni – exclamara Lagartixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ana abriu o mapa logo percebeu sete cores que formavam um arco-íris acima da Ponte de Bean-nighe. Ana Giovanni lembrou da descrição de um lugar que havia lido em algum livro quando criança: “Era um lugar rico, rico como panetone” O mapa era explícito e rico como as frutinhas do panetone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Debaixo da pedra de sete cores, um pote da barro encontrará.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O condado de Piracuru nada mais era do que a Floresta do Curupira – sorria Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni ia empurrar a pedra, mas olhou para Sumiris, cujos olhos brilhavam de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Juntas? – Ana perguntara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty consentiu. Quando a pedra se movimentou, Lagartixa se encolheu mais um pouquinho e subiu no ombro de Ana para enxergar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um pote simples, parecia que era feito de argila. A tampa era redondinha e havia furinhos tão pequenos que parecia terem sido feitos com palitos de dente. Sumiris virou a palma de suas mãos para que Ana colocasse o pote de barro sobre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como os alfrs disseram: Um pote de barro um deverá trazer – disse Ana entregando o pote para Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer ver o que tem dentro, Sumiris?&lt;br /&gt;- Eu quero – respondeu Lagartixa.&lt;br /&gt;- Eu quero ir para casa – falou Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni colocou a pedra de sete cores no lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não sabem brincar – falava Lagartixa -  Até parecem que não são crianças. O que custa dar uma olhadinha em um segredo álfrico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As meninas não responderam, apenas continuaram caminhando pela ponte de palha. Ana fora na frente, queria dar uma pegadinha em Justus dizendo que não encontrara nada. Ele ficaria surpreso quando visse Sumiris carregando o pote. Era tão pequeno. O que poderia ter lá dentro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah!!! Eu vou voltar para bolsa azul, minha missão acabou agora que vocês encontraram o tal pote – resmungara Lagartixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Sumris riram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Além disso, esse caminho tá ficando muito chato. Você me carrega, Ana Giovanni?&lt;br /&gt;- Claro que sim – respondeu Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formiga Lagartixa pulou para dentro da bolsa azul de Ana, se fechando com zíper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando chegar em casa quero comer um sanduíche duplo, recheado de todas as porcarias do mundo. Quer dizer, do meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni jogou a bolsa para o outro ombro, pois estava começando a ficar cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é sua casa, Sumiris? – indagara Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Sumiris não respondeu. Quando Ana olhou para trás, a menina estava assustada olhando para direção contrária de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que houve, Sumiris?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ana olhou para os pés de Sumiris, eles estavam sangrando. Quando Ana percebeu todos os cipós das cordas se mexiam. Cobras venenosas passeavam pelo elo da ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobras apertavam os pés de Sumiris. Cobras cercavam o corpo de Ana. Em choque, a voz de Sumiris foi sumindo sumindo, ficando rouca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feys são protegidos pelo Espírito da Vida. Feys carregam o fardo da escolha por todos. Feys só carregam a mensagem, não entendem o significado. Os segredos de má sorte começam a ser espalhados pelo mundo. Guerras serão como pães de padaria. Recheados e quentinhos. Fáceis de encontrar. Fáceis de começar. A mensagem, a mensagem. Não deixe a história ser contada ao avesso. Feys protegem as mensagens. Mensagens, mensagens. Banshee vai, Banshee foi, Banshee será, Banshee é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni tentava balançar Sumiris, mas a menina estava em transe. As cobras apertavam os pés de Sumiris que começaram a ficar roxos. Ana Giovanni teve impressão de escutar os pés da menina se quebrarem. Desesperada, ela começou a bater com as mãos nos cipós cobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Socorro! Socorro! – gritava Ana. Alguém me ajude!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris foi se curvando, curvando de dor. Ana Giovanni correu para o caminho de pedras, saindo da ponte, procurando ajuda. Onde estava Justus? Onde estava ele quando mais ela precisava? Ela precisava ajudar Sumiris. Ela precisava... Onde estava Skiter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que ela viu o demônio planando no ar. Ele sorria com as mãos livres e seus chifres brilhavam a cada grito de Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geofania mágica fez Johnny Nash encontrar Skiter. Skiter servir servir um demais até morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni reconheceu o casal que havia abordado as crianças na Cidade do Tempo. Benjamin Boyle e Camille Jordan. Um homem de chapéu de Indiana Jones segurava Justus pelo pulso, em cima de um grande hipopótamo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Demais Johnny Nash trazer relógio. Skiter seu servo. Skiter faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johnny Nash jogou um estranho relógio avermelhado de pulso para o ar. Skiter agarrou o objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Skiter servir servir um demais. Nunca uma demais. Lalalala jabaji sobuji!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cobras cipós apertaram as pernas de Sumiris Arty. A menina se curvou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! – gritara Ana Giovanni – Sumiris!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas demônios são malvados. Menores ou maiores, são demônios. Skiter estalou os dedos ásperos, as cobras cipós se soltaram. Sumiris Arty agarrou o pote de barro. Ana viu os olhos da menina se fecharem quando a ponte despencou. Um bolo subiu em sua garganta, sufocando-a. Ela não conseguia gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o capuz prateado de Sumiris Arty bateu no chão mágico de Itako, todos os alfrs gritaram. A floresta tremeu. O sorriso de Skiter sumiu assim como a paz do lugar. Como um rádio fora de sintonia, todas as coisas mágicas se revoltaram. Johnny Nash estava preste a correr, levando Justus consigo quando um barulho estrondoso surgiu do meio do nada. Mys e suas madeixas negras balançaram quando um raio de alfrothul caiu sobre Benjamin Boyle e Camille Jordan que apontavam armas metálicas para a multidão de alfrs que saíam da floresta. Johnny Nash tentou correr com o Behemoth, mas a alfr Thaler lançou uma flecha de seu arco de ouro, prendendo o chefe dos agentes. Justus tentou chegar perto de Ana, ainda em choque pela perda de Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um alfr ruivo invocou Leviatã, o monstro mítico. O Behemoth entrou em uma batalha com ele, esquecendo seu dono. Johnny Nash havia perdido sua vantagem no jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thaler assobiou. Mys soltou Nash. Ele correu, seguido de Boyle e Camille, ainda meio tontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você os soltou! – gritara Justus para a alfr.&lt;br /&gt;- Não somos maus. Somos justos – afirmara Thaler.&lt;br /&gt;- Mas você viu o que eles fizeram! Você chama isso de justiça? – irritava-se Justus.&lt;br /&gt;- Não somos essa palavra. Isso não é puro. Somos alfrs. A floresta enlouquece qualquer um quando não se tem direção. Chegou a vez de seu desafio, demais. Duas escolhas você terá: perseguir e vingar ou as pimentas do Reino provar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus olhou para Ana, mas a menina estava com uma tristeza tão profunda que Justus olhou intensamente dentro dos olhos da alfr e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sumiris levou com ela o pote de barro.&lt;br /&gt;- Há sacrifícios e sacrifícios – dissera Mys, aproximando-se de Justus – Mas nada supera invocar a maldade aqui. Isso agora é seu por direito, menino demais. Só você poderá plantar essa semente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mys abrira a mão de Justus. Entre suas linhas, uma pequena semente, parecida com caroço de feijão prateado. Justus guardou-a no bolso da blusa de seu uniforme do Sagrado Coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Thaler assoprara o rosto de Ana Giovanni, trazendo para si o ar renovado daqueles que perdem pessoas que amam, mas que sempre vêem uma luz no fim do túnel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi isso? – ela perguntara para alfr.&lt;br /&gt;- O segredo do pote de barro. O último pensamento de Sumiris Arty, a menina do capuz. Sua Banshee.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni tirou de seu uniforme o livro 16. Justus agarrou a mão de Ana. Mys trouxera Skiter que esperneava, descontrolado. Quando Ana Giovanni abriu uma página do livro e a fenda os puxou lentamente, deixando para trás o mundo mágico e justo dos alfrs, um estranho relógio avermelhado de pulso começou a queimar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-5756207323504713833?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/5756207323504713833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=5756207323504713833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/5756207323504713833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/5756207323504713833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/06/captulo-xxxvi-debaixo-da-pedra-de-sete.html' title='Capítulo XXXVI – Debaixo da pedra de sete cores'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-1737609690413278630</id><published>2007-06-06T08:51:00.001-07:00</published><updated>2007-06-06T08:51:51.900-07:00</updated><title type='text'>Capítulo XXXV – Bem vindos a Bean-nighe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Bean-nighe? Bean-nighe? Skiter precisa ir! Skiter precisa ir!&lt;br /&gt;- Achados e Perdidos? – questionara Sumiris, ajeitando sua capa prateada.&lt;br /&gt;- Sim – respondera Lagartixa. Paralelamente conhecida.&lt;br /&gt;- Ana, você precisa ver como é um alfrothul! – Justus exclamava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni não conseguia desviar os olhos do mapa que segundos antes Justus tinha lhe mostrado. Por que ela ficara tão encantada? De onde ela tirara a sensação de já ter visto aquelas linhas e desenhos em algum lugar? De onde surge a impressão de Deja Vù?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instintivamente, a menina virou o mapa de cabeça para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E Sumiris não consegue ler os pensamentos aqui, eles ficam todos guardados dentro de um balão de gás – Justus continuava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Skiter Skiter servir um demais até morrer! Bean-nighe? Bean-nighe?&lt;br /&gt;- Já até me chamaram de São Longuinho – se gabava Lagartixa.&lt;br /&gt;- São Longuinho? – rira Sumiris. O que é isso?&lt;br /&gt;- São Longuinho, São Longuinho me ajude a achar...&lt;br /&gt;- É isso! – gritara Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se calaram quando a menina, eufórica, colocou o mapa em uma árvore tropical e começou a esfregá-lo no tronco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana! Você vai rasgar o mapa assim! - resmungara Justus, ajeitando seus óculos vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris pegou Ana pela gola do uniforme do Sagrado Coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você rasgar esse mapa todos nós seremos amaldiçoados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana percebeu que Sumiris estava, pela primeira vez, com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já vi esse mapa antes.&lt;br /&gt;- Como assim? – perguntara Lagartixa. Isso é magia álfrica. Magia álfrica só é conced...&lt;br /&gt;- Concedida a Feys.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus levantara a sobrancelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha mãe me mostrou uma vez como encontrar tesouros escondidos, raspando o papel nas árvores. Eles nos mostram....&lt;br /&gt;- O caminho a seguir – indagou Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfregando o mapa na árvore Ana conseguira que o mapa mostrasse um caminho detalhado, aberto pela magia da árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixe-me ver – falara Lagartixa. É claro, é claro.&lt;br /&gt;- Bean-nighe? Bean-nighe? Skiter precisa ir! Skiter precisa ir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lagartixa abrira um buraquinho com suas antenas dradis. Enrolou o mapa bem fininho e o colocou na fenda do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bean-nighe? Bean-nighe? Skiter precisa ir! Skiter precisa ir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O demônio enfiou seus chifres perto do mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geofania mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lagartixa pediu para as crianças se afastarem e solenemente disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São Longuinho, São Longuinho, me ajude a encontrar o caminho até Bean-nighe que dou 10 pulinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana, Justus e Sumiris esperavam ansiosos, mas só o som de folhas caindo ressoou na floresta. Skiter afundou mais seus chifres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lagartixa curvou-se, colocando sua testa no chão de Itako.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São Longuinho, São Longuinho, nos ajude a encontrar o caminho até Bean-nighe que daremos 10 pulinhos com um pé só. Todos nós. Até o demônio menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vento quente percorreu os cabelinhos das crianças. O chifre de Skiter brilhou e Lagartixa sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espertinho. Vai levar 50 pulos ao total – disse Lagartixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni segurou sua bolsa azul com força, pois um vento forte começou a percorrer a Floresta de Itako. Não tão forte a ponto das crianças voarem, não tão fraco para não ser notado. As árvores se curvaram e um caminho de pedras arredondadas e pontiagudas se abriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ajeitou seus óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meninas primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris foi a primeira a abrir a boca depois de entrar no caminho. Seguida de Ana, Skiter, Lagartixa e Justus que davam 10 pulinhos ao longo da passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As árvores abriam um caminho de pedras que os conduzia a uma fina e velha ponte de palha, segurada por cipós que lembravam cobras. Um grande arco cobria a cabeça das crianças. No fim da ponte um quadrado nebuloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegamos – disse Lagartixa.&lt;br /&gt;- Chegamos? – perguntara Justus - Se meus cálculos não estiverem errados, essa ponte vai cair assim que encostarmos a unha do pé nela.&lt;br /&gt;- Bean-nighe é protegida pelos alfrs. Ninguém se atreve...&lt;br /&gt;- Skiter servir servir um demais até morrer.&lt;br /&gt;- O que deu nessa vitrola quebrada? – indagara Lagartixa.&lt;br /&gt;- Ele me salvou. Deixa ele em paz – disse Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponte balançou com o vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunquinha que eu vou  nessa montanha-russa de palha.&lt;br /&gt;- Alguém precisa ir buscar o vaso – coçou seus dradis a formiga sorridente de olhos verdes - Não sou eu que vou ter praga na pele. Vocês sabem, eu retorno.&lt;br /&gt;- Eu vou – disse Ana.&lt;br /&gt;- Não, eu vou, Ana – retrucou Sumiris.&lt;br /&gt;- Meninas – sorrira Justus – sempre as mais burrinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambas olharam para Justus e o empurraram para ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pernas do menino tremeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi por sua culpa que viemos parar aqui, menino gênio – disse Sumiris. Você vai na frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lagartixa se encolheu tanto que voltou a seu tamanho normal de formiga. Ela passeou alegremente sobre os cipós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixem de covardia – disse com sua voz fininha agora. Eu vou e volto correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suor brotava entre as hastes dos óculos de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você só tem cérebro, Justus – disse Ana, empurrando o menino para o lado – Fica aqui com Skiter.&lt;br /&gt;- Se você insiste – disse ele, voltando rapidamente para o lado de Skiter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni seguiu Lagartixa e Sumiris que já haviam sumido por uma névoa geladinha. Ela apertou bem suas mãos nas cordas de cipó. Deu seus dois primeiros passos e pensou: É só uma ponte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-1737609690413278630?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/1737609690413278630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=1737609690413278630' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/1737609690413278630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/1737609690413278630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/06/captulo-xxxv-bem-vindos-bean-nighe.html' title='Capítulo XXXV – Bem vindos a Bean-nighe'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-2970521207989810</id><published>2007-06-05T09:44:00.000-07:00</published><updated>2007-06-05T09:49:03.871-07:00</updated><title type='text'>Capítulo XXXIV - Boleadeira</title><content type='html'>A paisagem que passava perante os olhos de Ana Giovanni era impressionante. Quando se passa muito tempo a ver o branco, percebe-se a diferença entre tons. Os inuits, por exemplo, esquimós do Ártico, conseguem diferenciar 11 tonalidades de branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É oxigênio congelado – balbuciou Lagartixa, a formiga que pilotava a moto Marley, sempre sorridente e veloz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni estava encantada. Entre a paisagem branca, arco-íris de bordas douradas, purpurinados por brilhos intensos que cortavam o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos quase lá – gritava Lagartixa, sua voz desaparecendo com o ruído da moto alucinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter tremia igual vara verde. Parecia que ele estava doente. O demônio não dissera uma palavra sequer, nem mesmo quando a moto entrou dentro do rio, divertindo Ana como se fosse um jet ski. Quando o veículo atingiu terra firme, a moto roncou, deixando para trás um risco de pneus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lagartixa, certo? – perguntara Ana Giovanni.&lt;br /&gt;- Sim – a formiga respondeu.&lt;br /&gt;- Eu sou Ana Giovanni. Você sabe para onde estamos indo?&lt;br /&gt;- Não. A Marley vai nos dizer.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente um barulho de motor engasgado e um baque fez com que a física levasse o corpo de Ana Giovanni e Skiter para frente. Uma boleadeira, feita de pedras arredondadas amarradas entre si por cordas foi lançada. Girou e girou sobre si de encontro com as rodas da moto. Um som de buzina surgiu logo em seguida. Quando Ana percebeu, estava atrás dos chifres de Skiter. Lagartixa, entretanto empinou a moto com todo seu reggae power.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gargalhada ecoou pela Floresta de Itako. Lagartixa acelerou as duas rodas da frente. Um leve farfalhar surgiu nas matas. Um sorriso verde brotou no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem ousa estragar o verde com essas rodas de borracha? – a voz se materializou mostrando os cabelos vermelhos do Curupira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lagartixa acelerou as duas rodas traseiras de sua Marley, abrindo um buraco no chão de terra. Foi seu erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ira do Curupira subiu por suas ventas. Ele parecia uma Maria Fumaça com raiva. Soltou uma gargalhada e sapateou com seus pés virados para trás. Quando Ana percebeu, o Curupira havia retirado de sua cabeleira vermelha um estilingue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi com um estilingue que Davi matou Golias – sussurrara Skiter para a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni só conseguiu gritar NÃO! quando a arma de arremesso já tinha cortado a cabeça da formiga. O corpo cambaleou para trás e a moto afundou terra abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Curupira assobiou e pulou mata adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni ficou sem fôlego. Seu coração acelerou mais ainda quando ela viu surgir da mata um ponto vermelho que ela conhecia muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus vinha ajeitando seus óculos, seguido de Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni agarrou seu melhor amigo e o levantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus! Você está vivo!&lt;br /&gt;- Se você me apertar mais posso morrer sufocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni abraçou Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sumiris, obrigada por tomar conta dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris ia dar uma resposta mal-criada, mas seu pensamento foi invadido por uma outra esquisitice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que coisa é aquela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do chão da terra de Itako, milhares de formigas vermelhas e verdes traziam o corpo de Lagartixa, a formiga maior. As pequenas formigas vermelhas e verdes colocaram folhinhas de louro sobre o corpo imóvel. Juntas, elas subiram pelo corpo e em um barulho uníssono, explodiram no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana, Skiter, Sumiris e Justus abaixaram suas cabeças por instinto, tampando seus ouvidos. Quando eles perceberam, o corpo imóvel havia ganhado uma nova cabeça com dradis novinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Liberdade para dentro da cabeça! – disse Lagartixa.&lt;br /&gt;A bolsa azul de Ana roncou, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu disse: corta-se um pedaço, mas ela sempre retorna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Curupiras não sabem de nada – disse a formiga Lagartixa – Eu sou uma guia ultramundial de achados e perdidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-2970521207989810?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/2970521207989810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=2970521207989810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/2970521207989810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/2970521207989810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/06/captulo-xxxiv-boleadeira.html' title='Capítulo XXXIV - Boleadeira'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-7468510903565955024</id><published>2007-05-30T12:57:00.000-07:00</published><updated>2007-06-02T09:08:22.591-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXXIII - Ana, a bolsa e Skiter</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ana Giovanni tinha bolhas no dedo mindinho do pé. Skiter parecia não se incomodar com a caminhada entre os arbustos tropicais, mas a passagem para um ser humano se fechava a cada passo que a menina dava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni precisa de serviço de Skiter? Skiter pronto a servir servir até morrer para um demais.&lt;br /&gt;- Eu preciso de água quente para os pés.&lt;br /&gt;- Ok, ok, Skiter faz água. Mas se água brotar, o mundo balançará.&lt;br /&gt;- Não! Pode deixar. Deixa eu só sentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni colocou a bolsa azul que havia ganhado do capitão Marvius no colo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe ali dentro não teria um biscoitinho esquecido? Será que em outros mundos as pessoas comiam coisas gostosas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter a acompanhou. O desengonçado demônio entretanto sentou de cabeça para baixo, fincando os chifres no terreno sólido de Itako.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geofania mágica. Boa para as protuberâncias – ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni deu de ombros. Sua mãe a mataria com certeza se a visse sentar no chão com o uniforme da escola, mas ela estava cansada demais para procurar uma pedra lisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das profundezas da imensidão azul a bolsa roncou. Ana Giovanni pensou que fosse uma ilusão de ótica vinda da floresta encantada, mas o segundo ronco foi tão escandaloso que Skiter retirou os chifres da terra, irritado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni, responda logo essa bolsa azul porque dói os chifres de Skiter!&lt;br /&gt;- Responder? Como assim?&lt;br /&gt;- Ana Giovanni deve gritar com ela. Essas bolsas estúpidas só ouvem os demais se eles arrebentarem a goela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni ia retrucar, mas o demônio hibernou terra adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina se sentiu meio idiota por fazer aquilo, mas quando viu sua língua fazia um som dentro da bolsa, emitindo sílabas humanas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá! Alguém aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrivelmente, um eco brotou vindo da bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É claro que sim. Sempre tem alguém em algum lugar – a bolsa respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau, incrível! – Ana Giovanni disse. Tenho direito a quantos desejos?&lt;br /&gt;- Um mais um.&lt;br /&gt;- Dois?&lt;br /&gt;- Não, zero. Você nunca estudou, não?&lt;br /&gt;- Zero?&lt;br /&gt;- Zero é um nada que é tudo. Zeuero.&lt;br /&gt;- Então eu tenho direito a tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bolsa sacolejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, meninas são sempre as mais exigentes. A humanidade ainda precisando de orientação. Mas o que aconteceram com as Encarnações das Inteligências?&lt;br /&gt;- Ahn, bem...&lt;br /&gt;- Será você?&lt;br /&gt;- Sim – falou Skiter, a voz saindo da terra - Eu já disse para ela que ela é Fey.&lt;br /&gt;- Hum – retrucou a bolsa para Skiter -  Você não é um idiota! No sentido grego, você sabe, aquele que tem idéias próprias. Bem, no padrão demais, você sabe, como deveria ser prescrito.&lt;br /&gt;- Olha aqui, dona Bolsa, eu não te chamei pa...&lt;br /&gt;- Mas que demais nefelibata! – inadagou a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni levantou a sobrancelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que anda nas nuvens. Argh, eu aqui querendo dar uma de Pequeno Príncipe para você entender e você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni já estava se levantando quando a bolsa roncou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, demais. O ciclo já começou mesmo. A revelação da verdade abalará o mundo. Você sabe do que estou falando, certo? Só o intérprete que ensinará aos poucos escolhidos o significado interior da revelação do mensageiro. Bote a mão na minha cabeça, pois pois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cabeça? – Ana Giovanni levantou a outra sobrancelha.&lt;br /&gt;- Dentro, demais. Mas que coisas difíceis são as palavras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana colocou sua mão dentro da bolsa. Era como se ela tocasse um grande espaço, o fundo nunca chegava. Ela ficou uns dez minutos tirando coisas de dentro da bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um carrinho de massagem? – sorriu Ana.&lt;br /&gt;- Não, querida. Você não terá tempo para esse conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma caneta, um fósforo, o começo da tromba de um elefante, um ferro de passar roupa, um barquinho de papel, um guarda-chuva de bolinhas brancas, uma câmera digital sem zoom, um cavalete, um chapéu dobrado, um coração de pelúcia furado, um caqui amassado que sujou a mão de Ana, uma chave de quarto, uma bandeira da Mongólia. A bolsa só dizia “NÃO”. Quando Ana agarrou o vazio, a bolsa se mexeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um pouco mais para esquerda. Dê espaço entre o dedo anelar e o médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana se sentiu Dr. Spock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso, muito bem. Agora em formato de concha. Isso. Feche lentamente  a mão. Coloque a mão direita sobre a palma da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana já estava achando que a bolsa era louquinha da silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abra a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma formiga sorridente de olhos verdes e colar de folhas de manjericão caminhou lentamente pelo seu braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apresento-te Rainha Lagartixa – disse a bolsa orgulhosa.&lt;br /&gt;- Lagartixa? – retrucou Ana – Mas isso é uma formiga!&lt;br /&gt;- O nome dela é Lagartixa. Corta-se um pedaço, mas ela sempre retorna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formiga exótica começou a cantar. Ana Giovanni sentiu cócegas no braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As vibrações e cantos invocam a força da vida universal. Lagartixa conhece a arte da energia vital – continuou orgulhosa a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um som de bateria veio da bolsa. A formiga tinha uma bela voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Debaixo da pedra de sete cores há uma pimenta encantada. Quem dela primeiro o dedo encosta, a vida será eliminada. Invoco ajuda à demais, invoco a energia vital sagrada.&lt;br /&gt;- Energia vital sagrada? – sussurrou Ana para a bolsa.&lt;br /&gt;- Abra os olhos e verá – respondeu a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni estava com os olhos abertos. Definitivamente, a bolsa era louca. Mas talvez nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni realmente arregalou os olhos. A bolsa estava certa. A formiga Lagartixa foi inchando, inchando, pesando no braço de Ana.  Vendo que traria desconforto para a menina, a formiga saltou para o chão. Quando suas anteninhas tocaram a terra de Itako, a magia explodiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter levantou sonolento, alisando os chifres que brilhavam. Faíscas pipocavam pelo ar. A formiga foi crescendo, crescendo até ficar do tamanho de um cachorro poodle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni se surpreendeu quando a terra se abriu e dentro dela uma moto tipo Harley Davison surgiu, com bandeiras que lembravam a Jamaica. A moto era repleta de folhas verdinhas, das mais diversas possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Liberdade para dentro da cabeça! – a formiga gritou – Subam! Depressa! Os jinns sempre aparecem quando a Marley sai para dar umas voltinhas. Você não quer encontrar seu amigo logo?&lt;br /&gt;- Jinns? – Ana Giovanni gritou, pois o barulho do motor da moto tomou conta do silêncio da floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criaturinhas esvoaçantes começaram a brotar acima da cabeça de Skiter. Ana pulou na garupa da moto, seguida por Skiter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fazem tum tum na cabeça – disse Lagartixa – Adoram picotar um cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formiga acelerou mato adentro, cortando qualquer empecilho à frente deles. Sorridente, a moto zunia. Os jinns correram atrás deles por uns 13 km, mas logo viram que por mais que corressem só conseguiam bater com as cabeças nos troncos.&lt;br /&gt; A moto cantava pneu, levando consigo um demônio, uma formiga reggae e uma menina de cabelos esvoaçantes que ajeitava em seu colo uma bolsa azul.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-7468510903565955024?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/7468510903565955024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=7468510903565955024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/7468510903565955024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/7468510903565955024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/xxxiii-ana-bolsa-e-skiter.html' title='capítulo XXXIII - Ana, a bolsa e Skiter'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-2599245457885168405</id><published>2007-05-27T19:22:00.000-07:00</published><updated>2007-06-02T09:06:57.546-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXXII – Florestas selvagens de Itako</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sumiris Arty andava calada ao lado de Justus. O menino, compenetrado no mapa álfrico, não dera uma palavra desde que os dois haviam despertado no meio de uma sequóia gigante. Um mico leão dourado havia pulado de um galho para outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mais difícil que o jogo XXVVEE fase 5. Como eu vou saber onde começa o condado de PIRACURU? Se eu tivesse o meu aparelho eletrônico e aquele PALM usado de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty agarrou Justus pela gola do sujo uniforme Sagrado Coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem 24 horas para descobrir, projeto de gênio. Se não, eu vou morrer! E você vai apodrecer! E tudo porque eu fui dar uma de boazinha e tentar te salvar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino deu um encontrão em um arbusto espinhento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não precisa agradecer – ela gritou, arrancado o mapa da mão dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E... e... – guaguejou o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um anagrama – Sumiris Arty retrucou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um anagrama – bravejou Justus, ajeitando seus óculos vermelhos – Eureka!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eureka? Ninguém mais diz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já sei – disse Justus, arregalando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- CURUPIRA! – gritara Sumiris Arty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ainda tentou levar sua mão à boca de Sumiris, mas ela já havia pronunciado a palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está louco, guri doido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as mãos tremendo, o menino respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não deveria ter falado isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um leve farfalhar surgiu nas matas. Um sorriso verde brotou no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem me chama? – a voz se materializou e um anão de cabelos compridos vermelhos surgiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty deu um pulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que coisa é essa? – a menina falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um um cu cu curupira – Justus respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem não respeitou o período de procriação? – o Curupira perguntou. Sabe que posso enlouquecê-lo no meio da mata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus só balançava a cabeça concordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O negócio é o seguinte, ô Curupira. Precisamos chegar logo na ponte de Bean-nighe. Antes de anoitecer, se possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Curupira soltou uma gargalhada e sapateou com seus pés virados para trás. Justus se encolheu. Assim como os dentes verdes surgiram, eles se foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga! Sua culpa, Justus! Você poderia ter ajudado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era um Curupira! Você queria que eu fizesse o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Argh! Por que eu fui te procurar? Deveria ter procurado a Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus calou-se. Uma tristeza abateu-se nele. Vendo o erro que cometera, Sumiris profetizou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 24 horas, Justus. É só o que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Curupiras criam ilusões, eles fazem os caçadores se perderem no meio da mata. Despistam, nos levam para direção errada. Agora iremos passar por um caminho que não é certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você queria que eu fizesse, hein, menino gênio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deveríamos ter preparado um banquete para depois pedir ajuda. Agora ele só vai nos atrapalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty deu de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem precisa de um Curupira idiota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gargalhada ecoou pela Floresta de Itako.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, Justus. Vamos por esse lado. Pegadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris correu antes mesmo de Justus gritar Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele percebeu, ela tinha dado a volta e parado no mesmo lugar. Uma risada ecoava repetindo: “Pinga a pipa dentro do prato, pia o pinto e mia o gato”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty socou uma árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga! Nós vamos morrer aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus sentou cansado, a menina chorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu nem fui coroada menina prêmio na cidade de Jajaboh. Nunca mais verei a Cidade do Tempo. Estou presa aqui com um menino de óculos vermelhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado por ter ficado, disse Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty enxugou as lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus e Sumiris Arty ficaram parados no silêncio por horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, o menino se levantou decidido, ao ver que o cair da noite brotava na floresta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos 20 horas, Sumiris. Eu não vou ficar parado esperando o baú da Morte. É a Ponte que precisamos achar, certo? Será a Ponte que procuraremos. Isso é uma Floresta Encantada, o que pode nos machucar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquilo – Sumiris apontara para um lugar acima do ombro de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele se virou, uma figura com cara de cão e longos dentes brancos surgiu rosnando. Era bípede e tinha as unhas sujas de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um chupa-cabra! – Justus gritou. Corre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nem precisava mencionar o nome porque Sumiris Arty conhecia as histórias do ser que retirava por pequenos orifícios todo o sangue da pessoa. Ela sabia que o animal agia em silêncio, retirando os órgãos principais e drenando todo o sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus tentou entrar dentro de um tronco velho, mas lá tinham muitos tatus. Sumiris Arty tentou subir em uma árvore, mas os musgos faziam com que ela escorregasse. Os dois deram de cara um com o outro, com o suposto chupa-cabra os rodeando. As crianças se abraçaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, um barulho de fogos de artifício invadiu a Floresta. Justus pensou que aquele era o som da mordida do Chupa-cabra. Sumiris pensou que aquele era o som de algum caçador os protegendo. Quando ambos abriram os olhos, um Curupira sorridente repetia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Pinga a pipa dentro do prato, pia o pinto e mia o gato” Para onde vocês querem ir mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-2599245457885168405?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/2599245457885168405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=2599245457885168405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/2599245457885168405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/2599245457885168405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/xxxii-florestas-selvagens-de-itako.html' title='capítulo XXXII – Florestas selvagens de Itako'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-8198922130796463809</id><published>2007-05-26T02:15:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T14:24:54.619-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXXI - O equilíbrio de Nash</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Benjamin Boyer tentava se equilibrar na couraça do Behemoth. O grande animal pré-histórico era veloz. Era disso que eles precisavam. Para achar Ana Giovanni, eles precisavam dessa estratégia para alcançar o objetivo: velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que a menina havia percorrido os mundos usando o cordão, o equilíbrio de Nash havia caído por terra. A genialidade do equilíbrio de Nash vem da sua estabilidade sem os jogadores estarem cooperando. Era por isso que eles precisavam pegar Ana Giovanni. Ela e um francês estúpido estavam entrando em conflito. Ele principalmente, usava a Teoria dos Jogos como ninguém, um perfeito economista. Benjamin Boyer até desconfiava que ele estava por trás da criação do processo de Bhaskara, mas o que ele tinha eram somente suposições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan estava de seu lado, mais dane-se o mundo do que nunca. Benjamin se considerava sortudo por ter uma companheira tão à altura de sua sabedoria. Os agentes sabiam que Ana Giovanni era importante para Johnny Nash. Eles sabiam que ela tinha o segredo extraterreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência do conflito era a vida de Johnny Nash. Segundo ele, a Teoria dos Jogos explicava porquê competidores do mesmo setor tendiam a fica próximos uns dos outros. Sempre que um jogador se encontrasse em uma situação em que até poderia estar melhor, mas está fazendo o melhor possível dada a posição de seus competidores, o equilíbrio de Nash reinava. Desde que Ana Giovanni havia aparecido, isso não era possível. A menina não entendia de Jogos. Ela só estava atrapalhando o avanço e desequilibrando o sistema dos mundos. Johnny Nash não permitiria isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele trabalhou anos para equilibrar os sistemas. Ele havia aprendido com a www.microsoft.com/brasil/pequenasempresas/content/jogos.mspx que para jogar o jogo sem se ferir é preciso, primeiro, saber as regras, entender como se comportar e estabelecer seu personagem do jeito mais conveniente possível. Ser real não valia tanto nesse jogo organizacional. Se assim se fosse, não poderiam comemorar nada. De tanto estudar, ele compreendia bem a nova situação que Ana Giovanni e Lu haviam provocado no mundo. Eles haviam infringido uma lei cósmica e física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações de desordem, tomada de decisão e desenvolvimento de estratégias que envolviam o jogo de Ana Giovanni atrapalhavam a área de negócios. Não havia cooperação nesse jogo. É claro que Johnny Nash e sua equipe deveriam intervir nesse conflito bobo de uma humana e um ser mau. Ambos estavam errados. Ambos precisavam ser derrotados. Nem que para isso, Johnny precisasse contradizer seu equilíbrio. Às vezes, ele pensava, é mais importante abdicar do que perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não existe uma igualdade de conhecimento entre todos os jogadores, existe Nash? – indagara Boyle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Equilíbrio só voltará, caro Boyle, quando a situação onde jogador 1 se encontra melhorar devido a estratégia seguida pelo jogador adversário. E isso só vai acontecer se acabarmos com Ana Giovanni e com o francês estúpido. Só assim o equilíbrio dos mundos voltará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, sr. Nash – falava Camille Jordan, tentando colocar seu cabelo atrás da orelha – eu sempre me senti orgulhosa por trabalhar para o senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Comigo, Sra. Jordan. Pensemos em cooperação. Essa questão de salvar o mundo é só social, não tem nada a ver com negócios. Eles vão acabar com o compromisso dos contratos. As análises matemáticas entrarão em crise se um deles ganhar. Ana Giovanni sabendo dos mundos acaba com o equilíbrio. A criatura Lu ao tentar derrotá-la para evitar que o Outro descubra que a menina sabe do acordo está em desequilíbrio com a posição dos outros jogadores. Será o caos, um bug entre os mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan sorriu. Um sorriso simples. Um sorriso de menina ingênua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benjamin Boyle machucara o dedo, tentando agarrar o corpo duro do Behemoth quando ele se curvou e cheirou o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hipopótamo monstruoso enrugado com duas garras saindo da boca urrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, minha cara criatura mítica, Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes olhos brancos do Behemoth apontavam para rumo leste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como diz Alan Bushnell, a área de negócios é um bom jogo – muita competição e um mínimo de regras. Vamos acabar com Ana Giovanni!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Behemoth cheirou a terra e urrou novamente. Benjamin Boyle ajeitou sua gravata branca, Camille Jordan sorrira e Johnny Nash segurou com força seu chapéu Indiana Jones. O Behemoth avançava em velocidade surpreendente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-8198922130796463809?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/8198922130796463809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=8198922130796463809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8198922130796463809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8198922130796463809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/o-equilbrio-de-nash.html' title='capítulo XXXI - O equilíbrio de Nash'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-8856039146063134461</id><published>2007-05-23T01:32:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T14:24:40.640-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXX – O reino de Itako</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando o corpo de Sumiris Arty atingiu o chão, sua mão formou uma concha para que todas as memórias pudessem ser resgatadas. Vozes em sussurros invadiam sua mente e ela não conseguia distinguir o que os seres pensavam. Um grande bloqueio mental deixava sua mente vazia. Pela primeira vez, ela conheceu o silêncio da paz e a dor que isso nos concede. Mas independente do medo a dominar por inteiro, suas memórias ainda existiam dentro de seus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uniforme prateado e sua capa com capuz se tornaram pontos cinzas quando ela percebeu o lumus do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do chão, árvores retorcidas, sem folhas e flores. Mas o que seria uma visão desértica, nada mais era do que as árvores mais bonitas que ela já conhecera. Na ponta de cada galho uma luz de abeto que ilumina sem parar e um perfume âmbar que invade os poros trazendo uma sensação de imortalidade e poder.&lt;br /&gt;- As árvores do conhecimento – ela sussurrou para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty subiu lentamente pela inclinação oeste, botou a mão na testa para poder enxergar melhor, mas uma grande neblina atrapalhava o continuar do seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parecem as torres de Babel – ela disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas torres destruídas coligadas por um semicírculo de paredes com diversas aberturas. A luz que penetrava pelos orifícios era tão bonita que o que seria uma paisagem de sofrimento se transformava em um quadro que inspirava sensação de força e grandiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cabelos de Sumiris Arty rebelaram-se quando uma brisa gélida percorreu o local. Os musgos percorriam a arquitetura, composta de paredes cinzas furadas. Cipós balançavam de um lado para o outro. Borboletas caminhavam pelos lírios amarelos e brancos. Pequenos e minúsculos. Mas as flores não eram comuns. De dentro, um néctar que chamejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o vento parou, a névoa se dissipou e Sumiris Arty viu uma grande cidade de prédios semicirculares. Edificações pós-modernas que cintilavam. Tetos de capelas. Prédios que davam uma sensação de semi-rodopio, como se aquele mundo fizesse parte da metade do movimento cíclico da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu aveludou-se. Um tom vermelho misturado por uma cor púrpura cobriu o firmamento. Pequenos pássaros passaram pelas luzes de abeto. Na entrada da cidade, duas meninas de cabelos de fogo e vestidos pretos flutuavam. Brancas como puro gelo, seus cabelos balançavam perto de bússolas e um quadro que tinha nuvens pintadas. As meninas se olhavam e dançavam, flutuantes em uma coreografia álfrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade dos alfrs era matriarcal. Era um lugar de luz translúcida. Mas diferente do que Sumiris Arty sabia sobre alfrs, uma miscigenação brotou a sua frente assim que a dança das meninas de cabelos de fogo findara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doces canções de verão surgiram da boca do povo a sua frente. Todos eram tão brilhantes que Sumiris Arty não conseguia os olhar de frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bem vindo ao mundo abaixo de Asgard,&lt;br /&gt;o deus que habita em mim saúda o deus que habita em você,&lt;br /&gt;o Palácio de Brug na Boinne uma vez aqui se encontrou,&lt;br /&gt;corre entre nós o sangue dos Thuatha De Dannan e de Tatsu,&lt;br /&gt;mas depois da grande batalha de Kithain que aqui se travou,&lt;br /&gt;mais justos nos tornamos, já que mestiços somos.&lt;br /&gt;Bem vindo aos muros de nosso reino nato.&lt;br /&gt;Bem vindo ao fim das Florestas de Itako”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um flash de raio invadiu a íris de Sumiris Arty. A menina presenciou a imortalidade do palácio dos alfrs se erguer do chão a sua frente. Alguns dedos álfricos fizeram com que Sumiris Arty flutuasse. O fogo das fadas iluminou a passagem. Elas inclinavam suas cabeças para que a luz brotasse assim que a menina passasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrada do palácio, dozes profetas sentados nas pedras circulares. Na mão do mais alto, negro como a noite sem lua, antigas escrituras sagradas. A seu lado, uma mulher de pele alva responsável pela clarividência. Havia a alfr ruiva, responsável por detectar mentiras, a albina que aceitava sugestões, a verde que dissipava magia, 3 alfrs crianças, dois alfrs azuis responsáveis pela evolução das lutas de espada e as duas últimas guardiãs da Pimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imortais e eternamente justos, os alfrs mestiços eram conhecidos por sua tolerância maior e sua aversão à escuridão. Eles fariam de tudo para que a justiça reinasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As artes mágicas e as coisas secretas que não podemos pegar originárias da terra flutuavam pela cidade. As raízes de uma montanha prendiam Justus com sua invisibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty planou perante os doze alfrs. Thaler assobiou. A alfr colocou Sumiris de cabeça para baixo. A menina sentia o sangue pulsar dentro de sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um coro grego de alfrs meninos eram os responsáveis pela acusação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alfrs negros não nos tornamos. Se deixarmos a injustiça entrar, perdidos nós estamos. Não há raça mais traiçoeira e bondosa que os humanos. Demais eles são. Aqui, uma menina dentro de nossos pensamentos quer invadir. Por Álfgeir devemos resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris foi reerguida. A menina queria vomitar, mas engoliu a seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coro de alfrs meninos foi substituído por Mys, a suplicante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por Kithain, a demais merece perdão. Dar-lhe-ei uma tarefa em troca de sua redenção. Cá vimos os pensamentos e as lembranças dela, não há nem resquício de escuridão. Libertem os demais e esqueçam os refrões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem vestido com o manto verde e a harpa coco trouxera dois balões transparentes. Justus ajeitou seus óculos vermelhos. Ele não podia dar um passo, mas juntou as mãos como em oração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coro de alfrs meninos retornou com as acusações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conhecemos o barulho do gato em movimento, já ouvimos a respiração de um peixe, sabemos que não há solução. A demais deve sofrer o máximo de punição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mys abaixou a cabeça em respeito quando uma alfr rubi, com metade dos cabelos negros e metade loiros abriu as portas do palácio. Ela caminhou até Justus e o segurou pelo braço esquerdo. Com o dedo anelar fez com que Sumiris encontrasse chão firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que a Teoria dos Jogos comece, conforme a tradição. Você, Sumiris Arty enfrentará o desafio do coração. Você, demais Justus, o raciocínio da recuperação. Em 24 horas, um pote de barro um deverá trazer. Para isso, é necessário atravessar a Ponte de Bean-nighe. Perigos das Florestas de Itako vocês deverão superar. Como prêmio, As Pimentas de nosso Reino vocês poderão provar e o perdão Sumiris encontrará. Caso contrário, por Kithain eu rogo, uma praga no corpo de ambos aflorará. A morte iremos presenciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mys balançou a cabeça positivamente. O coro de alfrs meninos vibrou. O som de uma canção foi ouvido ao longe. Um mapa foi entregue à mão de Justus. Quando ele o pegou, um sono abateu seu corpo. Ele só viu a capa e o capuz de Sumiris encontrarem levemente o chão. Meio segundo depois, tudo foi apagado por um Alfrothul.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-8856039146063134461?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/8856039146063134461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=8856039146063134461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8856039146063134461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8856039146063134461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxx-o-reino-de-itako.html' title='capítulo XXX – O reino de Itako'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-8179651862074172510</id><published>2007-05-21T17:39:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T14:23:43.897-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXIX – O poder do Fey</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ana Giovanni olhava de rabo de olho para Skiter. A criatura parecia falar com sua sombra. “Mas onde eu fui me meter?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraída, com os pés doendo de tanto andar sem rumo, Ana Giovanni encostou-se a uma grande pedra oval. Andar quilômetros e quilômetros com um demônio menor que de 5 em 5 minutos perguntava se ela estava ouvindo algo, a incomodava e muito. Além disso, a bolsa azul começava a pesar agora que a adrenalina dos Aos Aos havia passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter puxava as orelhas toda vez que se dirigia a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni, você deve voltar para casa agora – ele retrucara.&lt;br /&gt;- Não, Skiter. Preciso achar Justus e Sumiris primeiro.&lt;br /&gt;- Perigo perigo é o que encontrará nas florestas de Itako.&lt;br /&gt;- Estamos nas Florestas de Itako?&lt;br /&gt;- Sim sim, perigo menor não há. Só grande. Ainda mais porque seu amigo foi vendido para um alfr.&lt;br /&gt;- Justus foi vendido? Mas ele não estava no mar de Nubalú?&lt;br /&gt;- Boca imunda de Skiter! Estúpido é só Skiter!&lt;br /&gt;- Skiter, quem vendeu Justus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter puxou fortemente as duas orelhas, seus chifres brilharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A bruxa do mar maldita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni se lembrava bem de Sophia Irvine. Lembrava bem também dos óculos vermelhos de Justus e de como ela prometera tomar conta dele. E Sumiris Arty? A pobre menina da cidade do Tempo deveria ter sido devorada por um Tritão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos que encontrá-lo.&lt;br /&gt;- Ana Giovanni precisa vir com Skiter. Skiter mostrará o caminho para...&lt;br /&gt;- Skiter, você pode ir. Eu vou atrás deles.&lt;br /&gt;- Dos alfrs?&lt;br /&gt;- Sim, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Eu vou encontrar Justus.&lt;br /&gt;- Os alfrs luminosos são justos como o sol, mas os alfrs escuros são piores que o piche, Skiter não quer dar de cara com nenhum deles.&lt;br /&gt;- Se eles são justos, vamos achá-los e contar nossa história.&lt;br /&gt;- História de Skiter? – Skiter balançava a cabeça negativamente&lt;br /&gt;- Sim, qual sua história, Skiter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um barulho entre as raízes de uma grande árvore retorcida fez com que as mãos de Skiter tremessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seres encantados e míticos. Skiter quer fugir.&lt;br /&gt;- Skiter, você acha que aqui tem leão?&lt;br /&gt;- Leão é gatinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande vibração vinha do solo assim como das mãos de Ana Giovanni. Skiter alisou seus chifres. Ana Giovanni virou a palma de suas mãos. De suas linhas bem definidas uma energia emanava. Nervosa, ela virou as mãos para onde vinha o barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As árvores se curvaram, toda a floresta foi iluminada. Skiter encolheu os ombros. Ana Giovanni viu todas as criaturas mágicas da Floresta de Itako. Leprechauns, Yacy Yaterés, duendes, fadas que rodopiavam, coelhos negros, morcegos brancos, caiporas, curupiras, sacis, fênix, unicórnios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Banshee. Banshee. Banshee. Skiter não suporta mais, Ana Giovanni! Aqueles que possuem o dom são protegidos pelos espíritos. Os Espíritos da Vida. Não posso falar mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni cerrou seus punhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni é um fey – choramingava Skiter.&lt;br /&gt;- Fey?&lt;br /&gt;- Você tem o dom da Visão, Ana Giovanni.&lt;br /&gt;- Isso é bom?&lt;br /&gt;- O Espírito da Maldição está perto. Revela segredos de má sorte e morte. A mensageira é Banshee. Ela está entre nós. Normalmente usa uma capa com capuz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-8179651862074172510?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/8179651862074172510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=8179651862074172510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8179651862074172510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/8179651862074172510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxix-o-poder-do-fey.html' title='capítulo XXIX – O poder do Fey'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-362735514561692925</id><published>2007-05-19T20:59:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T14:22:45.785-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXVIII – Johnny Nash está a caminho</title><content type='html'>Benjamin Boyer ajeitou sua grande gravata branca dentro de seu terno impecavelmente alinhado. Coçou o nariz, parte muitas vezes caçoada pelos colegas de trabalho devido a sua estrutura óssea grande. Sacudiu o pé direito, tentando se livrar a qualquer custo da areia prateada que cismava em se agarrar vivamente a seu sapato número 234, preto vinil. A areia de Itako era pegajosa, segundo Camille Jordan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Departamento protocolou o procedimento? – indagara Benjamin Boyer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diz-me, depressa, calculador inteligente, quais são as quantidades cuja diferença é oito e a diferença dos seus quadrados é 400 – respondera Camille Jordan, com seu sorrisinho pronto de dane-se o mundo, eu sou inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poesia para meus ouvidos, querida. Você sabe que essa é minha citação preferida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pare de duvidar do Departamento, Benjamin e vá procurar logo a toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok. Recapitulando: Um falcão está sobre o topo de uma coluna de dez metros, na base há um buraco de cobra, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estando a cobra a uma distância horizontal da coluna igual a três vezes de altura da coluna, o falcão avança para a cobra em linha reta alcançando-a antes que ela chegue à sua toca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boyer pigarreou e ajeitou sua gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se o falcão percorreu o dobro da distância percorrida pela cobra, a distância aproximada da toca em metros, do ponto onde a cobra foi alcançada é de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu amo equação de segundo grau! – vibrou Camille Jordan, pisando aleatoriamente em samambaias gigantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan e Benjamin Boyer se entreolharam e gritaram ao mesmo tempo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 19 metros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois correram mata adentro. Nas florestas tropicais de Itako o verde tinha tonalidades diferentes, assim como o branco dos esquimós. Segurando uma bússola de alta tecnologia high tech, os agentes deram dois passos para trás quando descobriram o que estava dentro da toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande Behemoth se alimentava das grandes samambaias que contornavam o chão da Floresta de Itako. A criatura fantástica, mais parecendo um hipopótamo monstruoso enrugado com duas garras saindo da boca fitou os agentes com seus grandes olhos brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gota de suor descia pela fronte de Camille Jordan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você calculou certo, Benjamin?&lt;br /&gt;- Eu não erro esse tipo de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo couraçado se movimentou, a presença dos agentes foi notada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan e Benjamin Boyer estavam tão impressionados pelas orelhas humanas do bicho que nem notaram quando um velho senhor de chapéu Indiana Jones sorrira para ambos do alto do animal pré-histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Impressionante, eu digo! Todas as pessoas do Departamento que vieram aqui correram antes mesmo de eu me apresentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho senhor, ao contrário de Indiana Jones, usava uma clássica calça Lee, dos primórdios do jeans, um tênis all star preto e uma camisa “Por que falam mal dos anos 80?”. Ao invés do clássico chicote, ele tinha na mão esquerda um anel de lagartixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan gaguejou. Benjamin Boyer sentiu uma leve palpitação. O velho senhor estendeu a mão, seu anel de lagartixa continha as iniciais TPMT:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Johnny Nash a seu dispor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-362735514561692925?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/362735514561692925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=362735514561692925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/362735514561692925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/362735514561692925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxviii-johnny-nash-est-caminho.html' title='capítulo XXVIII – Johnny Nash está a caminho'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-9049231204607481473</id><published>2007-05-18T17:09:00.001-07:00</published><updated>2007-05-27T14:22:32.577-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXVII – Isso dói.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando Justus achava que seu sonho ia durar mais um pouquinho, ouviu a voz de Sumiris sussurrando em seu ouvido. Ou seria dentro de sua cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Não se mexa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Como se ela não tivesse dito nada, ele se mexeu. Uma dor brotou bem no fundo de sua mente e ele parou de se movimentar. Justus não conseguia lembrar onde tinha deixado seus óculos. Estariam eles na casa de Ana Giovanni?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Você acabou de perder uma memória – sussurrou Sumiris em sua cabeça novamente.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Você está falando dentro de mim de novo, Sumiris. Isso dói.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Não se mexa!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Justus estava encostado em uma árvore cinza, preso por um balão de festa transparente. O cordão que unia suas mãos ia direto para a bola de gás, onde imagens nada mais eram do que lembranças há muito esquecidas. Vivas, as imagens rodopiavam dentro da bola de gás, como se fossem reprises da Sessão da Tarde. Em meio a uma árvore branca, Sumiris estava amarrada em seu balão cristalino. Se eles se mexessem ou tentassem fugir, o balão soltava uma lembrança que subia lentamente para o céu, se dissipando da mente depois de latejar profundamente dentro do crânio.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Os galhos das árvores pareciam cochichar. Vários deles iam e viam, fazendo cócegas nos pés dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ao redor de seus balões arbustos e sequóias gigantes. Pequenas roseiras contornavam um lago azul e verde que rodava sem parar, como se fosse uma centrífuga bem grande. Apesar das sombras, Justus suava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Mas onde estamos? Que calor é esse? – bravejou Justus ajeitando seus óculos vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Devemos estar perto da praia das Ilhas Itako, parte das Terras de Itako.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Mas e Ana?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Você se mexeu de novo, garoto burro? Vai perder o cérebro todo assim! Quanto mais você se mexe, mais perde suas lembranças! Você não lembra que foi vendido?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Alfrs são seres elementais. Para se chegar a seu reinado, é necessário percorrer passagens secretas, nove vezes. Se você for sortudo, poderá ver os móveis feitos de cristal. Às vezes esses palácios estão dissimulados no fundo dos lagos. Quando a água está clara, podemos ver as torres das belas construções. Muitos dizem que há dozes moradias para toda a casta de alfrs. Muitos dizem que eles possuem luzes de abeto, lâmpadas que ardem sem parar e fogos que não precisam de fósforo. Todos têm belos rostos. Todos possuem o dom da música e do canto. Todos são justos.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;De dentro do lago azul um homem vestido com um manto verde com vincos presos a uma fivela de prata e uma camisa de tricoline amarela, carregava uma espécie de harpa coco. Atrás dele, emergiram do lago, como se tivessem saído de dentro do sol, Mys e Thaler.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O homem jogou a harpa coco no balão de festa de Justus. As lembranças voaram como fotos polaroids que caem no chão. Sumiris cerrou os olhos. As imagens rodopiaram e caíram no lago. O homem tocou o ombro de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Vá atrás delas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Justus caminhou lentamente e entrou com roupa e tudo no lago. Sumiris só viu um ponto vermelho rodopiar rapidamente antes do corpo afundar. Ela se encolheu quando as longas madeixas negras de Mys flutuavam a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Você não pode ler os pensamentos nas Terras de Itako. É estritamente proibido.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sumiris queria tentar, mas seus pensamentos estavam confusos. Ela pensava em mil possibilidades para fugir, mas as longas madeixas negras a intimidavam.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Thaler se aproximou.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Você aceita as conseqüências do julgamento, Sumiris Arty?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Como você sabe meu nome?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O homem havia pego a harpa coco novamente.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Por favor, não.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Thaler repetiu:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Você aceita as conseqüências do julgamento, Sumiris Arty?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sumiris não poderia viver sem as lembranças da Terra. Não conseguiria viver sem lembrar de como era passar a língua entre os dentes quando se come algodão-doce ou quando sua mãe lhe dava um beijo de boa noite, mesmo com o cheiro adocicado do vinho tinto.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O balão de festa, anexo às suas mãos balançava tranqüilamente. Dentro dele, ela assistia ao movimento fílmico de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ela não poderia perder as lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Ok - sussurrara Sumiris, balançando negativamente a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O homem vestido com o manto verde jogou a harpa coco no balão transparente da menina. As lembranças voaram como fotos polaroids que caem no chão. Sumiris abriu bem os olhos para poder ver sua última festa de aniversário rodopiar acima de sua cabeça e cair no lago. Ela sentiu um arrepio profundo quando o homem tocou em seu ombro.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Vá atrás delas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sumiris chegou perto do lago. Sentou na beira. Pequenas luzes brotavam da água. Um sentimento de paz invadiu a floresta. Fios dourados subiam enquanto fios prateados desciam. Dentro do lago ela viu alfrs verdes, alfrs brancos, alfrs vermelhos e uma lembrança sua perdida caindo lentamente como folha seca sobre um grande palácio de cristal. Sumiris esticou a mão, mas Mys empurrou a cabeça da menina para dentro. Bolhas de ar subiram quando o corpo afundou e os fios dourados e prateados desapareceram entre os sons da floresta encantada.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Por entre as árvores, um assobio de uma canção local percorria o vazio de Itako. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-9049231204607481473?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/9049231204607481473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=9049231204607481473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/9049231204607481473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/9049231204607481473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxvii-isso-di.html' title='capítulo XXVII – Isso dói.'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-4530177209173593756</id><published>2007-05-12T08:45:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T14:22:15.481-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXVI – Lalalala jabaji sobuji</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni acordou com uma criatura a observando ansiosamente falando consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debaixo do céu azul com gaivotas amarelas, Ana Giovanni piscou várias vezes imaginando ainda estar na cama fofa de sua casa de 7 quartos, 8 gatos, 1O empregados e 5 banheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter, desajeitado como sempre, vendo que a demais não respondia, começou a sacudi-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou bem - gritou Ana Giovanni, se afastando das mãos ásperas de Skiter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lalalala jabaji sobuji, comemorou Skiter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você quem é?&lt;br /&gt;- Skiter estúpido! Skiter estúpido!&lt;br /&gt;- Skiter estúpido?&lt;br /&gt;- Precisamos correr! Como sou estúpido! Skiter estúpido! - e bateu as mãos na testa, entre as duas protuberâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que Ana reparou que ele mais parecia um....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você é o quê? - indagou Ana Giovanni.&lt;br /&gt;- Skiter? Skiter é um pequeno demônio de nariz pontudo. Pronto a servir a servir até morrer.&lt;br /&gt;- Você? Se afaste de mim, demônio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni estava preste a correr, quando a criatura agarrou seu uniforme do colégio Sagrado Coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alteza, me perdoe. Skiter não trabalha mais para Ele. Skiter demônio menor não mais, Skiter não trabalha mais para Ele. Skiter agora...&lt;br /&gt;- Ele?&lt;br /&gt;- Lu. O grande. O dono do desequilíbrio. Skiter não trabalha mais para Ele. Skiter agora quer ajudar demais a encontrar caminho de casa.&lt;br /&gt;- Mas por que você quer me ajudar?&lt;br /&gt;- Porque demais interceptou a carta de Lu e e o outro Ele. Agora Lu não pode mais fechar negócio. Agora Skiter não pode mais usar de magia, agora Skiter não tem mais estranho relógio avermelhado de pulso. Agora Skiter não passa de um pequeno demônio. Agora Skiter não tem mais ninguém. Agora Skiter pronto a servir servir até morrer para um demais.&lt;br /&gt;- Um demais? Mas que diabos é um demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um latido foi ouvido ao longe. Não um latido de um pitbull ou um pincher nem mesmo um latido de dobberman alemão. O latido era selvagem. Foi aí que Ana Giovanni se distraiu e observou a paisagem ao redor. Skiter pronunciava palavras que Ana não compreendia. Por entre a grande paisagem tropical e litorânea, paisagem que lembrava uma de suas praias preferidas que ela e sua família tinha visitado no Caribe verão passado, Ana Giovanni viu surgir entre as palmeiras e os coqueiros metricamente alinhados, uma voraz criatura parecida com um carneiro, com um grande conjunto de presas afiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de Skiter se elevava mais e mais, mas a criatura não se intimidava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Skiter tem que fugir. Skiter tem que fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana se viu encantada. Em meio a grande paisagem local de paz tropical, como se o verão fosse eternamente gostoso e o sol não queimasse, Ana sorriu. Olhou para o céu. As gaivotas amarelas ainda estavam lá. A praia de onde ela e Skiter tinham escapado não mais parecia o mar perigoso de Nubalú, mas uma grande piscina cristalina de água salgada. Ela viu peixes coloridos, tatuís sorridentes mergulhando na areia da praia. Pequenos pedaços de conchas prateadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a areia é fofa - pensou Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da praia, muitas palmeiras e coqueiros balançavam encantados pelo vento suave e praieiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um ao ao! - gritou Skiter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana já ia falar “Um cachorrinho” quando o demônio Skiter a puxou, dando 5 passos para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pernas de Ana Giovanni obedeciam Skiter, mas ela queria parar e abraçar o carneiro de presas afiadas que caminhava diretamente para os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um cachorrinho! – gritava Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter, desajeitado como sempre, começou a puxar a menina pelos cabelos, dando mais 10 passos para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao ao monstruosa criatura guarani, um dos filhos de Tau e Kerana - balbuciava Skiter mais para si do que para Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Protetor de colina e montanha - Skiter disse agarrando Ana Giovanni e a colocando em sua frente.&lt;br /&gt;- Viu? Ele é só um protetor, sorria Ana Giovanni.&lt;br /&gt;- Canibal devorador de gente - balbuciou Skiter - Vê vítima para comer, persegue por qualquer distância, não parando até comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana agarrou a mão de Skiter. Melhor lidar com um demônio-menor do que virar refeição de mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura pareceu falar. Ana e Skiter entortaram suas cabeças a 30º.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao ao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o som que Skiter temia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao. Ao ao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som que a criatura faria para perseguir suas vítimas. Skiter empurrou Ana Giovanni, agarrando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corra, demais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ao ao pareceu se confundir. Ana e Skiter se separaram, cada um indo para um lado oposto da praia. O ao ao olhou para direita e para a esquerda. Ana Giovanni só conseguiu ouvir Skiter gritar árvore, porque depois só o ruído tenebroso do Ao ao invadiu a placidez da praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ao ao perseguia o pequeno demônio. Ana Giovanni corria desesperada quando viu um outro carneiro de presas afiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma fêmea&lt;/em&gt;, Ana pensou. Coisa ruim nunca está sozinha. Esse Ao ao, entretanto, era diferente, não caminhou lentamente e sim disparou em direção a Ana. Sem saída para o lado oposto do primeiro Ao ao, Ana Giovanni correu em direção a Skiter. O que Ana não sabia era que Aos Aos não são egoístas. Se perseguem, só perseguem um, nunca dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Skiter estúpido, Skiter estúpido - gritava o demônio, balançando as mãos e agarrando uma palmeira e subindo-a como um lagarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni fez o mesmo, graças a suas férias caribenhas e suas brincadeiras de quem pega coco primeiro, ela subiu rapidamente em um coqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uhuu - gritou Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso chamou a atenção dos dois Aos Aos. Os Aos Aos abandonaram Skiter e circundaram o coqueiro de Ana. Ana Giovanni arregalou os olhos quando as duas criaturas uivaram incessantemente e começaram a cavar a raiz do coqueiro. A árvore começava a balançar. Se eles continuassem nesse ritmo, rapidamente a árvore cairia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos da menina suavam. Ela tentava subir mais e mais o coqueiro, mas o suor fazia com que ela escorregasse. Suas mãos já estavam feridas de tanto tentar agarrar o tronco. Seus cabelos ensopados de tanto nervosismo. Ela já sentia o bafo dos Aos Aos perto de seus pés, por isso fechou os olhos e não viu quando Skiter desceu da palmeira, botou a mãos nas cadeiras, coçou suas duas protuberâncias da testa e corajosamente disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora Skiter pronto a servir servir até morrer para um demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Aos Aos uivaram intensamente de alegria. Ana Giovanni abriu os olhos. Só deu tempo de Skiter gritar PALMEIRA!&lt;br /&gt;Ana Giovanni pulou do coqueiro e se agarrou à primeira palmeira que viu. Subiu rapidamente. Do alto ela viu os dois Aos Aos cercarem Skiter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn? – o demônio sibilou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez Ana não fecharia os olhos. Ela pode ver quando os dois Aos Aos atacaram Skiter ao mesmo tempo. Skiter, ágil como um lagarto, deu um pulo. Os dois Aos Aos se chocaram, suas presas bateram uma na outra. Tontos não tiveram tempo de ver Skiter subir, ágil como um lagarto, a palmeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a lenda, a palmeira teria algum poder contra os Aos Aos. Os Aos Aos olharam para a palmeira e para Ana e Skiter, pararam de rosnar e deram meia volta em direção à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni sorriu para Skiter. Skiter devolveu o mesmo sorriso, cruzando os dedos, atrás de seu corpo de demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Skiter agora quer ajudar demais a encontrar caminho de casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-4530177209173593756?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/4530177209173593756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=4530177209173593756' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/4530177209173593756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/4530177209173593756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxvi-lalalala-jabaji-sobuji_12.html' title='capítulo XXVI – Lalalala jabaji sobuji'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-4999056676894026199</id><published>2007-05-12T08:43:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T14:21:44.827-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXV – Por Kithain</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Havia um alvoroço abaixo do arco-íris que cobria o céu. Os Mantikoras se movimentavam freneticamente. Suas cabeças de homem, com chifres e três dentes de ferro balançavam raivosamente, destoando vozes troantes. Seus pêlos ruivos, metricamente alinhados pelo corpo de leão, eriçavam-se, juntamente com suas caudas de escorpião.   Elas estavam prestes a disparar espinhos venenosos, quando uma Alfr, negra como a noite, disparou um Alfrothul, cegando os olhos dos Mantikoras. Metade do grupo cambaleou com o raio fatal.&lt;br /&gt;- Por Kithain, Mys. Já é o suficiente. Já sabemos.&lt;br /&gt;Dentro de uma grande gaiola de cipós, uma outra Alfr negra com tranças loiras e olhos mel suspendera Justus que tremia.   Mesmo com seus 5.0 graus de miopia, ele sabia que a realidade que Mys invocara era assustadora. Justus sabia que a quimera nascia de seu pensamento, mas não conseguia pensar em nada bom.&lt;br /&gt; - Meu nome é Thaler, disse a bela cujos cabelos reluziam como pó de ouro. Você se encontra nas Florestas de Itako.&lt;br /&gt; Justus quis responder, mas o alfrothul invadiu sua íris e ele caiu. Pensou ter visto nitidamente a bela Thaler sorrir, mas seu último pensamento foi: Eu ainda sou míope?&lt;br /&gt; Atrás de uma grande sequóia, olhos azuis piscavam várias vezes. Uma menina de cabelos loiros, escondida dentro de uma capa apertava apreensiva seu uniforme prateado. Ela não ousava nem sequer respirar direito. Elfos eram conhecidos por sua beleza, inteligência, maldade e astuciosa audição.&lt;br /&gt; - Não sei porque você está dando atenção para isso, Thaler.  Aquela híbrida da Sophia Irvine nos vendeu pele seca! Bruxa do mar maldita!&lt;br /&gt;Mys era uma grande e bela Alfr de longas madeixas negras, conhecida por suas frases bem articuladas e seu caráter de justiça. Ela sabia que fazer negócios com o Povo do Mar era complicado, mas Thaler sempre a convencia do contrário.&lt;br /&gt;-Mys, ele é um demais.&lt;br /&gt;- O quê? Impossível, não há permissões de demais aqui. Você nunca viu um demais, Thaler, viu?&lt;br /&gt;- Cílios, batimentos cardíacos. Ele tem aura.&lt;br /&gt;- Aura?&lt;br /&gt;- Por Kithain, vamos levá-lo para Ikó! Mas é?&lt;br /&gt;- Da raça masculina.&lt;br /&gt;- Congelados. Milhares de anos da minha existência para ver um demais ser congelado. Será que ele não tem uma fêmea?&lt;br /&gt;Thaler sorriu.&lt;br /&gt;- Sim, Mys. Ela está atrás da segunda árvore, escondida.&lt;br /&gt;Antes mesmo de Sumiris pensar em correr, um longo sono invadiu seu pensamento. Antes mesmo de cair, Mys já havia colocado em um grande unicorne branco, a menina de uniforme prateado.&lt;br /&gt;- Vamos deixar o macho, Thaler?&lt;br /&gt;- Não. Se ela estava escondida, é porque eles têm algum elo.&lt;br /&gt;- Mas o macho não pensava nela.&lt;br /&gt;- Eu sei, Mys. Mas a outra chegará em breve.&lt;br /&gt;- Como sabe?&lt;br /&gt;- Eu sou a irmã mais velha, sempre sei.As Alfrs caminharam lentamente pelo caminho de folhas secas, puxando um cordão prateado que ligava o unicorne às mãos brilhantes das duas. As florestas de Itako eram conhecidas por seus sons encantados e suas espécies míticas. Os pensamentos que ali ficavam eram guardados como sabedoria milenar. Armazenados em grandes bolhas para serem consultadas por seres superiores. Não havia bondade nem maldade. Só a justiça. E justiça para os Alfrs era lei absoluta. O macho havia sido vendido por um preço justo, mas e a fêmea? Mesmo sendo importante para o processo da evolução, ela havia entrado em um campo proibido. E a entrada em campos proibidos era considerada punição máxima. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-4999056676894026199?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/4999056676894026199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=4999056676894026199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/4999056676894026199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/4999056676894026199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxv-por-kithain_12.html' title='capítulo XXV – Por Kithain'/><author><name>Jinny Vendingo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08159816209058693100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-5211966886785187076</id><published>2007-05-01T14:53:00.000-07:00</published><updated>2007-05-01T14:55:46.092-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXIV - Eles que se entendam</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;Um peixe hominídeo de dois metros e meio de altura trajando alguns farrapos possuía o pescoço repleto de correntes douradas entrelaçadas com pequeninas cabeças dependuradas como extravagantes colares. A exótica criatura verde-limão levava a cabeça por debaixo de um chapéu alto e curvilíneo como uma cartola, uma autêntica mistura desastrosa de peixe com humano, no lugar dos olhos duas bolas amarelas saltavam sem pálpebras pela pele escamosa como estivessem receosos de perder alguma cena por alí perto. A boca era uma espécie de rasgo com um tanto de dentes afiados que pareciam preencher toda a mandíbula arroxeada enquanto nas laterais duas guelras estremeciam com a respiração ofegante do monstro. Retirou uma lâmina da cintura e ergueu em direção a Sophia a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bruxa do mar, o que tem para nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia apertou a boca em tom de desaprovação. Ajeitou com delicadeza entre os dedos os anéis que sustentavam duas grandes pedras rubis e olhou em direção a Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que a pergunta deveria ser, o que vocês tem para mim, Grevor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande peixe mirou a menina que levitava de ponta-cabeça e franziu o cenho desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como conseguiu a menina?&lt;br /&gt;- Isso não importa agora. Mas os seus nubalinos – olhou em direção ás enormes bolsas de couro recheadas com a famosa moeda do mar carregadas por outros Tritões tão grandes quanto Grevor – me parecem satisfatórios.&lt;br /&gt;- Tenho de saber se ela ainda serve.&lt;br /&gt;- Ela está nova em folha, pode conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor andou em direção a Ana Giovanni como estivesse indo conferir se uma galinha ainda respirava. Ou como se fosse uma maçã na dúvida se estava podre. Ela pôde perceber a grotesca forma que ele se movimentava. A cabeça andava em sintonia com a direção dos passos dados, como se todo o peso do corpo daquela incrível criatura fosse tão impossível de controlar naquele tronco desfigurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser se aproximou um tanto da menina a ponto de Ana sentir sua respiração suja e fedorenta. Se peixes mortos cheiravam tão mal no seu mundo, estas criaturas não passavam muito longe disto. Os olhos do monstro percorreram todo o corpo contorcido como se estivesse a procura de algo. Ana apavorada sentiu-se suar dentro do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não a quero!&lt;br /&gt;- Você está louco? É ela! Esta aí, na sua frente. Como o combinado.&lt;br /&gt;- Ela não serve, sua bruxa tola!&lt;br /&gt;- O que há de errado?&lt;br /&gt;- Você zomba de Grevor!&lt;br /&gt;- Impossível, maldito saco de miúdos! – bradou Sophia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multidão de Tritões que haviam tomado o Pátio Central mexeram-se como se algo dito os incomodasse. Alguns, armados, desembainharam suas lâminas em tom de desaprovação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor abandonou a vistoria em Ana Giovanni e voou em direção a Sophia com vigor. Parou bem perto de sua face delicada e rosnou mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não brinque com Tritões, bruxa traída. Nós somos muito mais que você e sua tribo de homens-peixe fracotes. Primeiro vamos levar a menina, depois iremos acabar com cada casa de areia que você e seus irmãos vivem neste antro de covardes. E por último, talvez, eu leve este seu brinquedinho comigo também. – apontou em direção ao tridente que Sophia carregava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia ergueu um dedo e fez espaço na água entre sua narina e pegajosa face do Tritão brutamontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querido, pelo que vejo, você realmente está com vantagem neste momento. Mas será que você teria coragem de acabar com uma mera híbrida do mar de Nubalú apenas por uma menininha sem tanta importância assim? Sua tribo de guerreiros parece muito mais comovida em atear fogo nessa aldeia, não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor prendeu a respiração e soltou-a com um rosnado baixo. Voltou a atenção para um outro Tritão que estava mais afastado. A outra criatura entendeu o olhar de Grevor e andou em sua direção. Virou-se novamente para a grande tribo dos guerreiros aglomerados e gritou algo. Segundos depois, o grupo de Tritões urravam algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher-peixe soltou uma risada abafada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu só? Aposto que queimar cada híbrido seja tão delicioso quanto se rechear de nubalinos, não é capitão Grevor?&lt;br /&gt;- Minha tribo assim decidiu...&lt;br /&gt;- Ótimo.&lt;br /&gt;- ...que será muito melhor despedaçarmos você e darmos de presente para nossos filhotes e fêmeas.&lt;br /&gt;- Mas o que?!&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Juba-lá! Asseon gutarrr! Ielamando já já bakortar!&lt;/i&gt; – O monstro apontou na direção de Mientras, Sophia e Ana Giovanni com violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os milhares de Tritões ainda gritavam quando Grevor levantou sua espada. Ainda de costas, sentiu algo queimar sua nuca e rapidamente comprimir suas guelras. Uma pequena lâmina estava em contato com suas escamas ameaçando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peça para deixar-nos ir embora, Grevor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mientras segurava Grevor por trás, ameaçando-o com um punhal. O Tritão riu e o híbrido ameaçou cortá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora! Ande!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor manteve-se quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nãoooooo! – gritou Sophia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor sentiu o peso do homem-peixe sumir. O punhal caiu lentamente no chão de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mientraaaaaaaaaas! Nãoooooooo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz tombou sentindo o arpão furar-lhe as costas e chegar até peito. Tão rapidamente que mal conseguiu desfazer a imagem de Sophia gritando para seu rosto e embuído em dor fechar os olhos. Um Tritão, de um ponto estratégico, rearmava a arma que atingira o híbrido pelas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni nesse exato momento caiu no chão. A energia que a levitara sumiu. Percebeu que podia falar e se mexer. Estava livre da mágica de Sophia Irvine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feiticeira das profundezas, é sua hora de servir-se aos meus guerreiros! – o Tritão ergueu a espada que empunhava fazendo com que a multidão de Tritões o acompanhassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma razão de segundos, três feixes de luz acenderam-se sobre Grevor. O Tritão então sentiu a água a sua volta girar violentamente. Aos poucos, a criatura não conseguiu mais sentir o chão tomado pela força do ciclone que o circundava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? O que está fazendo, sua bruxa maldita?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor manteve-se preso pela pressão da água até que o ciclone cessou. O monstro-peixe caiu novamente no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- HAHAHAHA! Veja, você é fraca demais para derrotar Grevor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tritão levantou com dificuldade e procurou pela espada. Achando-a percebeu que alguns outros Tritões o olhavam desconfiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que estão olhando? O que estão olhando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevor viu que três luzes ainda giravam a sua volta como pequeninos peixes de luz. Eram coloridos e rodavam bem na altura de sua cabeça esverdeada como se possuíssem vida. O Tritão olhou para a Sophia que se concentrava em repetir baixo alguma canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Menino, menino mau&lt;br /&gt;Que queres comigo para fazer tão mau?&lt;br /&gt;Eu tenho um presente pra você&lt;br /&gt;Mas não perca a cabeça quando perceber”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora sua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monstruoso peixe passou a correr em direção a híbrida quando todos no Pátio Central viram algo realmente grande se aproximar da claridade pela água escura. Era bem maior que qualquer outro peixe que Ana Giovanni havia visto nas visitas ao Aquário Municipal da cidade de sua avó. Um tubarão enorme, prata, engoliu Grevor de uma só vez antes que sua espada pudesse descer bem a sua frente sob Sophia e desapareceu do outro lado da escuridão novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três peixes de luz sumiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tribo de Tritões passou a correr para cima do palanque do Pátio Central empunhados de ódio. Alguns preparavam seus arco e flecha de diversos pontos, outros estavam prontos para atirarem suas afiadas lanças por cima das colunas de pedra que formavam a grande praça da cidade de híbridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni sentiu alguém puxar seu braço. Uma sombra repetia copiosamente que ela precisava sair dali. A menina correspondeu distanciando-se de Sophia pelas costas do palco do Pátio Central. Antes de descer e fugir, lembrou-se de algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espere, eu preciso voltar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura a sua frente levou a mão a cabeça sem entender. Ana correu em direção a Sophia e viu três pequeninos caninos jogados entre penas, pedaços de osso e outras coisas que Grevor deixara cair minutos antes. A menina olhou para o grupo de brutamontes se aproximando, pegou os três objetos e saiu antes que pudesse ver Sophia arremessar uma cintilante bola de fogo de seu tridente em direção aos Tritões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura a esperava ansiosamente falando consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos fugir daqui! Isso aqui é muito perigoso!&lt;br /&gt;- Quem é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura retirou uma linda concha de sua bolsa de couro e ouviu por alguns segundos. Exclamou aliviado e voltou a ouvir a concha. Logo depois ofereceu para Ana ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você está ouvindo? Ahn? Ahn?&lt;br /&gt;- Você acha realmente que isso é momento para brincar de ouvir conchas?&lt;br /&gt;- Ouça! Ouça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana levou a concha ao ouvido. Uma melodia distante passou a soar. Eram harpas misturadas com flautas, uma melodia doce que dava gosto de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É linda...&lt;br /&gt;- Concentre-se! Concentre-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, um coral podia ser ouvido. Milhões de vozes afinadas em uma só melodia. É como se uma grande orquestra de instrumentos exóticos tocasse para a menina. Ana fechou os olhos antes de ver Sophia ser engolida pela multidão de Tritões no Pátio Central bem perto dali. A menina sentiu o estômago esquentar por um momento e a vista girar. Skiter e Ana Giovanni sumiram numa explosão de pequeninas fagulhas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-5211966886785187076?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/5211966886785187076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=5211966886785187076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/5211966886785187076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/5211966886785187076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/05/captulo-xxiv-eles-que-se-entendam.html' title='capítulo XXIV - Eles que se entendam'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-6761656502918149272</id><published>2007-04-30T19:13:00.000-07:00</published><updated>2007-05-01T08:45:26.540-07:00</updated><title type='text'>capítulo XXIII - A vingança de Sophia</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;Ana acordou com o ronco do estômago do grande animal que a levava com pressa. Notou que o barulho ora era repentino, ora era estável. Um som acolchoado pela incrível carapaça da Moréia. A menina percebeu com mais precisão o tom azulado da pele do animal. Era uma espécie de azul-esverdeado que se confundia com as diversas saliências que saíam por seu longo corpo. Apesar do corpo serpentio, a cabeça era uma enorme esfera achatada, como uma lança pontiaguda cercada de dentes desgrenhados. Os dois olhos saltavam pela fronte e penduravam-se em verdadeiras antenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado de Ana, o Peixe-Espada nadava com vontade enquanto os dois seres do mar discutiam algo mais à frente. No lombo do animal jazia um caixote pequeno de madeira preso por um emaranhando de algas do mar. Havia dezenas delas circulando o animal e o caixote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Stroooooon&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal roncou mais uma vez e Ana despertou do transe. Agora podia sentir os pés, mãos e até mesmo falar. &lt;i&gt;Brrrrr. Mrrggg.&lt;/i&gt; O som não saía. Havia o efeito do chiclete de Marvius encerrado? Ela provavelmente não estaria nem viva caso isso ocorresse. Ela precisava de ar e com uma grande fungada sentiu seu pulmão encher dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nado prosseguiu por alguns minutos até uma clareira surgir após uma grande cratera. O fundo foi surgindo mostrando sua areia muito branca em volta de inúmeros peixes um tanto quanto coloridos. A menina aproveitou o momento em que o grupo inclinou a direção do movimento e tentou se sacudir. As cordas apertaram assim que seu tronco tentou mudar de posição em cima da Moréia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aiii!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mientras olhou para trás de rabo de olho e avistou a menina se contorcendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acha que é fácil se desprender de mágica assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana disparou a língua para fora em sinal de protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele instante, o mar começou a revelar diversas construções em sua superfície profunda. Inúmeras edificações feitas de uma espécie de material poroso, talvez de barro, salientavam-se na escuridão do mar de Nubalú enquanto suas pequenas luzinhas davam um tom mais natural a grande cidade que ia aos poucos mostrando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau! Não é possível! – pensou a menina deslumbrando-se com os habitantes da cidade. Quase todos eram parecidos com Mientras e Sophia. Se Ana nunca havia visto uma Sereia, naquele momento, era possível avistar um grande povoado destes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu teria muito prazer em vê-los de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois seres nem se importaram com a menina enquanto continuavam se preparando para chegar no chão movediço da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mientras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser continuou nadando sem ligar-se para o grande e robusto homem-peixe tão parecido com os dois que qualquer um não duvidaria que fossem da mesma raça o chamara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- MIENTRAS AQUI! AQUI Ó!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo chegou próximo de uma construção em corais avermelhados e passaram a retirar alguns objetos de cima dos animais gigantes que os acompanhavam sempre. Nesse meio tempo, o homem-peixe que gritara de longe nadava em direção aos dois com uma forte curiosidade estampada no rosto carnudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me diga! Vão ficar ricos dessa vez?&lt;br /&gt;- Não nos importune, Serjes.&lt;br /&gt;- Roubaram quantos Tritões dessa vez? Deixa eu adivinhar! Nenhum? – e soltou uma risada grotesca por debaixo da barba loira.&lt;br /&gt;- Cabeça-Esmagada-de-Tritão, não é da sua conta. E largue estes Nubalinos, homem tolo! - Mientras voou em direção aos caixotes alojados ao lado da Moréia antes que Serjes avistasse os cabelos ruivos de Anna por cima da carcaça do animal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos do sujeito esbugalharam-se enquanto sua nadadeira inchada tremia rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vo-vocês conseguiram um... uma... – apontava para a menina absorta pela situação até que sentiu uma forte dor atingir seu braço - AI!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão de Serjes fora atingida impiedosamente pelo tridente ofuscante de Sophia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Retire sua baba nojenta de cima de nossa mercadoria, Serjes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O híbrido gorducho tremendo cada vez mais, afastou-se do grupo cerrando os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mientras, está a olhar a vista? Largue de ser idiota e me ajude a levar a menina até o Pátio Central antes que mais um enxerido dessa tribo de imprestáveis nos atrapalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O híbrido rosnou baixo antes de desamarrar a menina e erguê-la pelas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal nadou por alguns minutos por dentro de becos e vielas produzidas pelo aglomerado de casinhas de barro da civilização híbrida de homens-peixe. Como autênticos castelotes de areia, aqueles seres viviam dentro de cavernas produzidas pelas correntezas do imenso mar de Nubalú que atravessavam colunas de rocha e areia. Algumas eram feitas propositalmente para isso, mas eram muito mais bem construídas, com detalhes de conchas reluzentes e pedaços de cristais em suas frontes. Talvez isso desse um tom de divisória social naquela pequena comunidade oceânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ainda tentava mexer a boca para falar sem sucesso. Tentou mais uma vez por uns instantes até que o rapaz a deixasse tombar no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Huummp!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja Mientras, aprecie nossa glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia fechou os olhos e simbilou algumas palavras em direção a Ana Giovanni. Um feixe de luz envolveu seu corpo erguendo a menina aos poucos, levitando bem a altura de sua cintura. Elevou o braço direito e gesticulou. A menina girou ficando de cabeça para baixo na frente de uma multidão de híbridos que se aglomeravam no espaço do Pátio Central da cidade dos homem-peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multidão urrou em direção aos três com energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejam! Nós temos a menina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana olhava para os lados tentando compreender enquanto o grupo de homens-peixe e mulheres-peixe gritavam de alegria enquanto Sophia elaborava algum tipo de feitiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apreciem o caminho da glória de vocês!&lt;br /&gt;- Sophia! Sophia! Sophia! - esbravejavam&lt;br /&gt;- Mientras?&lt;br /&gt;- Sim, querida?&lt;br /&gt;- Preparado?&lt;br /&gt;- Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophia elevou os braços e passou a concentrar-se novamente. A luz em volta de Ana tornou-se púrpura ao mesmo tempo que um tremendo estrondo ouvira-se bem perto dali. O chão tremia ao compasso de uma sintonia estranha. Os gritos de alegria do povoado de homens-peixe tornara-se gritos de histeria e horror enquanto colunas de pedra que sustentavam algumas construções passaram a ruir. Enquanto muitos nadavam tentando fugir do lugar, Sophia esgueirava um sorriso no canto da boca bem de cima do palanque do Pátio Central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Exército de Tritões!&lt;br /&gt;- Nos acharam!&lt;br /&gt;- Fujam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher-peixe de cabelos vermelho-fogo olhou em direção a menina e piscou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preparada querida? Ah, eu sei que está. Tritões adoram carne de humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho começou a aumentar quando o estrondo transformou-se em passos rápidos e compassados. O ritmo frenético de uma marcha ia tomando as ruas laterais do Átrio enquanto alguns homens-peixe esgueiravam-se desesperados para dentro de suas casas de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mientras apareceu do lado de Sophia no momento que ela empunhava seu tridente e ajeitava o cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero um grão de areia desse povoado maldito depois que forem exterminados.&lt;br /&gt;- Sophia, temos que ir. Eles estão chegando...&lt;br /&gt;- Minha vingança não será tão barata assim, querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um raio de luz atingiu a estátua de mármore do Pátio Central esfarelando-a com brutalidade. As faíscas voavam enquanto uma multidão de monstruosos peixes preenchiam o espaço da praça.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-6761656502918149272?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/6761656502918149272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=6761656502918149272' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/6761656502918149272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/6761656502918149272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2007/04/captulo-xxiii-vingana-de-sophia.html' title='capítulo XXIII - A vingança de Sophia'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-116483874349049753</id><published>2006-11-29T14:15:00.000-08:00</published><updated>2006-11-29T14:21:52.556-08:00</updated><title type='text'>capítulo XXII - Mientras e Sophia</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;O ar entrou pelo nariz de Ana Giovanni com velocidade e chegou em seus pulmões rapidamente. A menina retomou o fôlego enquanto a cobra inteligente rodopiava em direção ao fundo do mar como uma poderosa turbina de Navio. As bolhas saltavam ligeiras bem na cara de Ana Giovanni produzidas pela intensidade do movimento do animal. A visão da menina ia voltando aos poucos, junto de sua percepção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse exato momento, as bolhas da cobra inteligente cessaram por um momento. Ana apertou a mão em que segurava o rabo do animal e sentiu a água do mar de Nubalú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal sumira antes que Ana pudesse perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina flutuava na água escura, gelada, junto da correnteza que subia da escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo, me soltei da cobra por causa de dois pulmões com asma. Ao menos, não é tão ruim estar dentro da água e poder respirar. Se ao menos eu pudesse sentir novamente o gosto do mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grito sôou na direção de Ana. Era um barulho estranho, agudo e as notas atingiam diretamente o ouvido da menina zunindo suas idéias. Levou as mãos as orelhas e tratou de tapá-las enquanto o som aumentava cada vez mais. Uma mistura de zumbido com uma horripilante sinfonia invadiu o local em que Ana flutava. A água se iluminou a sua frente quando duas estranhas figuras se aproximaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mientras, como pode? Que tipo de humana invade nossa área?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma figura híbrida de longos cabelos avermelhados articulou uma espécie de arma dourada cravejada em jóias na direção de Ana enquanto balançava com delicadeza o longo rabo de peixe bem abaixo em círculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não entendes, Sophia? A menina veio buscar perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro ser era uma espécie de homem. Este não possuía pêlos na face e os olhos ardiam em duas bolas cinzas de um brilho profundo. Segurava o que podia-se dizer de uma pequena harpa. Como aquelas que Ana sempre vira nos vitrais das Igrejas da Terra, seguradas por gorduchos querubins. A última coisa que Ana pôde reparar foi na cicatriz marcante na testa do ser, um sério ferimento antigo provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perigo?&lt;br /&gt;- Nubalú.&lt;br /&gt;- O mar.&lt;br /&gt;- Nós mandamos.&lt;br /&gt;- O que veio buscar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana tentou nadar na direção oposta, mas um feixe de luz atingiu seu corpo tornando-o imóvel. Os músculos dos braços e pernas ficaram enrijecidos a ponto de não conseguir se mexer de forma alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aonde pensa...&lt;br /&gt;- ...que vai?&lt;br /&gt;- Certo Mientras, eu já disse para não terminar o que eu digo! &lt;br /&gt;- Desculpe, querida.&lt;br /&gt;- Eu já disse mil vezes.&lt;br /&gt;- Eu sei, mas é divertido.&lt;br /&gt;- Eu não acho nada divertido.&lt;br /&gt;- É porque...&lt;br /&gt;- Porque o que?&lt;br /&gt;- Você fala demais, querida.&lt;br /&gt;- Como é?&lt;br /&gt;- Desculpe, eu...&lt;br /&gt;- Eu deveria é raspar as escamadas do seu rabo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura feminina voltou-se para a menina e nadou em direção de Ana Giovanni segurando um tridente. Da arma, uma luz avermelhada cintilava em volta do corpo da menina produzindo um estranho ruído. Ana lembrou do barulho produzido pelas cigarras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, o que uma humana como você faz no mar de Nubalú?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni viu a face da mulher e mirou as duas íris avermelhadas que brilhavam com nitidez. Até Justus e seus 5.0 de Miopia conseguiriam percebê-las de longe e sem os grandes óculos de grossos aros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é da sua conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura imprimiu uma expressão de dúvida e voltou-se para Mientras. O homem metade peixe soltou um risado irônico. Sophia nadou para o meio da conversa e apontou o harpão para Ana enquanto a olhava com rancor. Uma pequena luz amarela passou a iluminar o ambiente. Agora, um som surgia. Era o híbrido, tocava a harpa que trazia. Estava de olhos fechados, parecia compenetrado no que fazia. Uma nota de cada vez, uma melodia intensa começou a ser ouvida. Ana percebeu que Sophia parecia dançar. Era difícil perceber como uma espécie de Sereia, dos contos marítimos, poderia produzir aquilo. O rabo de peixe era uma linda nadadeira avermelhada. Suas escamas cintilavam com a luz produzida pelo tridente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Conte-me tudo menininha, &lt;br /&gt;nós viemos te mostrar, &lt;br /&gt;que no Mar de Nubalú,&lt;br /&gt;escapatória não há.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana começou a se sentir sonolenta. Os olhos pesavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Para onde vai com tanta pressa,&lt;br /&gt;deixe-nos encontrar&lt;br /&gt;no fundo de sua mente&lt;br /&gt;porque viestes pra cá.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni sentiu-se extremamente sonolenta. Nesse exato momento sua boca se abriu lentamente, de dentro, uma incrível bolha de ar surgia. Cada vez mais, a bolha saltava por seus dentes, língua e lábios em direção a água. Quando estalou para fora, ela era grande, maior que sua cabeça. Flutuava bem na altura dos seres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hmm, o menininho.&lt;br /&gt;- Quem diria?&lt;br /&gt;- Podemos ganhar muitos Nubalinos dessa vez!&lt;br /&gt;- Essa é maior, não?&lt;br /&gt;- Talvez sejam da mesma espécie.&lt;br /&gt;- Será que aquele peixe barrigudo vai nos recompensar dessa vez?&lt;br /&gt;- Não me importo, Mientras. Ninguém em Nubalú passa a perna em Sophia Irvine!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estalou o dedo na direção do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você viu, aquele outro sujeito quase pagou bem pelo garoto.&lt;br /&gt;- Não gostei dele.&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Fala francês demais.&lt;br /&gt;- Por q...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem metade peixe gritou antes que pudesse terminar, quando sentiu o tridente espetá-lo na parte inferior de sua nadadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiram ir cuidar da menina que nesse momento não conseguia ter certeza do que estava acontecendo. Um sono atormentava-a cada vez mais. Mientras retirou uma corda roxa do ombro e girou em volta de Ana Giovanni amarrando-a com precisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mientras assoviou. Um urro soou na direção dos três. Uma forte vibração fora sentida quando dois olhos pularam para dentro da luz do tridente de Sophia Irvine. Um Peixe-Espada bem maior que os convencionais parou ao seu lado. Uma Moréia azulada surgiu ao lado de Ana, pondo-a sobre as costas rapidamente e depois cumprimentou Mientras com uma espécie de rosnado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiram em cima dos animais e começaram a nadar na direção escura do mar de Nubalú. A bolha de ar de outrora girava lentamente na água enquanto subia empurrada pela correnteza. Mostrava a cara de Justus que sorria alegremente em alguma ocasião perceptível da visão de Ana Giovanni. Até que explodiu em milhares de outras pequeninas bolhas sumindo lentamente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-116483874349049753?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/116483874349049753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=116483874349049753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/116483874349049753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/116483874349049753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/11/captulo-xxii-mientras-e-sophia.html' title='capítulo XXII - Mientras e Sophia'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-116448930630509415</id><published>2006-11-25T13:14:00.000-08:00</published><updated>2006-11-25T16:32:21.296-08:00</updated><title type='text'>capítulo XXI - Motores ligados!</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Hmm, doce!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina levou mais um pouco da água do mar a boca e fez um gesto novamente de prazer facial. A água do mar de Nubalú tinha um gosto adocicado, ora parecia suco de morango em uma mistura engraçada de suco de laranja, ora parecia aqueles deliciosos refrescos de umas das lanchonetes da cantina central do Colégio do Sagrado Coração. Apesar, lembrando, que o suco de amora nunca foi seu favorito. Mas naquele momento, o suco havia chegado ao seu paladar com incrível velocidade. Ana Giovanni precipitou-se com o líquido do mar a sua volta. Teve um lapso e pensou em refrigerante. Abaixou a mão em forma de concha e levou o líquido novamente a boca. Nesse momento o gosto era sim de refrigerante. O mesmo em que antes havia pensado. &lt;i&gt;Que surpresa agradável&lt;/i&gt;, pensou. Ela seria a única menina da Terra a desfrutar de um dos maiores sonhos de qualquer criança. Um mar inteiro de refrigerante. Apesar da cor da água permanecer igual sempre, o gosto mudava conforme Ana imaginava um novo líquido. Era uma mistura intensa de emoções poder desfrutar daquilo sozinha. Uma ansiedade apertou seu rosto. Tentou não imaginar nada nojento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cobra inteligente permanecia imóvel, boiando ao seu lado presa pela alça de sua saia do uniforme. Enfiou a mão no bolso e sentiu a caixa de acrílico de aparelho de dente onde provavelmente estava a estranha formiga dada por Marvius e o chiclete da “A hora certa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tritões, Aí vou eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exclamou com bravura, respirou fundo, prendeu a respiração e desatou a afundar na água. Submergiu por uns instantes e tentou nadar contra a correnteza que subia do fundo escuro do mar de Nubalú. A água se tornava mais gelada cada vez que descia mais. Então, de súbito, Ana Giovanni sentiu um impulso muito forte lhe empurrar de volta a superfície. A menina não entendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas... como...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raciocínio foi rápido. Lembrou do Capitão Marvius de outrora. Quando Ana estava em apuros no mar de Nubalú após a tempestade e a perda de Justus, fora achado pela Rosa Fustigante. O jeito como o marinheiro a havia salvado empertigou-a. A cobra inteligente. Aquela loucura toda deveria funcionar para alguma coisa. Se ao menos tivesse um motor, algo que a empurrasse para o fundo do mar. Algo como...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenrolou a cobra inteligente de sua fivela e a segurou-a a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem de funcionar. Tem de funcionar. Tem de funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou o animal pelo rabo a cima de sua cabeça e passou a girá-lo como uma corda. Se alguém a visse nesse exato momento lembraria de um Peão iniciando a condução de uma boiada em algum campo no interior do Brasil. O movimento tomou um rumo mais agitado. A serpente de um estalo, enrijeceu sua base que ia até o rabo e metade dela continuava a girar no movimento de 360 graus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que prático!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina passou a descer lentamente a cobra até o mar. Como um furioso motor, o animal afundou provocando uma reação. Um puxão levou Ana para dentro do mar enquanto minúsculas bolhas saltavam em seu rosto por detrás da cabeça da cobra em movimento de hélice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente, a cobra puxava Ana em direção ao fundo do mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belíssimos animais surgiram a sua frente. Peixes minúsculos, parecidos com os que conhecia em seu mundo. Lembravam peixes-palhaço, dourados e outros que não recordava o nome. Como aquele que piscava, ou aquele de um azul estranho. Cardumes pareciam voar na água, num bailado elegante. Três peixes avermelhados chegaram próximos e iniciaram um movimento engraçado para Ana quando sua cabeça passou a doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar estava acabando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cobra inteligente a puxava com força em direção a escuridão do fundo, mas a Cidade dos Tritões não surgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar estava acabando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua boca se comprimiu em um aperto estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua visão se deturpava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um único gesto aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bolso, levou o chiclete do capitão Marvius a boca. Mastigou-o. E assim, envolta de um estranho tremor, sentiu que podia respirar novamente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-116448930630509415?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/116448930630509415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=116448930630509415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/116448930630509415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/116448930630509415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/11/captulo-xxi-motores-ligados.html' title='capítulo XXI - Motores ligados!'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115852801442184617</id><published>2006-09-17T14:18:00.000-07:00</published><updated>2006-09-25T14:31:41.020-07:00</updated><title type='text'>capítulo XX - Déjà vu</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A brisa que batia do mar de Nubalú era um tanto quanto refrescante. A sensação do vento percorrendo aquela imensidão e sacudindo alegremente os cabelos de Ana fazia com que a mesma risse outra vez. Apesar de toda a situação, estar na Rosa Fustigante depois de ter lutado contra uma criatura metade lagarto e metade cobra de oito metros não lhe dava mais medo e nem lhe causava um mal estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, estava ansiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius ainda estava ao seu lado em cima da cabine olhando para o horizonte. Depois de um breve minuto, voltou-se para ela e abriu um sorriso largo, fazendo o nariz se encontrar com a boca numa expressão de Papai Noel. Agora mais de perto, era possível avistar as estrelinhas presas em seu casaco de capitão. Eram duas estrelas finas de cinco pontas e uma lua minguante prateada. Ambas ficavam tilintando em seu peito quando ocorria algum movimento brusco. Era possível ver um delas quase se soltando da veste. Estava com a costura esgarçada e o broche se dependurava com equilíbrio na lã azul marinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Rosa Fustigante está doente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão agora olhava para a madeira detonada pelo Nubalú anteriormente. Os buracos haviam sido tão violentos que Ana calculou com facilidade se dava pra enxergar ou não a parte interior da embarcação. Uma das cobra inteligentes saltou de dentro do buraco para fora girando freneticamente. Ana se assustou com o salto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius mudou de posição perto do arpão que jazia em uma espécie de pedestal. Chiou um pouco antes de voltar-se para Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe, vai ter de prosseguir sozinha daqui em diante. – as palavras saíam tremidas, provavelmente o sujeito estava triste. Ou não. A relação para com Ana era só de uma menina corajosa que salvara a vida de um velho comandante. – Acho que você tem força o suficiente para lhe dar com os Tritões. – apertou o olho esquerdo por um momento – e sabe, eles não são lá tão espertos. Tritões não oferecem perigo quando sabem que não estão em uma cilada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente da menina voou em direção a água que rebatia agitada. Aquelas ondas de alguma forma ainda davam medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão continuara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você só vai precisar de algumas coisas essenciais. Vem comigo, preciso lhe explicar algumas coisas. O mundo submerso é rasteiro e você é apenas uma menininha que dispara essas coisas brilhantes das mãos.&lt;br /&gt;- Na verdade, eu nem sei como consegui...&lt;br /&gt;- Ah, claro que não. Não vá se preocupar com isso agora. Você tem um amigo a sua espera em algum lugar desse mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana imaginou Justus sendo imobilizado por peixes de cinco metros enquanto ele gritava por socorro. Aí ele se borraria todo e ela chegaria heroicamente salvando-o. E depois o sacanearia por tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho desceu os degraus da escada presa na cabine gemendo. O braço ferido dificultava tudo. O sangue estancava lentamente no corte amordaçado por um pedaço de pano branco. Mesmo que Marvius Tridente estivesse velho, ele sabia se cuidar. Quantos anos esse lobo do mar estava a enfrentar Nubalús? O pior pensamento não demorou muito a chegar no raciocínio de Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E os Nubalús?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho tossiu por um momento. Ajeitou o cachimbo no canto de sempre da boca e cuspiu no mar aproximando-se da borda rachada pelas presas do Nubalú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, isso não é tão interessante agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina franziu o cenho. A habitual expressão de indignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como não?&lt;br /&gt;- Não, não, não. Não precisa temer um próximo encontro com uma criatura daquelas. Se existe outro Nubalú próximo de nós, ele ou está dormindo perto dos rochedos de Diaman ou comendo alguns dourado-lilás nas costas de Itako. – abriu um sorriso, daqueles que mostram como se sabem de tudo e adoram isso – Nessa época, eles se preparam para reprodução em locais quentes, isso dá muito trabalho. Entende? Eles se juntam a outros Nubalús tão grandes como eles e começam uma festa de muitas mordidas e sopapos. Talvez alguns deles nem permaneçam vivos no final. Por isso os Nubalús são poucos e raros em suas próprias terras. – retirou do bolso uma espécie de bússola metálica e sacudiu-a na frente do ouvido – Era uma confusão navegar por aqui.&lt;br /&gt;- Então posso estar certa que ao entrar na água não me tornarei comida de Nubalú?&lt;br /&gt;- Evidentemente.&lt;br /&gt;- Absoluta?&lt;br /&gt;- Bom...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo incomodou Ana a ponto de fazê-la se remexer na borda da Rosa Fustigante. O sujeito continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...não a ponto de você virar refeição. Mas eu nem sei como esse Nubalú veio parar por essas ondas do mar. Esse território dos Tritões mantém as criaturas longe. Ainda não entendo mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho tragou o fumo com força e disparou a fumaça cinza no ar formando um halo. Logo depois o dissipando com o forte vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se Nubalús evitam essa área... por que encontramos um? E tão furioso?&lt;br /&gt;- Pois é, não tenho idéia. E esse estava um tanto quanto perigoso, não acha? Até nossa tripulação fora arrematada. Pobre Dennis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius refez a cara de tristeza melancólica de vários momentos atrás. Ficou um tempo apagado em suas emoções até o vermelho vivo retomar sua face e corar-lhe as bochechas. Alguma coisa havia passado iluminando-o por dentro. Voltou-se para Ana Giovanni de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não está sendo caçada, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca da menina quase tremeu de susto. Suas pernas ficaram bambas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah... er... hm...&lt;br /&gt;- Pelos braços do polvo! Quem está atrás de você?&lt;br /&gt;- Você não iria acreditar. – lembrou que havia dito a mesma coisa para Justus minutos antes de entrar em um esquema sujo envolvendo personalidades bíblicas de seu mundo.&lt;br /&gt;- Conte-me, o que mais há de esconder de Marvius Tridente?&lt;br /&gt;- Olha capitão, estou em sérios problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça do sujeito rodou rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana se sentiu mostrando o boletim para sua mãe após voltar do Salão de Beleza em uma segunda à tarde. O rosto dela se enrugando com força e tornando-se leve, doce e gentil novamente. A mãe de Ana era bondosa demais. Apesar de que às vezes podia jurar que ela havia matado alguém no passado. Aquelas expressões de gente com rabo preso. Ora com raiva, ora com ternura. Como se lembrasse que não podia deixar cair a máscara de boa mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então era tudo da cabeça de Ana, pré-adolescente tem dessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem? – prosseguiu o capitão.&lt;br /&gt;- Imagine um Nubalú inteligente, com duas pernas, dois braços, exatamente como a gente, mas que realmente existe e que ninguém imagina...&lt;br /&gt;- Complicado – Marvius envergou a cara tentando entender.&lt;br /&gt;- Ã, como posso explicar?&lt;br /&gt;- Alguém muito mau?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Alguém como um...&lt;br /&gt;- O diabo.&lt;br /&gt;- Desculpe?&lt;br /&gt;- O demônio...&lt;br /&gt;- Não entendi.&lt;br /&gt;- Lu. Lúcifer.&lt;br /&gt;- Não sei quem é.&lt;br /&gt;- É, eu pensei nisso.&lt;br /&gt;- Mas você disse algo de demônio... eu sei o que é um demônio.&lt;br /&gt;- Sabe??&lt;br /&gt;- Sim. Nubalús são demônios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Ana digeriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em outro mundo. Um mundo não tão diferente do seu quanto aos seres, tirando as criaturas que habitavam o gigantesco mar de Nubalú. Mas ainda sim era um mundo diferente. Por mais que deus e diabo fossem parte da história religiosa da Terra e que todas as pessoas, por mais dementes que fossem, saberiam o que eram, ali as maiores lendas eram os Nubalús ou os Tritões. De certo, criaturas tão excêntricas como essas, que habitassem o fundo do mar poderiam se tornar história nas pessoas como Marvius, que vivam na parte de cima da água, navegando em barcos com nomes engraçados e que até poderiam ser suas eternas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de que ver um Nubalú surgir do mar não seria tão dramático quanto ver o diabo em pessoa andando pela rua e falando francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, deixa pra lá. Não vai fazer tanta diferença.&lt;br /&gt;- Deixe-lhe contar então sobre os Tritões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius foi até a beirada e com destreza passou a puxar um cordão de barbante preso na proa. O barbante então revelou uma garrafa de vidro com água. Ele aproximou a garrafa de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beba. – sua cara era tão lúcida, diferentemente de seu gesto.&lt;br /&gt;- Beber? Isso é água do mar!&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- E é salgado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão abriu um sorriso matreiro. Parecia que estava prestes a contar uma piada muito boa e uma platéia de Nubalús bateriam palmas para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, pode apostar! Experimente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni levou a água à boca e provou com desgosto. A água gelada ao tocar seus lábios revelaram um gosto adocicado. Como de balas de groselha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É doce! O que você pôs?&lt;br /&gt;- Eu? Nada!&lt;br /&gt;- Mas é doce!&lt;br /&gt;- O que você achava que fosse? Aliás, nem sei de onde você tirou isto. Água salgada? Do mar de Nubalú? Jamais! Eu até já ouvi um rumor de um marujo do Pérola Cinza sobre águas de mar salgadas, mas nunca me dera conta. Talvez ele estivesse falando lá de sua terra.&lt;br /&gt;- Impressionante. – Ana experimentou mais um pouco da água. O gosto era realmente doce. – É gostoso. Faz mal beber?&lt;br /&gt;- Não, que nada. As águas de Nubalú fazem muito bem. Alguns Elfos das terras de Itako vivem dela. Isso não faria mal a nós, se fizesse aos elfos, não é? Eles são criaturas muito puras.&lt;br /&gt;- Elfos? – Ana Giovanni imaginou então um monte de livros de Tolkien sendo materializados. Era um livro gigante e dezenas de seres perfeitos saltavam de dentro dando &lt;i&gt;Oi&lt;/i&gt; para ela. Então tudo explodiu quando a voz de Marvius incidiu novamente.&lt;br /&gt;- Não seja tola, menininha. Elfos. Você não sabe o que são elfos? Apesar de belos, são terrivelmente maus. Mantenha-se longe deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius agora era a professora Inu, de Educação Física do Colégio Sagrado Coração lhe chamando atenção e falando algo que a deixava tonta e com cara de idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Leve isto aqui também. – retirou um pequenino objeto de um dos grandes bolsos. Mostrou-o e agora dava pra ver mais claramente. Era uma formiga negra, com alguns traços vermelhos em seu abdômen, devia ter uns cinco centímetros e bem maior que as formigas convencionais. Na frente duas serras afiadas estavam calmas e aparentemente dormindo. Ana hesitou pegá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, pequenina. Pode pegar, ela está desacordada.&lt;br /&gt;- E para que isso vai me servir?&lt;br /&gt;- Bom, formigas adoram açúcar. Se precisar de uma mão, use-a na hora certa.&lt;br /&gt;- Certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana enfiou a mão no bolso da saia e retirou uma pequenina caixa de acrílico. Abriu, retirou o aparelho dentário que repousava lá dentro e jogou-o de lado. &lt;i&gt;Aparelho para os dentes será a única coisa que não vou precisar agora.&lt;/i&gt;, pensou. Enfiou a formiga na caixinha e trancou-a. Voltou a enfiar o recipiente no bolso da saia do Colégio Sagrado Coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo.&lt;br /&gt;- Tome mais isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão estendera um pequenino pedaço de goma. Era rosa e isso fez lhe lembrar de uma espécie de chiclete famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mordisque isso quando a hora se aproximar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A hora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo momento Marvius indicava uma espécie de hora para que iria chegar e Ana Giovanni deveria aproveitá-la. Se precisasse fazer um Elefante caber dentro de um Fusca na hora certa, não teria jeito, era “A hora”. &lt;i&gt;Aproveite a hora, Ana.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por último, não menos importante, isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni viu uma bolsa de pano azul sair de dentro de uma das caixas de madeira de Dennis. A bolsa sacudia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius fez um movimento brusco e enfiou a grande mão peluda dentro. E puxou. Uma cobra inteligente saiu da bolsa agarrando-se ao antebraço do capitão. A cobra começou a girar prendendo-se com vontade. Era uma cobra azul, com lindos riscos prateados em seu corpo viscoso. A serpente não possuía olhos. E isso chamou a atenção de Ana na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se Madalena. Acalme-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito parecia estar lidando com um gato doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tome Ana. – jogou a bolsa azul para a menina. – Vista-a, vai precisar nessa missão. Ela guarda mais coisas que você pode achar! – passou a empurrá-la para a extremidade da Rosa Fustigante – Pronto, vai!&lt;br /&gt;- Vai?&lt;br /&gt;- É! Pule!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni sentiu estar na prancha de um barco pirata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim? Agora?&lt;br /&gt;- É, menina! Ande!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina olhou para água. O mar estava confuso e revolto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertou o nariz quando Madalena, a serpente, passou a girar pelo braço do capitão e rodar pelo pescoço. O sujeito estava sem ar. Ele tropeçou em um pedaço da madeira da Rosa Fustigante pelo movimento do animal. Forçou-se a não cair, mas fizera-o antes de tentar. O braço tentando se equilibrar em um dos caixotes, empurrou Ana Giovanni para fora do barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina despencou no mar revolto de Nubalú. Afundou por uns segundos e voltou a superfície. Avistou o barco se distanciar alguns centímetros de si. Desejou xingar muito o sujeito, mas ele estava comprometido e atrapalhado demais com a cobra-inteligente enroscada em seu pescoço. Nesse momento ela tapava seus olhos com parte do rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, segure-a!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão Marvius Tridente forçou o animal até ele se desprender por completo. Então por um momento a serpente endireitou-se e ficou estática. Como um pedaço de galho reto. O sujeito então imediatamente jogou em direção a Ana na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Segure!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana pegou-a pelo rabo. A cobra estava imóvel ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Use-a para descer até o Reino dos Tritões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco se distanciava. A voz do capitão ficava cada vez mais impossível de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...gire ...inteligente ...água...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni viu a Rosa Fustigante sumir aos poucos no horizonte. O sol já estava na metade do céu quando o barco desapareceu por completo. Encharcada, analisava suas possibilidades dentro do mar de Nubalú. Sozinha. Novamente. Alguma coisa passava por sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Déjà vu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115852801442184617?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115852801442184617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115852801442184617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115852801442184617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115852801442184617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/09/captulo-xx-dj-vu.html' title='capítulo XX - Déjà vu'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115826291419189671</id><published>2006-09-14T12:32:00.000-07:00</published><updated>2006-09-14T13:10:57.750-07:00</updated><title type='text'>capítulo XIX - Retomando</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;Ana Giovanni sentiu o formigar percorrendo seus braços ainda. A tensão pulsava em suas têmporas na medida que o mar de Nubalú se acalmava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De dentro da cabine da Rosa Fustigante o capitão Marvius Tridente pressionando um dos membros ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina! Menininha! – sua atenção voltou-se para a jovem ainda deturpada pelo choque – Eu sei que não é fácil enfrentar um bicho desses, mas minhas nossa, você foi formidável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ergue-se com a ajuda do homem e espremeu a saia do uniforme do Colégio Sagrado Coração com dificuldade, seu pulso direito doía um tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui eu... Fui eu que fiz aquilo? – seus olhos ardiam – Pareceu cena de filme. Você sabe, toda aquela luz, o estrondo...&lt;br /&gt;- Pareceu o que do que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão Marvius havia ajeitado o cachimbo no canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cena de filme! – Ana ainda não compreendia onde queria chegar – Quando algo irreal. Quando fadas voam entre as flores ou a Barbie diz que não existe celulite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olho esquerdo de Marvius Tridente comprimiu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Garotinho, quem é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um medo silencioso percorreu sua espinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni, prazer! – estendeu uma das mãos esperando a reação do capitão a sua frente. O sujeito fitou-a com interrogação e voltou a olhar sua mão.&lt;br /&gt;- O que fazes?&lt;br /&gt;- É um cumprimento! Da onde eu vim, cumprimentamos novos amigos dessa forma. Vamos, apresse-se, levante seu braço oposto ao meu – o braço ferido pelo Nubalú era o mesmo e, Ana adiantou-se a inverter os membros – Agora aperte minha mão e balance assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão Marvius riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que jeito engraçado de vocês se saudarem. Aqui nas Terras de Nubalú costumamos a caçar Mariscos Gigantes. O único problema é quando eles insistem em arremessar suas farpas venenosas. Aí minha pequenina, não há Tentalicius, nem Nubalús que suportem seu ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Credo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana sentiu o mesmo quando Marvius terminou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos percorreram a embarcação. A madeira do lado dianteiro havia rachado com a pressão com que o feroz animal havia investido. O barco era forte, do porte de uma Traineira comum ou um barco de vela de porte médio, não tão grande, nem tão pequeno. Ana não vira velas ou algum outro tipo de motor. Sabia que existia alguma fornalha queimando por causa da chaminé que saltava de dentro da cabine, pelo lado esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As redes, provavelmente de pesca, últimas que sobraram ainda rasgadas, jaziam derrubadas inteiramente sobre os diversos caixotes de madeira. Uma placa alertava na frente, &lt;i&gt;Frágil&lt;/i&gt;. Talvez fossem as “cobras inteligentes” do Marujo Dennis Pé de Mesa. As serpentes haviam salvado a vida de Ana Giovanni diversas vezes desde que pisara na Rosa Fustigante, fazendo com que a mesma aos poucos mudasse de idéia quanto a sua periculosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi impossível não lembrar do que havia acontecido com o marinheiro. Os restos da criatura marinha que o engolira descansava debaixo do sol ardente sobre a parte traseira da cabine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pobre Dennis, era um tanto quanto maníaco por Nubalús, mas prestativo e atencioso quanto aos serviços da Rosa. Seu galope atropelado na madeira forte deste barco vai fazer falta. Acho que deveríamos fazer uma homenagem ao pobre manco. Sabe, o sujeito não tinha família...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pôs uma perna na borda e levou a mão ao peito. Então começou a cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Da Rosa Fustigante seu galope&lt;br /&gt;eu ouvia a todo momento&lt;br /&gt;belo dia um Nubalú veio&lt;br /&gt;e acabou comendo-o."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão voltou ao centro e os dois se aproximaram do cadáver partido em dois. A boca do Nubalú ainda mostrava suas afiadas presas arreganhadas. Deviam ter uns quinze centímetros cada, calculou Ana. Uma fileira se estendia do canino superior até os restantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um e outro, avistaram uma perna de pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelas barbas de um camarão azul! É uma das pernas de Dennis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana mirou o capitão dar um chute violento no Nubalú morto. O impacto fez com que o pedaço da direita do animal escorregasse pela madeira em direção a água. O pedaço então puxou o esquerdo até que o corpo afundasse no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! – gritou Ana.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Eu precisava de um dente do Nubalú!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão franziu o cenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um dente do Nubalú? Mas por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana agarrou o pingente com as duas mãos. Estava quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para recuperar o poder do meu pingente. Somente com ele posso abrir portais entre os Mundos e voltar para casa!&lt;br /&gt;- Um pedaço dos dentes de Nubalú? Que raio mandou você atrás disso? E sozinha ainda por cima!&lt;br /&gt;- Não, eu vim com meu amigo, o Justus. Mas nós brigamos logo quando chegamos, estava chovendo muito, estávamos cansados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius sentiu a tristeza tomar conta da menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então ele se afogou, certo?&lt;br /&gt;- Sim, como sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão soltou uma gargalhada aliviada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu amigo não se afogou não.&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Mas então...&lt;br /&gt;- Ele foi raptado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni espantou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raptado? Por quem?&lt;br /&gt;- Por um Tritão, provavelmente.&lt;br /&gt;- Um Tritão!&lt;br /&gt;- Sim, um Tritão!&lt;br /&gt;- Eles são maus? – a menina torceu mais uma vez o lado oposto da saia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius e Ana decidiram se sentar em um dos caixotes para a conversa. Antes de se colocarem, revistaram-no para evitar qualquer tipo de surpresa com “cobras inteligentes” do Marujo Dennis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depende. Se você puser um pouco de sal em sua nadadeira com certeza ele não vai ficar muito alegre.&lt;br /&gt;- Eles são suscetíveis a sal?&lt;br /&gt;- Demais!&lt;br /&gt;- E como arranjo sal?&lt;br /&gt;- Você não acha que vai ao encontro deles carregando sal, não é?&lt;br /&gt;- Ora, e por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius se levantou novamente, agora pediu a ajuda de Ana Giovanni. Os dois caminharam pela Rosa até o arpão situado em cima da cabine de comando. A vista era majestosa.  Dava-se pra ver o horizonte se perdendo na água do Oceano de Nubalú. O mar estava calmo, o sol ainda rachava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana olhou em volta. Apenas água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vejo nada.&lt;br /&gt;- Claro! Você está olhando para a direção errada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius retirou uma bolsa de couro verde de um dos bolsos da jaqueta de capitão que carregava. Depositou na mão de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai precisar para carregar algumas coisas.&lt;br /&gt;- Você quer dizer...&lt;br /&gt;- Sim! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O povado do mar...&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...aonde mais você acharia que eles moram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni então voltou sua atenção para o mar a sua volta. Um grande oceano que não dava a verdadeira dimensão do tamanho à sua imaginação se estendia varrendo a terra. Debaixo daquelas fortes ondas onde o vento vindo do Leste agitava com vontade, debaixo das águas cristalinas tocadas pelo calor do Sol acima de tudo, havia um grande Reino perdido. Submerso. Se Ana estava sozinha ou não, sentiu o que deveria fazer de verdade. Sua missão naquele momento era salvar Justus. Fosse, aonde fosse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o inferno, se preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela mal sabia do que aconteceria horas depois.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115826291419189671?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115826291419189671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115826291419189671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115826291419189671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115826291419189671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/09/captulo-xix-retomando.html' title='capítulo XIX - Retomando'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115767301975082571</id><published>2006-09-07T16:44:00.000-07:00</published><updated>2006-09-07T17:23:27.286-07:00</updated><title type='text'>capítulo XVIII - O ataque do Nubalú gigante</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;&lt;i&gt;“A casinha da vovó&lt;br /&gt;cercadinha de cipó&lt;br /&gt;o café ta demorando&lt;br /&gt;com certeza não tem pó!”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Shuó. Shuó.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana abriu os olhos com dificuldade. Nesse exato momento o pingente terminara de brilhar tão intensamente e já ameaçava apagar rapidamente. O amuleto antes totalmente iluminado voltara a ser uma pedra opaca e rachada preso em um cordão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina sentiu-se boiando. Quando acordou totalmente, tentou não entrar em pânico e perder o ritmo da flutuação. Ergueu a cabeça procurando ver se estava tudo bem consigo mesma. Braços? Confirma. Pernas? Confirma. Apesar de tudo estar bem, seus dedos já estavam totalmente enrugados e pálidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua atenção voltou-se para o lugar. Estava a deriva em um oceano incrivelmente cristalino. Um sol reinava a pico bem em cima de sua cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Justus&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prendeu a respiração antes que soltasse um gemido de angústia. Moveu-se e em vez de ficar deitada, passou a mexer as pernas. Começou a nadar sem rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni deu três braçadas e parou. O cansaço era gigantesco. Seu corpo parecia estar destruído após a seqüência do portal. Se fosse feita de vidro já seria um grande montante de cacos. Moídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;PUÓÓÓÓÓÓMMMMMMMMMMMMM&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma chaminé comia o prateado carvão na fornalha dentro da gigante embarcação que se aproximava. Um buraco de aço extremamente lustroso engolia os minérios a cada movimento do capitão Marvius Tridente. Seu olho esquerdo saltado pelas pálpebras mirou Anna jogada ao mar que tentava ao mesmo chamar-lhe a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dennis Pé de Mesa correu pelo barco até o capitão Marvius.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Toc. Toc. Toc. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho era reconhecível. Como se alguém tivesse batendo em uma porta. Ou então, como se alguém possuísse pernas de pau no lugar das pernas humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Homem ao maaaar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitão Marvius gritou para que Dennis fizesse algo. O mesmo articulou confirmando e desatou a correr pelo barco em busca de algo. Enquanto manejava o leve da Rosa Fustigante, o capitão puxava lentamente a fumaça do cachimbo em sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é homem, senhor! É uma menina!&lt;br /&gt;- Uma menina?!&lt;br /&gt;- Sim, capitão! Uma menina!&lt;br /&gt;- Mas pelos Tritões Sanguinários, o que uma menina está fazendo jogada ao mar?&lt;br /&gt;- Não sei, senhor! Quer que eu pergunte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto de Marvius comprimiu-se antes de gritar novamente de dentro da cabine para o marinheiro na proa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, sua anta lunar! É para resgatá-la!&lt;br /&gt;- Ok, senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dennis Pé de Mesa atribulou-se a voar até a extremidade da Rosa Fustigante, abriu um caixote de madeira ao lado e retirou uma serpente vermelha. A cobra ameaçou o rapaz antes dele girá-la pelo rabo e jogar em direção de Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina antes de começar a nadar na direção oposta com toda a sua força, sentiu a cobra despencar na água. &lt;i&gt;Splash.&lt;/i&gt; O medo tomou conta de si. Suas pernas batiam com vontade para longe da embarcação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que diabos ela está fazendo? – Marvius indagou ao avistar a cena – O que você fez de errado, Dennis?&lt;br /&gt;- Nada, senhor! A menina parece que não quer ser resgatada!&lt;br /&gt;- Você utilizou as técnicas corretas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dennis Pé de Mesa desanuviou a expressão em dúvida. Logo após retomou a cara em afirmação de alguém que não tinha dúvida alguma do que havia feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiz tudo correto, senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cobra já estava se aproximando de Ana Giovanni. Em três segundos prendeu-se ao pé da menina. Enroscou-se pela perna até atingir seu tórax. A cobra possuía uns seis metros e isso já dava um tamanho mórbido ao animal. A serpente então endureceu como pedra. A rigidez atingida passou a incomodar Ana Giovanni que gritava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Socorro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal então soltou o rabo do enrolado e começou a se esticar em direção a Rosa Fustigante. O marinheiro que esperava ansiosamente pegou o rabo e prendeu-o em uma manivela. Após dar um nó, começou a girar a pele do animal no metal. A cobra aos poucos foi removendo Ana da água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hei, não queria ser salva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana subiu no barco sem entender muito. A cobra soltou-se da menina e entrou novamente na caixa de madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, você deve ter uns 12 anos.&lt;br /&gt;- Treze.&lt;br /&gt;- Nossa, o que uma criança como você faz por aqui?&lt;br /&gt;- Estou perdida... – lembrou-se que não podia contar muito do que havia acontecido. Não podia envolver mais ninguém na história entre Deus e o Diabo – Meu amigo e eu nos perdemos em um lago. E de repente ele se transformou em um mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito correu até a borda e procurou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu amigo? Ele está no mar também?&lt;br /&gt;- Eu acho que...&lt;br /&gt;- Ele foi comido por um Tritão? – a expressão de Dennis era de uma estranha alegria.&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;- Ah, que pena! Eu faria de tudo para encontrar um novamente. Sabe, ele me retirou duas coisas que eu mais gostava. – levou a mão à perna direita e bateu contra a prótese de madeira três vezes – Viu? Isso que dá trabalhar no mar de Nubalú.&lt;br /&gt;- Você disse... – a menina parecia inquieta – Nubalú?&lt;br /&gt;- Sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni recordou da missão que Artos, o grão ferreiro da Cidade da Luz, enviara ela, Justus e Sumiris para reconstruir o poder do pingente e poderem finalmente regressar para casa na Terra. Nubalú seria as terras do povoado do mar, um Mundo paralelo aos incontáveis existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você pode me dizer como chego em Nubalú?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão Marvius Tridente abriu a porta da cabine de comando da Rosa Fustigante e andou em direção aos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem quer chegar em Nubalú? – puxou com força o cachimbo e soltou-o pelo canto da boca.&lt;br /&gt;- Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni sentiu o peso do ar lhe tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é louca ou o quê?&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Você conhece por acaso o povoado do Mar?&lt;br /&gt;- Não, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles te comeriam assada no espeto de seus ferrões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase de Marvius fez gelar a espinha de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espetos? – a menina estava desconcertada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marujo ao lado do capitão deu uma risadinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina, o povoado do mar de Nubalú não é nada amigável com estranhos.&lt;br /&gt;- Sim, com estranhos! – continuou Dennis quase imitando o capitão ao seu lado.&lt;br /&gt;- Se há algo que eles gostam de receber em seus domínios é carne fresca, cheirando a sangue e com essas fitinhas rosas nos cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana não estava de fitinhas rosas no cabelo, mas captou a ironia com precisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, essas fitinhas! – o marinheiro mais uma vez completou.&lt;br /&gt;- São criaturas horrendas, feitas de escamas duras, com grossos corpos de peixe, são do tamanho de Quimeras, mas não tão pequenas como anões da montanha...&lt;br /&gt;- Da montanha!&lt;br /&gt;-...seus olhos queimam como fogo e de suas bocas saltam poderosas presas. Gigantescas presas!&lt;br /&gt;- Gigantescas presas!&lt;br /&gt;- Seus rabos possuem nadadeiras alongadas e afiadas, prontas para cortar a cabeça de qualquer ser estúpido!&lt;br /&gt;- Estúpido!&lt;br /&gt;- E o barulho que um Nubalú faz é tão assustador quanto qualquer som que você já ouvira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Ana Giovanni, Dennis Pé de Mesa e o capitão Marvius Tridente escutaram o que talvez fosse tão assustador quanto dissera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Roaaaaaaaaaaar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mistura de um rosnado e um grito animalesco percorreu o vento que batia na Rosa Fustigante balançando-a freneticamente no revolto mar. O barco tremeu para a esquerda, antes que o capitão imobilizado voltasse a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo amor das carpas de saturno! – e correu em direção a cabine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni ouviu mais uma vez o terrível grito soar de algum lugar do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez parecia mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou em direção ao marinheiro estático ainda com a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dennis Pé de Mesa não se movia. O rosto pálido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor? – Ana tentou chamar-lhe a atenção – Moço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão apareceu pelo basculante da cabine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina, saia daí!&lt;br /&gt;- Mas por que?&lt;br /&gt;- Porque ele está vindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de seu rosto virar-se, uma onda começou a se formar no horizonte. A menina tapou o sol para enxergar melhor. A massa de água vinha na direção da Rosa Fustigante com tamanha pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tsunami!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito na cabine interpelou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Um tsunami! Uma onda grande!&lt;br /&gt;- Não! É um Nubalú mesmo!&lt;br /&gt;- Um o que? – Ana fez a mesma expressão de susto quando fora acusada de acima do peso por Justus algumas horas atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A onda estava agora maior. Deveria ter o tamanho de um prédio de cinco andares. Ana pressentiu rapidamente o pior pelo rosto de Marvius. Quando atingisse o barco, tudo seria destruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que vamos fazer?! – gritou em direção ao atarefado capitão. Este começou a rodar a manivela antes de puxar com vigor a chaminé. A Rosa Fustigante gritou. A tripulação sentiu os motores trabalharem com precisão.&lt;br /&gt;- Vamos, pegue o leme dianteiro!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ana assentiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo! E agora?&lt;br /&gt;- Agora gire para boroeste!&lt;br /&gt;- Para o quê?&lt;br /&gt;- Ah! Apenas gire!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina passou a rodar o controle náutico com velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Iaaaaaaa-rrú!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marvius parecia entusiasmado na cabine de controle da embarcação. Seu cachimbo pendurado no canto da boca barbada queimava intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A onda se aproximou do barco. Antes de se chocar, as ondas da frente ameaçaram derrubá-lo, mas os motores girando para o sentido contrário fizeram-na escapar do choque. O acumulado de água cortou o caminho da Rosa Fustigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escapamos! – gritou Ana da proa.&lt;br /&gt;- Sim! Menina forte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o barco terminasse de girar, um outro grito ouviu-se no mar. A gigantesca onda rompeu no horizonte antes de sumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prepara-se, menininha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana olhou com dúvida para o capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me preparar? Mas o qu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um redemoinho formou-se na frente da Rosa Fustigante. O barco passou a girar na correnteza. Nesse exato momento, do meio do círculo d’água uma criatura submergiu. O Nubalú de oito metros de comprimento surgiu na frente do barco gritando. Em seu pescoço alongado, como um animal metade lagarto e metade peixe avistou a menina e o marinheiro como alvo próximo em cima da proa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marinheiro não se mexeu quando o Nubalú desceu vorazmente em sua direção. Abriu a boca arreganhando os afiados dentes até engoli-lo por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana correu na direção oposta ao bote do gigantesco animal. Um pedaço de madeira da Rosa Fustigante se soltou na mordida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina, pegue o arpão! Mire o arpão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni nem conseguiu prestar atenção quando o Nubalú desceu mais uma vez em investida, agora em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aonde?&lt;br /&gt;- Em cima da cabine de comando! – bravejou pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal ergueu a cabeça mastigando uma rede de pesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de Ana correr em direção a escada que dava acesso ao arpão, teve uma idéia. Olhou em direção ao Nubalú que a fitava em seus olhos vermelho vivo. Antes do bicho se preparar para atacar outra vez, a menina correu em direção ao caixote de outrora. O animal voou em sua direção logo após ela abrir a caixa. Quando o Nubalú chegou na proa da Rosa Fustigante um montante de serpentes dispararam em sua direção. Uma cobra vermelha rodeou sua boca, outras dez fizeram o mesmo. A mandíbula do animal se fechou com a pressão ocasionada pelas serpentes. Como uma corda, a boca permaneceu presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão Marvius Tridente sentiu uma pontada de felicidade. A menina de treze anos abandonada na água havia dado um jeito de imobilizar o maior animal das terras do povoado do mar. O Nubalú não era só uma lenda, era um ser incrivelmente vivo na sua frente, derrotado por uma garotinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Capitão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni gritou. O Nubalú havia erguido seu rabo em forma de foice antes de ir contra a cabine do barco. O rabo quebrou o vidro e atingiu o capitão Marvius Tridente no braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Argh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal se debatia na água balançando a Rosa Fustigante com o peso de seu corpo. Ana tombou quando o barco tremeu para o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ferrão saiu da cabine e entrou novamente em direção ao peito do capitão. Ana levantou-se com força do chão do barco que virava lentamente em direção a água. Escorregou. Tentou de novo. O barco ameaçava tombar. Mais uma vez tomou força. Não podia desistir. Não dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse momento que sentiu um calor percorrer seu corpo e atingir suas mãos. Uma descarga elétrica surgiu no ar a sua volta percorrendo seu uniforme do Colégio Sagrado Coração. A eletricidade tentava de alguma forma encontrar seus punhos fechados sem machucar-lhe. Fazia cócegas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O Nubalú era grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ele não é grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso, eu devo acabar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos de Ana Giovanni começaram a brilhar intensamente como uma forte lanterna, até sua íris sumir inteiramente na luz. Suas mãos formigavam. Seu peito batia acelerado. Uma forte ventania passou pelo mar quando Ana sentiu o que deveria fazer como instinto. Levantou seus braços na direção do Nubalú gigante esperando a coisa certa. Uma incrível descarga de energia passou a se concentrar em suas mãos indo pelo ar de encontro ao peixe. A energia partiu num estrondo de seus dedos na direção do animal, a rajada atravessou sua garganta cortando. Um lado do peixe despencou despedaçando-se para a direita, o outro tombou na parte traseira da Rosa Fustigante. O barco rangeu novamente em equilíbrio em meio as ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana tombou no chão de joelhos respirando com dificuldade. Seu pingente parou de brilhar despercebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão Marvius Tridente de dentro da cabine, com um dos braços sangrando, olhava atônito para a menininha tentando entender.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115767301975082571?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115767301975082571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115767301975082571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115767301975082571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115767301975082571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/09/captulo-xviii-o-ataque-do-nubal.html' title='capítulo XVIII - O ataque do Nubalú gigante'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115759058920404760</id><published>2006-09-06T17:55:00.000-07:00</published><updated>2006-09-07T17:07:27.786-07:00</updated><title type='text'>capítulo XVII - Terra à vista?</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;A pele de Ana Giovanni começou a queimar. Era uma sensação parecida com o atravessar de portais em seu Mundo feitos naquele dia, mas alí, de um mundo ao outro, o efeito era outro. Quase e praticamente diferente do que já sentira em qualquer situação de sua vida. Quando seu corpo atravessou totalmente o buraco seus cabelos se elevaram estáticos e como se não houvesse gravidade, seus pés se soltaram do chão. Uma névoa azulada surgiu rapidamente encobrindo seu corpo, de Justus e a estranha menina loira, Sumiris Arty. A névoa tinha um cheiro adocicado, parecido com o gosto de balas de morango e inigualavelmente com os engraçados geradores de fumaça que existiam nas festinhas que ia quando tudo era normal em sua vida. As festinhas dos primos Giovanni sempre era um tanto extravagante. O dinheiro da família mostrava isso. A quantidade exorbitante de gastos nunca era demais quando o assunto era promover coquetéis fúteis e reuniões de amigo-secreto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época também não existiam portais entre estranhos mundos e a teoria da existência de Deus e Demônio se tornava apenas uma lenda religiosa perpetuada apenas por raros e sobreviventes católicos. Os jovens já não seguiam as historias bíblicas com tanto fervor como seus pais e avós. Aos poucos, a história da presença de um bem e um mau sobrenatural se extinguia. Tudo era muito duvidoso. Até que uma engraçada carta escrita entre Deus e o tal Diabo foi parar em suas mãos. Ana Giovanni acabou sabendo de algo perigoso, de um segredo maior que tudo que havia na Terra. O segredo de um pacto entre o céu e o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pensamentos voavam com muita velocidade entre uma informação e outra quando sentiu seus pés tocando algo. Os sapatos pretos do uniforme do Colégio Sagrado Coração encharcaram-se. Ana sentiu água entrar por seus calçados e atingir suas meias. Cada vez que sentia que podia andar por uma espécie de piso, a água subia por suas pernas até atingir o joelho. A fumaça começou a se extirpar quando os olhos de Ana Giovanni encontraram os de Justus a sua frente procurando-a. Os óculos do menino estavam molhados, pingando junto de suas roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma poderosa chuva caía sobre suas cabeças.  Os dois olharam em volta quando a névoa se dissipou totalmente revelando um grande lago. Ana tentou ver mais além, mais o horizonte se perdia entre uma névoa azulada. O lago era um grande cenário aberto circulado, envolto totalmente pela neblina. O céu extremamente pesado caía sobre os dois quando eles entraram em desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana! Precisamos sair daqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olharam em volta uma vez. Outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê a Sumiris?&lt;br /&gt;- Eu não sei!&lt;br /&gt;- Ela veio conosco, não veio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto correu até a menina. O pingente dela brilhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho certeza!&lt;br /&gt;- Pra onde vamos?&lt;br /&gt;- Vamos tentar seguir pela neblina até chegar em terra firme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gotas caíam cada vez mais pelo local, o barulho da água sendo acertada produzia um grande efeito sonoro. Era tão alto que os dois mal podiam se ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para onde? – exclamou Justus tentando compreender.&lt;br /&gt;- Para... – o barulho era alto demais - Neblina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz acenou com a cabeça recebendo uma afirmação de Ana. Os dois decidiram caminhar por dentro do lago até uma extremidade.  Os passos se tornavam difíceis não só pela chuva, mas pelas roupas totalmente ensopadas. Os dois puderam constatar que caminhar dentro da água com sapatos era um tanto quanto difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não consigo andar! Meus pés estão pesados!&lt;br /&gt;- Calma Justus, precisamos sair daqui rapidamente! Ou vamos pegar uma tremenda gripe e não conseguiremos impedir a venda da Terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino parou e voltou-se para Ana Giovanni com um olhar indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- É isso mesmo! Não podemos deixar que Deus venda a Terra!&lt;br /&gt;- Pera aí, você deve estar louca! Isso! Louca! Bateu a cabeça quando desceu por aquele... aquela... aquela coisa!&lt;br /&gt;- É um portal, Justus! Não comece!&lt;br /&gt;- O que nós temos com os assuntos divinos? Não é da nossa conta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar superior de Justus começou a irritá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai arregar? Vai voltar pra sua casa depois de tudo? Eu tinha que adivinhar mesmo. Você é um frangote!&lt;br /&gt;- Olhe aí senhora-sabe-tudo como você me chama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva aumentava cada vez mais que Justus e Ana discutiam. A água do lago subia vagarosamente com o poder da tempestade. Relâmpagos passaram a sacudir as nuvens quando um raio cortou bem perto dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é uma menina mimada!&lt;br /&gt;- E você é um cabeça-de-ferro idiota!&lt;br /&gt;- Cabeça-de-ferro? – soltou uma gargalhada debochada – se eu não te desse cola no Sagrado Coração dos últimos cinco anos você ainda estaria no Maternal! Estúpida!&lt;br /&gt;- Ignorante!&lt;br /&gt;- Saco de batata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni arregalou os olhos e abriu a boca em espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sou gorda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina voou na direção de Justus derrubando-o na água. O garoto se debatia enquanto Ana prendia suas pernas no peito do menino imobilizando-o. Mais uma vez as aulas de capoeira e os intermináveis treinos de um dia serviram para mais uma coisa. Derrotar a superioridade de Justus. Os óculos do rapaz voaram para o lado com a queda e passaram desapercebidos a afundar no lago lentamente. Os dois se debatiam quando a água passou a subir pela cabeça do menino. Por uns instantes, ainda tomada de fúria, Ana sem dar conta viu Justus sumir na escura água. Sua ira ainda era muito grande quando sua consciência se desprendeu da atribulada cena. Seus olhos voaram dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a escola do Colégio Sagrado Coração nos intensos anos noventa. Um forte sol brilhava fortemente pelas janelas da sala de aula da terceira série. A professora calmamente andava para lá e para cá segurando sua régua de 50 centímetros e portando seu avental lilás.  Ana Giovanni estava na aula de português. Em sua carteira, vinte e quatro lápis de cor repousavam. Enfileirados por ordem de tamanho. À sua frente, uma professora de cabelos longos repetia o verbo no pretérito perfeito. Ana Giovanni se concentrou. As palavras eram repetidas em sua mente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Eu corri, tu correste, ele correu...&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focalizou o lápis metálico azul. O amarelo tremeu. Seus olhos diminuíram e o vermelho caiu da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos comigo, classe, eu parti, tu partiste, ele partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni fechou os olhos. O cinza tremeu, mas foi o roxo que ficou em pé. Pairou em frente a seus olhos por dois milésimos, então ela abriu os olhos e ele voou em direção a menina de sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, garota!&lt;br /&gt;- Me empresta sua borracha, Maria Clara?&lt;br /&gt;- Não precisa me machucar com o lápis, Ana. É só pedir. – e virou o rosto naquela expressão detestável que tinha desde que era gente. Aquela cara em volta de um tom ríspido. Quase uma serpente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana enfileirou novamente doze lápis. Precisava de mais concentração. Precisava de vozes em uníssono dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora o pretérito mais que perfeito! Eu encontrara, tu encontraras, ele encontrara. – a professora articulava algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana mudou a tática e piscou várias vezes. Um, dois, três lápis tremeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vós encontrareis, eles encontraram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Bum&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fenda abriu-se. &lt;i&gt;Eles encontraram!&lt;/i&gt;, dito pela professora pairou no ar. Maria Clara mexendo no cabelo que ficou em suspenso por um longo segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, Ana Giovanni se encolheu, de susto. Mas depois viu que o lápis branco dançava a sua frente e bem no meio da sala, uma fenda de energia. Um engraçado barulho de caixa de supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lápis intensificaram seus movimentos e agora faziam X e Y perante a fenda. Ana colocou seu dedo, as moléculas de seu corpo vibraram. Mesmo assim, por ser um ser humano nato da espécie, avançou. A voz de seu tio penetrou em sua lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A curiosidade enganou o gato e mandou uma gargalhada para os humanos&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Seus cabelos foram os primeiros a serem puxados pela força magnética da fenda. Logo em seguida suas mãos e em dois milésimos, seu corpo sumira do espaço da sala enquanto uma luz intensa rasgava o aposento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente de Ana voltou para o lago quando a água já começava a atingir seu nariz. Levantou-se assustada e a água já estava em sua cintura. Olhou em volta procurando por Justus e seus olhos não o encontravam-no. O menino estava submerso. Lembrou-se da briga logo antes, logo quando começou a chover. &lt;i&gt;Uma briga boba, inútil. O que fui fazer?&lt;/i&gt; Um sentimento novo, de raiva, lhe havia tomado o corpo e mesmo que Justus Valentino fosse seu melhor amigo, algo lhe incitava a machucá-lo. A derrubá-lo. A afog...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina rapidamente tateou o chão do lago procurando enquanto a água da chuva misturava-se ao seu choro, mas suas mãos não alcançavam o fundo antes que o líquido adentrasse por suas vias aéreas. Tomou ar, afundou e nada. Tentou mais umas dez vezes antes de começar a flutuar. A água já havia subido três vezes mais e Ana Giovanni não notara. A chuva torrencial dificultava tudo. Não era possível ver. Não era possível ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E se ele puder me ouvir?&lt;/i&gt;, refletiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus! – gritou – Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas o barulho da chuva chocando-se com o lago chegava aos ouvidos de Ana Giovanni. A menina cansada desistiu de nadar até que seus pés pararam por quase vontade própria. Seus braços formigavam e interromperam sua flutuação. Sentiu afundar no lago. O barulho da chuva parecia cada vez mais longe quando a menina fechou os olhos e dormiu no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo de Ana afundava enquanto sua mente se desprendia mais uma vez com tamanha intensidade. Por um momento lembrou-se de Justus. E lembrou-se de sua mãe também. Isso lhe causou medo. Estava amedrontada, mas surpreendentemente diferente das aulas de Educação Física do Sagrado Coração, estar alí não era tão aterrorizador do que chutar a bola de futebol ou enfrentar a chamada da Professora Inuma Albanez. &lt;i&gt;Inumana&lt;/i&gt;, brincou quando ouviu pela primeira vez seu nome. A figura não era nada amigável. Talvez fosse um demônio disfarçado, já que isso era possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pingente que brilhava desde que Ana pisara no lago junto de Justus começou a focalizar uma luz mais forte. Uma aura passou a correr pelo corpo da menina e envolvê-la. Uma espécie de casulo brilhante desmembrava-se por Ana Giovanni. Sem sentir nada, e adormecida, a luz brilhou mais forte até chegar ao ponto de clarear todo o lago. Um feixe de luz saltou do pingente em direção a superfície. A água começou a separar-se onde Ana Giovanni estava. Um redemoinho começou a serpentear a menina criando um espaço arredondado. A água abriu-se girando em círculo enquanto Ana Giovanni pairava flutuando. Seu corpo levitou até a superfície. A água rapidamente engoliu o espaço quando a menina ainda desacordada passou a flutuar novamente no lago. O feixe de luz atingira agora o céu fazendo um rasgo nas nuvens.  A chuva cessou aos poucos, até ser interrompida totalmente. Um céu azul abriu-se sobre o lago clareando todo o cenário. A neblina havia sumido. O que Justus e Ana haviam imaginado antes ser um lago, agora era um gigantesco e plácido oceano.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115759058920404760?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115759058920404760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115759058920404760' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115759058920404760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115759058920404760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/09/captulo-xvii-terra-vista.html' title='capítulo XVII - Terra à vista?'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115715228603134710</id><published>2006-09-01T16:05:00.000-07:00</published><updated>2006-09-02T12:33:06.316-07:00</updated><title type='text'>capítulo XVI - Teoria dos jogos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Descer sempre foi mais fácil do que subir, mas no caso da grande torre do mestre Artos era diferente. A cada passo dado, o chão tornava-se mais longe. Ana Giovanni estava na frente de Artos e os dois estavam separados por 5 passos, já que Justus tinha medo de altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece que todo mundo conhece meu pai, Justus. Menos eu.&lt;br /&gt;- Igual a mim, Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio constrangedor pairou no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana?&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Você acredita em almas?&lt;br /&gt;- Você acha que...&lt;br /&gt;- Será que meu pai foi uma boa pessoa mesmo?&lt;br /&gt;- Sim, Justus. Ele foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois chegaram ao chão no mesmo instante, já que Justus venceu o medo e pulou 10 degraus direto para o chão. Na direção dos dois, correndo, vinha Sumiris Arty. A menina loira chegou esbaforida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué? Você disse que só tinha um caminho! – bravejou Justus.&lt;br /&gt;- Qual é, garoto? Você acha mesmo que não inventaram um elevador aqui?&lt;br /&gt;- Sumiris, você não deveria estar com o mestre Artos? – perguntou Ana.&lt;br /&gt;- Ele me pediu para ir com vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus gargalhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não podemos, Sumiris. Eu nem sei como consegui trazer o Justus para cá, como vou teletransportar 3 pessoas?&lt;br /&gt;- Não posso voltar, Ana. Você sabe, o mestre é meio mão-de-ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus puxou Ana para o canto, sussurrou em seu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai mesmo levar essa garota, Ana?&lt;br /&gt;- Justus, ele pode matá-la se ela não for com a gente.&lt;br /&gt;- Não sei, Ana. Ela é estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris olhava para os dois desconfiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sou estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus e Ana arregalaram seus olhos. Como ela poderia ter ouvido se eles estavam falando em sussurros, indagaram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu só sei ler pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ficou meia-hora testando Sumiris Arty enquanto que albinos na cidade de Jajaboh andavam apressados pelas ruas. Ana Giovanni estudava as possibilidades do teletransporte do livro dezesseis. Tentou se concentrar, mas nada aconteceu. Talvez fosse a risada de Justus que estava lhe atrapalhando. Talvez fossem as respostas rápidas que Sumiris dava para as frases bobas que Justus inventava na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trakinas de marshmallow – respondeu Sumiris - Mas o que é isso?&lt;br /&gt;- Um biscoito. Não acredito que você não conheceu Trakinas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta, pensou Ana. Não conseguia se concentrar. Das outras vezes fora tão mais fácil. Desviou os olhos e avistou ao longe um casal de pessoas. Reparou que não eram albinas. Ana levantou-se. Alguma coisa estava errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus, Sumiris.&lt;br /&gt;- Assim não dá para adivinhar, Ana. Não consigo me concentrar.&lt;br /&gt;- Sumiris, além de você, existe alguém que seja diferente aqui?&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal não-albino. Ela vestindo uma saia elegante e uma camisa pólo. Ele um elegante terno estilo italiano, leve, mas com uma gravata branca. Aproximaram-se dos três, mostrando identificações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Camille Jordan e Benjamin Boyer. Departamento responsável pelo tráfico de passagens multidimensionais tecnocratas.&lt;br /&gt;- TPMT, sorriu Benjamin Boyer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana, Justus e Sumiris não sorriram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queremos fazer algumas perguntas, senhora? – olhando para Ana.&lt;br /&gt;- Eu me chamo Sumiris - disse Sumiris prontamente.&lt;br /&gt;- Benjamin, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem anotava tudo em um bloco eletrônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, senhora Sumiris. Desde quando vocês têm usado o procedimento de Bhaskara?&lt;br /&gt;- Como? - perguntou Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher franziu a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Multiplique ambos os membros da equação pelo número que vale quatro vezes o coeficiente do quadrado e some a eles um número igual ao quadrado do coeficiente original da incógnita. A solução desejada é a raiz quadrada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana deu um sorrisinho de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nenhuma?&lt;br /&gt;- Resposta errada, cara amiga de Sumiris.&lt;br /&gt;- Você se dedicou a problemas de geometria plana - disse Boyer.&lt;br /&gt;- A Ana? Ana Giovanni? Desculpa, moço. Mas ela odeia matemática.&lt;br /&gt;- Temos relatos de 3 exercícios praticados pela mente de sua amiga, rapaz, tudo em escalas proporcionais ao efeito Bhaskara.&lt;br /&gt;- Certo - disse Ana - O que é proibido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus observou que Benjamin tinha um revólver parecido com o que vira no laboratório de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando o número a estudar é grande, não é prático utilizar o crivo de Erastótenes. Neste caso, recorremos ao processo das divisões sucessivas, sorriu ao fim da frase Camille Jordan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E? – disse Ana.&lt;br /&gt;- E precisamos de seu colar para que possamos concluir a equação e comprovar o uso de elementos extraterrenos.&lt;br /&gt;- E se dissermos não? – disse Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan e Benjamin Boyer se entreolharam. Boyer pigarreou e ajeitou sua gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há a possibilidade de usarmos a Teoria dos Jogos.&lt;br /&gt;- Então a use! – disse Justus.&lt;br /&gt;- Vocês seriam caçados, sorriu Camille.&lt;br /&gt;- Moça – interrompeu Sumiris – qual a possibilidade de ganharmos?&lt;br /&gt;- Bem – disse Camille Jordan, fazendo um sinal para Benjamin Boyer com os olhos – Você tem que estudar as decisões que são tomadas em um ambiente onde vários jogadores interagem. Você estuda as escolhas de comportamentos quando o custo e benefício de cada opção não é fixo, mas depende, sobretudo da escolha dos outros indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Camille Jordan não contava era com a habilidade de Sumiris Arty. Ao invés das palavras que estavam sendo expelidas pela boca da moça, Sumiris entendeu seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Iremos prender vocês quando eu terminar minha formidável explicação.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty precisava agir se quisesse levar Ana Giovanni e Justus para o mundo. Olhou para Justus que estava fixo no agente Boyer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Justus, me ouve. Só você pode me ouvir. Não faça cara de espantado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus disfarçou ajeitando os óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você precisa pegar a arma desse cara. Precisamos fugir daqui. Ela quer levar vocês.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você pode me ouvir também, Sumiris?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uau.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Anda. No três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Não! – A menina loira gritou, mas já era tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agente Boyer e Camille Jordan já estavam com mais armas na mão e Justus somente com uma. Ele não sabia para quem apontar. Ana Giovanni e Sumiris Arty estavam tensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abaixa isso, garoto! – disse Camille Jordan.&lt;br /&gt;- Não vamos com vocês. – respondeu Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris entrou no pensamento de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ana, você precisa abrir o portal. Precisamos sair daqui, eles vão pedir reforços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não olha para mim.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E o Justus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cuido dele. Abra o portão, eu me agarro a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como abrir.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rasgue uma página. Concentre-se no nome do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lugar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Povoado do Mar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os agentes se aproximavam de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Garoto idiota&lt;/em&gt;, pensou Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina loira adentrou no pensamento de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fica parado, garoto idiota.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sou idiota! – ele respondeu.&lt;br /&gt;- Quem disse que você é idiota, menino? - retrucou agente Boyer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camille Jordan entendeu tudo. &lt;em&gt;Justus havia falado para Sumiris Arty!&lt;/em&gt; Ana abriu o livro. O punhal tremeu em sua mão. Imagens pipocavam na lente de Justus. Quando o casal de agentes se virou, Sumiris usou suas técnicas acrobatas e puxou Justus para o buraco que pairava no ar, a frente deles, tremendo. Diversas descargas de energia saltavam do círculo percorrendo o piso de cimento. O teletransporte pelo portal do livro era novidade para Ana Giovanni, mais embaçado. Fazia cócegas enquanto desintegrava os corpos humanos e os sugava. Quando atingiram o outro lado do portal, antes do buraco se fechar, Boyer tocou um pedaço da abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Povoado do mar, Camille – disse enquanto que sua identificação desmanchava-se em seu bolso.&lt;br /&gt;- Eles não irão muito longe, querido – ela disse – Johnny Nash está a caminho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115715228603134710?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115715228603134710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115715228603134710' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115715228603134710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115715228603134710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/09/captulo-xvi-teoria-dos-jogos.html' title='capítulo XVI - Teoria dos jogos'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115714467695913702</id><published>2006-09-01T13:51:00.000-07:00</published><updated>2006-09-01T16:39:02.926-07:00</updated><title type='text'>capítulo XV - A torre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ana Giovanni arregalou os olhos quando viu a imensa edificação circular que estava a sua frente. A colossal torre devia ter uns 50 metros de altura e a menina que estava a seu lado dizia que... que....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer que a gente suba nesse troço aí? – bravejou Justus, ajeitando seus óculos vermelhos.&lt;br /&gt;- Vocês são moles mesmo, hein? De onde vieram? Do país das lesmas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris Arty fitou Ana com deboche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer que a mocinha aí tá com medo de altura?&lt;br /&gt;- Garota, eu sempre fiz capoeira, tá?&lt;br /&gt;- Ai que medo. Mas e aí? Vai ou não vai subir? Eu não tenho como pedir para jogarem tranças para você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni irritou-se. Colocou seu pé no primeiro tijolo prateado que viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana? Você vai subir mesmo? Não quer que eu espere aqui? Que tal procurarmos outra pessoa? Ana? Ana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni já estava no centésimo sexto degrau, subindo para o centésimo sétimo. Sumiris Arty sorriu para Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem chegar por último é mulher do padre, guri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No qüinquagésimo degrau, Justus sentiu-se tonto. E como em todas as vezes que tinha um gigantesco pavor de algo, precisava conversar. Sumiris estava 10 degraus acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sumiri seu nome, certo?&lt;br /&gt;- Sumiris Arty.&lt;br /&gt;- Ei, Sumiris Arty.&lt;br /&gt;- Quanto mais você falar, mais vai cansar.&lt;br /&gt;- Ainda não inventaram elevador aqui?&lt;br /&gt;- Estamos na cidade do Tempo, não na cidade dos Jetsons.&lt;br /&gt;- Eu via também. Em qual canal você via?&lt;br /&gt;- No 4.&lt;br /&gt;- Você é da Terra, então!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota parou e pisou na mão de Justus, que cambaleou e quase caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala demais, garoto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suor brotou entre as duas lentes de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual seu problema, Sumiris Arty?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pés de Ana Giovanni desapareceram da vista dos dois. Meio contrariada, Sumiris ajudou Justus a subir mais degraus e ficar mais perto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu fugi da Terra muito pequena. Fui adotada pelo Artos. Mas se você repetir isso em algum lugar daqui eu quebro essa sua cara de tartaruga vermelha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus subiu os últimos degraus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas quem é Artos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni estava perplexa. Justus ajeitou novamente seus olhos. &lt;em&gt;Tartaruga uma ova&lt;/em&gt;, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma imensa mesa de mármore no meio do salão comunal. Anões albinos trabalhavam incansavelmente. Ferramentas de corte, bigornas eletrônicas, calculadoras e compassos metamaticamente perfeitos. A grande oficina transpirava à tecnologia de ponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Artos é o maior ferreiro que a cidade do Tempo já teve. Hoje ele passará de ferreiro a Ferreris – falou orgulhosamente Sumiris Arty.&lt;br /&gt;- Ferreris? – indagou Justus.&lt;br /&gt;- Será grão mestre da cidade. O maior inventor e médico-consertador de todos os tempos. Só uma pessoa conseguiu isso. &lt;br /&gt;- E quem foi essa pessoa? - perguntou Ana, intrigada.&lt;br /&gt;- O nome dele não é falado nesse Tempo, mas vocês sabem de quem se trata.&lt;br /&gt;- Quem? - perguntou Justus.&lt;br /&gt;- O portador do archote. Foi ele que...&lt;br /&gt;- Sumiris Arty!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina virou-se de cabeça baixa. Um homem gordo, de quase dois metros de altura, cinto prateado escuro em volta de seu pescoço, puxou a orelha de Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu falei para nunca usar essa palavra aqui!&lt;br /&gt;- Mas eu não disse o nome dele!&lt;br /&gt;- Calada! Você acaba de atrasar a entrega de meu prêmio com sua petulância vinda, vinda.... vinda daquele lugar!&lt;br /&gt;- Desculpa, mestre Artos. É que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O albino gordo usava uma roupa de ferro, coberta com luzes fosforescentes. Tinha um bolso na camisa com o símbolo de tesoura. Em sua cabeça um chapéu com 4 símbolos químicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre Artos, é que...&lt;br /&gt;- Calada! Não ouvirei sua voz por 35 horas! Atrasou o prêmio por 37 segundos, ainda estou te dando uma colher de chá – disse ele, virando-se e andando sorrateiramente entre os anões ocupados - Eu me tornarei um Ferreris porque sempre entrego tudo pontualmente. Não permitirei que uma menina vinda... vinda... vinda daquele lugar! Você sabe, Sumiris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris abaixou a cabeça, derrotada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mestre amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artos levantou um anão do chão. Sacudiu a pobre criatura albina até que uma tesoura caiu no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabia! Sumiris!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Sumiris obediente pegou a tesoura do chão. Toda oficina parou. Ela pegou o anão pelo pé que chorava desesperadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu precisava cortar os cabelos de minha filha, mestre amado! Era só para isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris jogou o anão torre abaixo enquanto que o sorriso de mestre Artos brotava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém mais pretende me roubar? – perguntou aos demais trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anões albinos passaram a trabalhar mais concentrados. Justus e Ana começaram a se afastar quando o mestre de dois metros percebeu a presença dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- SU-MI-RISSSSSSSSSSSSSSSSS – gritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina veio rapidamente para sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pergunte quem são eles.&lt;br /&gt;- Eu sei quem eles são.&lt;br /&gt;- Eu não te perguntei isso. Quero que pergunte para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris fechou a cara, mas obedeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem são vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana pigarreou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu cordão quebrou e...&lt;br /&gt;- Pergunte quem são eles, Sumiris. Estou ficando impaciente.&lt;br /&gt;- Quem são vocês? – ela voltou a perguntar.&lt;br /&gt;- Eu sou uma menina e ele é um menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestre Artos gargalhou. Gargalhou tanto que Sumiris estremeceu. A oficina toda parou novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você conhece esses dois, Sumiris?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina de olhos azul-claros encolheu os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você trouxe dois demais para cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris pensou em correr, mas mestre Artos a agarrou pelos cabelos e a pendurou nos ombros. Estava andando calmamente em direção ao mesmo lugar que Sumiris antes derrubara o anão. Justus escondeu o rosto. Ana Giovanni precisava fazer alguma coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni e Justus Valentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Artos parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu colar quebrou e Sumiris disse que só o senhor seria capaz desse grande feito. Só queremos voltar para casa e combater o Lúcifer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão tremeu. Mestre Artos havia pulado. Ele soltara Sumiris e agarrara Ana violentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não pode dizer isso aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estava sufocando a menina quando Justus gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Você não pode fazer isso com ela! Eu te dou o livro dezesseis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Artos cambaleou. Todos os anões se agarravam e choravam. Sumiris amparou Ana que tossia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus não sabia porque falara aquilo, mas não tinha mais nada em mente. Por que precisava do livro dezesseis afinal? Não tinha nada escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está mentin...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus retirou de seu bolso o livro de capa marrom. Os olhos do futuro Ferreris brilharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você... – disse o ferreiro.&lt;br /&gt;- Nós só precisamos que conserte o cordão de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni mostrara seu cordão para mestre Artos. O ferreiro sentou-se ao chão e chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre... - disse Sumiris.&lt;br /&gt;- Esse é o dia mais feliz de minha vida, Sumiris. Pode voltar a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Justus se entreolharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que meu cordão tem jeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ferreiro balançou as mãos e um anão trouxe seus óculos feitos de penas de ganso e lentes cristalinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma obra celestial. – disse examinando atenciosamente o colar.&lt;br /&gt;- Foi um presente.&lt;br /&gt;- Vocês são crianças estranhas. - disse enxugando seus olhos com a manga de seu uniforme de ferro. Ao invés de limpar o rosto, fez pequenos cortes - Mas vou ajudá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris sorriu. Justus coçou a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dê o livro, garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus obedeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas senhor, não há nada nele que possa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artos balançou o dedo mindinho, um punhal foi trago à sua mão. Abriu o livro atentamente e rasgou a primeira página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse foi meu primeiro presente como ferreiro, mas levaram meu exemplar. Quer dizer, essa é a cópia número 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro, cujas páginas amarelas estavam sem nada, começou a balançar. Figuras de quimeras, terras de fogo, peixes, florestas, corujas, aparelhos tecnológicos surgiam do livro e pairavam na lente do ferreiro, que parecia um menino que se divertia ao ver pela primeira vez um desenho animado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anões albinos, Ana, Justus e Sumiris sentaram-se para ver o espetáculo na lente do mestre. Diversos tipos de ferramentas e de utensílios de conserto pairavam no centro mais espesso que as bordas. Artos fechou o livro bruscamente. Os seres no salão comunal estavam encantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni, certo?&lt;br /&gt;- Sim, senhor.&lt;br /&gt;- Sei como consertar seu cordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Justus sorriram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você terá que trazer quatro materiais de qautro mundos. O minério real das terríveis terras do fogo, a unha do peixe Nubalú no povoado do mar - concentrou-se e voltou a falar - a pimenta que só cresce nas florestas selvagens de Itako e uma pena da Coruja Sábia nas planícies da ventania. - fitou-os novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus deu uma gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O cordão está quebrado, lembra? Como vamos para esse mundo?&lt;br /&gt;- Ué, você não trouxe o livro? Ache a resposta, disse o mestre devolvendo o volume.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Uriel me devolverá meu livro um dia. Só estava com saudades. Você vai precisar dele mais do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana pigarreou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uriel? O senhor conhece meu pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Artos olhou para Sumiris e para Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor conhece meu pai, mestre Artos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Artos olhou para Ana e para Sumiris. Levantou-se e correu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu prêmio! Estou atrasado, Sumiris! Você não me avisou de nada! Eu não posso chegar atrasado! Perderei o título e cortarei sua cabeça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiris estremeceu. Danou-se a correr também. Ana quis correr também, mas olhou para seu amigo que tentava entender o livro e o procedimento feito pelo mestre anteriormente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115714467695913702?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115714467695913702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115714467695913702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115714467695913702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115714467695913702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/09/captulo-xv-torre.html' title='capítulo XV - A torre'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115698478684462594</id><published>2006-08-30T17:37:00.000-07:00</published><updated>2006-09-01T12:08:12.296-07:00</updated><title type='text'>capítulo XIV - Roubo na Cidade do Tempo</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ana Giovanni e Justus estavam à frente do portão da Cidade do Tempo quando o Barco-Luz levantou-se em suas grandes hélices, ainda espalhando a areia verde do deserto. Os dois tentaram se proteger da ventania que o veículo formava até que ele brilhou por dois segundos e desapareceu no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atenção de ambos voltou-se para as gigantes muralhas que permeavam Jajaboh. Ana Giovanni sentiu um calafrio quando se lembrou dos muros do Colégio Sagrado Coração. Se ao menos o pingente de seu pai estivesse intacto e funcionando, adentrar a Cidade do Tempo seria fácil. Justus caminhou até o portão pelas dunas de areia. Ao aproximar-se, percebeu que o portão era cinco vezes maior que os muros da escola. As muralhas eram feitas de pedra, o portão prateado em um vistoso metal. Não existia nenhum tipo de comunicação com a parte interior do lugar. Pensaram como era possível que alguém pudesse avisar que queria entrar se não havia ninguém para vigiar o lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, veja. Tem alguma coisa escrita aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni se aproximou e arregalou os olhos em espanto. Justus, atrás dos estranhos óculos vermelhos, tentava ler algo, mas suas lentes estavam embaçadas demais. A menina levou o dedo indicador até a frase esculpida no metal prateado e passou a ler com cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“Por lei número um, ponto dois, ponto cinco do Código Real e Universal da Cidade do Tempo, declaro que, para qualquer cidadão Jajaboh que quiser adentrar as ruas de nossa civilização, não abra se quiser entrar”&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ajeitou os óculos em cima do nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso está me deixando confuso.&lt;br /&gt;- Claro Justus, seu pai é um anjo, Deus sumiu com meu pai e tem uma figura das escrituras bíblicas atrás de nós. O que seria mais confuso que uma senha da Cidade do Tempo na sua casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino franziu o cenho para Ana Giovanni em tom de desaprovação. Não gostava quando ela tomava o ar debochado das meninas de sua idade. Apesar de ser diferente e sua melhor amiga, Ana ainda era uma menina irritante na maioria das vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo, abra o portão, senhora-sabe-tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni riu para o garoto e aproximou-se do portão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senha que você achou nunca foi para o laboratório secreto, Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andou mais dois metros em direção oposta ao portão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pai sabia o que estava fazendo quando deixou que você a achasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou um pouco distante e continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não quisermos entrar, para que abrir? Nós não queremos entrar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus virou-se para o portão quando algo se ouviu. Uma espécie de trinco começou a tilintar do lado de dentro. Logo após o som de corrente raspando em metal passou a soar. O portão de prata da Cidade do Tempo abriu-se lentamente em dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Justus miraram um pátio de cimento do lado de dentro, rodeado por diferentes árvores vistosas, mangueiras, coqueiros e macieiras dentro de um jardim circular. O espaço estava vazio. À direita, uma caixa de correios estava posicionada de frente para o portão. Do outro lado, duas placas repousavam perto de uma cerejeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intrigados apressaram-se a entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus...&lt;br /&gt;- Eu sei! Eu sei! Olha aquelas frutas! – O rapaz passou a correr em direção ao jardim, pulou pelo canteiro até agarrar-se em uma mangueira. Sacudiu um galho até que o fruto despencou lá de cima à sua frente.&lt;br /&gt;- Não era bem sobre isso que eu iria falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni bufou em direção a caixa de correios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejamos, não sabia que existia um sistema de Correio parecido com o nosso em outros Mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus mastigou um pedaço da Manga sujando toda a face. Estava feliz, parecia não lembrar-se das coisas ruins que haviam acontecido. Mordiscou mais um pedaço e encheu a boca de fiapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana analisou a caixa de correios quando o portão começou a se juntar, fechando-se. A menina correu em sua direção, mas já era tarde. Estavam presos. Decidiu voltar sua atenção para a caixa de correios. Era uma espécie de caixa prateada com um buraco bem fino no meio, dignamente parecido com caixas de correio comum. Um buraco para se enfiar a carta e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina rodeou o poste até avistar aquilo que imaginara. Um buraco para se retirar o papel depositado. Devidamente lacrado por uma fechadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, droga. Está trancado. Justus, o que eu faço?&lt;br /&gt;- Calma Ana – gritou – deixa que eu uso a minha caixa de ferramentas de arrombar caixa de correio que sempre levo para Cidades do Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni riu antes de forçar a tampa. Cedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Guarde-a! Não vamos precisar dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino jogou a casca da fruta que comera no gramado do jardim até se aproximar de Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abre aí! Vamos ver o que os Jajaboh escrevem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da caixa de correios, apenas um pedaço de papel jogado. A menina retirou e abriu-o. Tentou ler, mas a única coisa escrita eram números. Números seguidos, uma seqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2-3-2-1&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os Jajaboh devem ser estranhos. – bradou o menino.&lt;br /&gt;- Bom, vamos ver o que diz a placa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado duas placas apontavam em direções opostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“Cidade do Tempo para o Norte”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deserto das Quimeras para o Sul”&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus soltou um gemido quando Ana parou de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda bem que não encontramos nenhuma Quimera por lá.&lt;br /&gt;- Bom, para lá devemos chegar dentro da cidade. Vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois caminharam para uma portinhola atrás do jardim central, logo após o menino correr pelas árvores e roubar duas bananas pondo dentro do casaco do uniforme do Colégio Sagrado Coração. Ana Giovanni avistou a porta e a forçou. Ao abrir, uma voz disparou de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que diabos! Quem ousa me afortunar? É um habitante das terras de Noma de novo? Não damos abrigo político, cachorro! Se for, irei queimá-lo com minha arma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni e Justus adentraram em uma espécie de sala de estar. Um iluminado lustre de cristal pendurava do teto repleto de lâmpadas artificiais a gás. Um sofá vermelho e uma mesa de cabeceira acomodavam duas pessoas albinas que liam curiosas uma mesma revista. Do outro lado uma senhora acomodada por trás de um balcão mirava uma escopeta de dois canos para os visitantes. Na mesa, escrito, &lt;i&gt;Portaria&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, não são de Noma! Mas quem são vocês?&lt;br /&gt;- Somos... somos...&lt;br /&gt;- Somos cidadãos de...&lt;br /&gt;- É... – agitou o menino olhando para Ana – somos... somos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovani parou e por um tempo se concentrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Somos de Pagode!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha contornou a expressão em questionamento para os dois. O casal de albinos no sofá retiraram sua atenção da revista para Ana e Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pah god’y – adiantou o menino.&lt;br /&gt;- Terra distante.&lt;br /&gt;- Sim, longe. Muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher abaixou a arma e encarou-os por uns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senha?&lt;br /&gt;- Dois, três, dois, um. – Ana fechou os olhos após Justus falar.&lt;br /&gt;- Ah, queridos, sejam bem vindos a Cidade do Tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma campainha tocou e uma porta se destrancou na extremidade da sala. A mulher fez um gesto para que ambos prosseguissem. Ana Giovanni puxou as mãos de Justus e os dois sumiram pela porta antes que qualquer um falasse qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois seguiram por um tapete prateado em um corredor logo após passarem pela portaria. Mais adiante uma outra porta barrava o acesso. Uma placa dizia, “Bem vindos a Cidade do Tempo”. Abriram. A forte luz do sol adentrou o corredor nos olhos de Ana e Justus. Um barulho de sirenes, buzinas e vozes de pessoas era ouvido pelo lugar. Quando a porta se abriu totalmente, uma grande metrópole se revelou adiante. Centenas de pessoas andavam apressadas pra lá e pra cá. Todas albinas. Cabelos, sobrancelhas, pele. Sem cor. Os olhos vermelhos e os pêlos esbranquiçados. Usavam roupas prateadas, apressados. Uma cidade completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não ser por essas características, a Cidade do Tempo não se diferenciava das cidades comuns de onde Ana e Justus vieram. Não havia rua, nem prédios. O espaço das vias era separado por estranhas edificações circulares, como torres. Inúmeras torres de tamanhos aparentemente iguais iam da esquerda para a direita. Ana se lembrou delas, do momento em que esteve no Barco-Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante era possível avistar uma torre gigantesca. Em seu cume havia um relógio descomunal, com longos ponteiros metálicos marcando as horas. Os números eram os mesmos de um relógio convencional. Mas Ana Giovanni nunca havia visto uma fortificação tão grande e majestosa como aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana começou a andar quando alguém a esbarrou. Uma figura em volta em um capuz continuou a caminhar para longe deles sem questionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Além de estranhos, são mal educados!&lt;br /&gt;- Calma Justus, não vamos perder a cabeça logo agora sozinhos nessa cidade.&lt;br /&gt;- O que você acha que devemos fazer?&lt;br /&gt;- Vamos perguntar para alguém se conhecem um caminho de volta para nosso Mundo. Ou se conseguimos dar um jeito nesse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto gritou antes que Ana Giovanni terminasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pingente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana procurou o colar no pescoço. Não encontrara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O albino! Ele roubou seu colar!&lt;br /&gt;- Droga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois passaram a procurar pelas ruas de Jajaboh com os olhos. A figura em volta no capuz se distanciava para o outro lado da cidade. Os dois passaram a correr em sua direção. A figura notou a pressa de Ana Giovanni e passou a correr apressadamente também. Percorreu dois metros até virar em uma viela. A calçada de cimento transformou-se em tijolos alaranjados quando os dois viraram também na esquina. A viela se bifurcava em diferentes portas até terminar em um beco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora?&lt;br /&gt;- Ele deve ter entrado em uma dessas portas. São muitas!&lt;br /&gt;- Espere, veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus mirou uma porta entreaberta no final da passagem. Imediatamente correram em sua direção antes que fechasse. Lá dentro, a porta revelou uma escadaria incrustada na pedra, descendo pelo piso até escurecer completamente. Ana e Justus lentamente, sem produzir barulho, fecharam a porta. Um interruptor foi encontrado pelo menino que o acendeu. Um rastro de luzes artificiais se estenderam pela escada abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, parece ser um caminho longo.&lt;br /&gt;- Não posso perder meu colar! – a menina sacudiu Justus antes de começar a descer as escadas.&lt;br /&gt;- Calma, Ana! Não sabemos o que vamos encon...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escada seguiu até uma outra sala esculpida em pedra e sem vestígios do ladrão. As luzes da escada se bifurcaram pelo aposento iluminando-o pouco a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por onde aquele maldito gatuno se metera?&lt;br /&gt;- Acho impossível que ele tenha vindo por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz rompeu pela sala por trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni virou-se rapidamente, na escada, atrás deles, a figura segurava o colar de seu pai no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Solte isto agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que não vou ficar com isso. Não é tão bonito como eu imaginara. Nem funciona para nada, a não ser de coleira. Olha, eu não tinha pensando nisso! – a figura entrou na sala e caminhou pela parede circulando Ana e Justus – vejo também que vocês não são daqui. Nem de... como é mesmo? Pagode? Gostei da criatividade de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana deu um passo em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você?&lt;br /&gt;- Revele-se! – Justus acompanhou.&lt;br /&gt;- Calma aí vocês dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura deu uma cambalhota pela parede e três saltos mortais até girar na frente dos dois. Levantou o capuz revelando sua face. Uma menina de cabelos loiros e olhos incrivelmente azul-claros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não é albina, você não é daqui. – interpelou Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus traços eram perfeitos, viris e delicados ao mesmo tempo. Seu corpo esguio se escondia dentro de um uniforme prateado. A capa em suas costas junto do capuz a escondia quando precisasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me chame de Sumiris Arty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni e Justus se entreolharam. A menina estendeu a mão para Ana entregando o pingente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai precisar de ajuda com isso aí.&lt;br /&gt;- Pode nos ajudar?&lt;br /&gt;- Bom, eu não. Mas sei quem pode.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115698478684462594?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115698478684462594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115698478684462594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115698478684462594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115698478684462594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-xiv-roubo-na-cidade-do-tempo.html' title='capítulo XIV - Roubo na Cidade do Tempo'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115697367657919740</id><published>2006-08-30T14:31:00.000-07:00</published><updated>2006-08-31T14:09:12.173-07:00</updated><title type='text'>capítulo XIII - O Barco-Luz</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ana Giovanni abriu lentamente os olhos e mirou em volta. A cabeça ainda estalava um pouco, porém os cortes no braço não lhe chamaram a atenção até mexer-se. Juntou as mãos para levantar-se e sentiu o chão quente. Extremamente quente. Esfregou as cansadas pálpebras e olhou. Asfalto. Sua cabeça levantou-se lentamente. Estava jogada em uma rua de um centro urbano aparentemente deserto, sem carros, sem pessoas, sem coisa alguma que lembrasse uma civilização presente. As calçadas possuíam uma iluminação fraca que de segundos em segundo falhava. As sombras se estendiam de lojas à prédios abandonados. Passou as mãos pelos joelhos doloridos e com um pouco de esforço, evantou-se. Um céu cinza escuro cobria sua cabeça relampejando sobre a misteriosa cidade, cinza e deserta. &lt;i&gt;Fantasmagórica&lt;/i&gt;, chegou a cogitar. Ana levou as mãos ao colo procurando algo. Estava sem o pingente de seu pai. Um misto de desespero e medo correu por seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando ouviu um estalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma figura surgiu das sombras da calçada da direita a alguns metros, caminhando para o centro da rua. Ana tentou enxergar quem era, até gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus! Aqui, Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura parou. Debaixo das sombras ainda, virou-se e passou a caminhar em sua direção. Sem responder por seu chamado, a menina entendeu a situação. Tropeçando em seus próprios calçados, desandou a correr na direção oposta. Virou o rosto para medir a distância. Ainda estava longe. Quando voltou-se, seus olhos encontraram a figura parada bem a sua frente. Ana Giovanni assustou-se e caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz de todos os postes passaram a se apagar lentamente, a rua foi se cobrindo de uma escuridão até deixar Ana totalmente cega. Sua respiração acelerou quando a única coisa que conseguia usar eram as orelhas. Sentiu os passos vindo em sua direção mais uma vez. Então a figura demoníaca dos livros bíblicos que Ana conhecia apareceu na sua frente rapidamente. Uma luz negra saltou de seus olhos e misturou-se a escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, você está bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni piscou. Justus estava a seu lado, balançando seus ombros freneticamente. Apesar de detestar que a cutucassem, pela primeira vez na vida estava agradecida por receber aquilo do menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus! Justus! Ah, por Deus, Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou e abraçou o rapaz. O menino não entendeu nada por cima dos ombros. Os dois voltaram a se olhar, ainda atônitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu Ana? Você está suando.&lt;br /&gt;- Justus! O Lúcifer! Ele... – um grão de areia entrou em sua boca engasgando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou em volta tentando compreender. Viu que a última coisa que poderia chamar onde estava era de centro urbano. Ana Giovanni sentiu areia entre seus dedos. Um sol rachava sobre suas cabeças e iluminava o campo desértico em que estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que você está falando?&lt;br /&gt;- Ele estava aqui! Digo, eu não estava. Era uma cidade! Não havia ninguém, porém...&lt;br /&gt;- Porém? – Justus sentou-se ao lado da menina tentando entender.&lt;br /&gt;- Aquela coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então os últimos acontecimentos voltaram rapidamente não só à mente de Ana, mas como a de Justus. Os olhos do menino estavam inchados e vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus, eu não queria... eu não sei o que dizer. Eu também não estou acreditando que tudo isso tenha acontecido conosco. Eu... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O menino passou a olhar para o horizonte, os olhos perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni secou uma lágrima que descia pela bochecha avermelhada do menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prometo pra você que tudo vai dar certo. E eu vou cuidar de você, não importe o que vá me acontecer.&lt;br /&gt;- Acho na verdade que quem deveria cuidar de você era eu, não é mesmo?&lt;br /&gt;- Você uma ova! Você é vinte centímetros mais baixo do que eu. E dois anos mais novo do que eu. Portanto, quem manda agora aqui sou eu. – os dois riram.&lt;br /&gt;- Ana, você acha que meu pai teria coragem?&lt;br /&gt;- Justus, seja lá o que for, quem seja aquela pessoa, é tudo real. Eu nunca pensei que Deus e Diabo existissem. Na verdade nunca pensei que mágica existisse. – a garota sentiu algo debaixo da camisa do uniforme do Colégio Sagrado Coração. Encontrou o pingente e passou a admirá-lo com alívio. Ele não estava brilhando como antes, apenas as cinzas balançavam dentro do pingente como um colar normal – Nem sei se posso chamar isso de mágica. Mas meu pai deve ter tido um motivo muito forte para ter me dado. Talvez ele soubesse que iria precisar disso qualquer dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus cerrou os olhos ao ver o colar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, veja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apontou uma rachadura no cristal que jazia sobre o colar de Ana Giovanni. O cristal estava escuro e as cinzas não caíam de dentro mesmo com o buraco aberto no pingente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acredito! Meu colar quebrou!&lt;br /&gt;- Calma Ana, tente usá-lo. Talvez tenha sido uma rachadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina levantou da areia, o vento chacoalhou seu cabelo. Concentrou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nada&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga!&lt;br /&gt;- Essas coisas celestiais deveriam ser mais bem feitas.&lt;br /&gt;- Justus, você não compreende? Estamos no meio de um deserto! Seja lá onde estivermos, não estamos em nosso Mundo!&lt;br /&gt;- Saara?&lt;br /&gt;- O Saara, o deserto da Namíbia, de Kalahari, tanto faz. Por acaso você acha que algum deserto da Terra teria areia verde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois entreolharam-se. Sob seus pés uma areia esmeralda cobria aproximadamente todos os quilômetros que os dois podiam ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ferrou.&lt;br /&gt;- Nada disso, vamos procurar por...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni e Justus foram arremessados para trás. Uma ventania tomou conta do lugar levantando a areia verde. Os dois fecharam a boca e os olhos tentando não engolir mais quilos daquilo. O vento zuniu até formar uma espécie de barulho contínuo. Como um motor o barulho roncou alto. Uma melodia espalhou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Estou guardando o que há de bom, em mim...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho aumentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Amor, i love you. Amor, i love you.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois jovens levantaram a cabeça quando o vento diminuiu. A areia verde baixou-se e um barco de madeira jazia a frente deles. O barco era enorme, possuía duas hélices gigantes na extremidade superior, apoiadas por uma espécie de mastro. Do lado de trás, uma hélice menor girava ainda devagar, como se controlasse o equilíbrio do veículo. Na madeira da proa a imagem de uma sereia albina segurando um cartaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Kalin, mais rápido que o Peixe-Abutre, mais agilidoso que o Carcará da Montanha de fogo, mais barato que o ônibus no Rio de Janeiro.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sujeito surgiu sobre a luz do sol, de dentro do barco. Foi até a extremidade do veículo e olhou para os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que que há?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que alguém diria sobre ele é que seria um pirata. Mas o sujeito parecia mais um garçom do que qualquer outra coisa. Dentro de um terno preto, camisa branca e uma gravata cinza, um rapaz albino ajeitou o lenço vermelho que prendia os cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhores, foi aqui que pediram o Barco-Luz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus ia falar quando Ana interrompeu correndo a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim! Foi aqui sim!&lt;br /&gt;- Ah, então não me enganei. – puxou uma alavanca ao seu lado e o veículo rangeu. Uma portinhola abriu-se revelando uma escada – Queiram subir senhores! O Barco-Luz vai partir e preciso pegar outros dois senhores nas terras de Ghartyn. Apressem-se! – retirou um lenço do bolso e secou a face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois subiram pela escada até chegar dentro do Barco-Luz. Por fora o veículo lembrava uma traineira velha. Por dentro, sofás de veludo, castiçais dourados e uma mesa farta  estavam delicadamente postos num amplo espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com... com...&lt;br /&gt;- Sim, Justus. Comida. – os olhos dos dois brilhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito de terno puxou outra alavanca e o Barco-Luz apitou. Um vidro passou a fechar o ambiente rapidamente em cima de suas cabeças formando uma cúpula. Após isso as grandes hélices passaram a girar velozmente. O veículo começou a flutuar e uma música começou a soar de de suas caixas de som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Eu te quero só pra mim, como as ondas são pro mar...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso? Pagode?&lt;br /&gt;- Nem me fala! O sinal do Barco-Luz pega as transmissões a rádio do mundo dos &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt;. É um inferno. Não &lt;i&gt;aquele&lt;/i&gt;. Compreende, né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito albino pigarreou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ê-rei! Vamos partir!&lt;br /&gt;- Para onde estamos indo?&lt;br /&gt;- Ora bolas, senhores. Estamos indo para as terras de Jajaboh. Ao leste das Terras de Zarghos, o general do Fogo. Perto das Planícies da Ventania, do Povoado do Mar e próximo das Florestas Selvagens de Itako.&lt;br /&gt;- Jaja...&lt;br /&gt;- Jajaboh! A Cidade do Tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus nem dava bola para o nervosismo da menina a seu lado. Seus olhos passavam de cerejas cobertas de chocolate para grandes pedaços de pães de mel com açúcar. Dos olhos para a boca. Vorazmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois minutos depois um painel colorido ao lado do homem brilhou. Ele se virou para ambos e alertou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegamos! Dois milésimos adiantados, mas chegamos. Kalin nunca atrasa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni prestes a morder uma maçã olhou pelo vidro. Seus olhos encontraram uma cidade prateada alguns metros abaixo do Barco-Luz que flutuava. O veículo rangeu mais uma vez e voou em direção à entrada da cidade, tentando pousar. Um relógio gigantesco soou no centro da Cidade do Tempo quando Ana Giovanni e Justus desceram do Barco-Luz.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115697367657919740?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115697367657919740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115697367657919740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115697367657919740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115697367657919740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-xiii-o-barco-luz.html' title='capítulo XIII - O Barco-Luz'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115673087674983023</id><published>2006-08-27T19:00:00.000-07:00</published><updated>2006-08-27T19:20:24.263-07:00</updated><title type='text'>capítulo XII - O negociador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ana amassava a carta enquanto Justus tentava desamassá-la e colocá-la novamente dentro do plástico bolha quando um barulho vindo do elevador os surpreendeu. A grande máquina antiga estava subindo sozinha, deixando as duas crianças espantadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? O que faremos? Estamos presos! Quem vai achar a gente aqui?&lt;br /&gt;- Ana, acho que não estamos sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das tecnologias de ponta, o laboratório era repleto de estátuas de mármore, anjos envidraçados que mexiam a cabeça enquanto Justus e Ana se moviam para longe deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus?&lt;br /&gt;- Alguma idéia mirabolante?&lt;br /&gt;- Você viu alguma janela por aqui?&lt;br /&gt;- A única saída é pelo elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exército de figuras de anjos esculpidos em mármores do lado oeste também se direcionava em direção aos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos cercados, Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cordão de Ana vibrou. As estátuas se curvaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Intruder. Intruder. Intruder.&lt;/em&gt; Justus deu três passos para trás. &lt;em&gt;Intruder. Intruder. Intruder.&lt;/em&gt; As estátuas perto de Ana ainda a reverenciavam. Mas Justus era cercado por estátuas de guerreiros angelicais que portavam armas. Seu amigo estava encurralado. As estátuas mexiam as cabeças intrigadas com o brilho intenso do colar da menina. Ela pode ver quando a figura de Mercúrio usou sua arma branca e atingiu o chão, ao invés de Justus. O tilintar da espada passou 1 milésimo rente ao corpo do menino. Sua roupa fora levemente rasgada. Justus se abaixou e correu, enquanto que diversos golpes eram lançados ao ar. Um milésimo, dois milésimos. Quando a estátua percebesse a tática de handball de Justus, ele estava frito. Ana precisava fazer alguma coisa. As estátuas de vidro ainda observavam perplexas seu cordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por que minha mãe me botou na capoeira desde os quatro anos?&lt;/em&gt;, fizera essa pergunta ao espelho no dia em que mudaria de cordão. Ela não era ágil como as outras crianças. Demorava a se defender, era sempre a última a ser escolhida na roda. Mas sua mãe sempre insistia &lt;em&gt;É auto-defesa, você vai me agradecer se algum menino se aproveitar de você.&lt;/em&gt; Ironicamente, ela estava usando as tais táticas para defender um menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bem&lt;/em&gt;, pensou. &lt;em&gt;Ainda bem que minha mãe insistiu.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ela deu um mortal. Demorou três anos para tomar coragem e realizar a tal técnica. Morria de medo de quebrar o pescoço. Hoje, majestosamente fez o movimento. Os anjos de mármore mexeram suas cabeças para direita e esquerda, perplexos por não verem mais o colar. Ana agarrou uma arma verde-limão, com bolas de gesso e seringas finas em seu bico. Apontou para o anjo Mercúrio. Explodiu sua cabeça. Lembrou de Hellraiser. Antes da explosão, a cabeça foi perfurada pelas agulhas que entravam mármore adentro como se o anjo fosse feito de carne. Justus se abaixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, Justus! Pro elevador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o exército de anjos de vidro e os de mármore não estavam mais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Intruders. Intruders. Intruders.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ana e Justus atravessaram o grande hall escorregadio correndo. Ana segurava a arma e Justus o plástico bolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sombras dos anjos chegaram junto de seus corpos em frente ao elevador. Estavam cercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus.&lt;br /&gt;- O elevador se foi, Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana chutou a porta. Os anjos se aproximavam. Justus chutou também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Intruders. Intruders. Intruders.&lt;/em&gt; A cabeça de Mercúrio tinha sido recolhida. As agulhas ainda estavam na face torta do anjo, segurada por um anjo de vidro. Ana chutou mais uma vez com força. Seu cordão agarrou na porta. O elevador se mexeu lentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus!!&lt;br /&gt;- Puxa com força!&lt;br /&gt;- Eu não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus puxou com toda força, mas estava enforcando a amiga. Não se perdoaria se algo acontecesse com Ana dentro de sua própria casa. A cabeça da menina estava sendo levantada. Seu pé quase já não atingia o chão. Justus tirou a arma da mão de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feche os olhos. Proteja o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dois segundos, ele apertou o gatilho. Faíscas atingiram a porta, mas ela não se abriu. Ana tinha agora só um pé no chão. Os anjos pararam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acesso restrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ouviu uma voz conhecida. Quando olhou para trás, todas as estátuas se curvaram. A porta do elevador se abriu e Ana foi jogada para longe. De dentro do elevador, uma figura alta e ruiva surgiu, mais parecida com as estátuas do que com qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus?&lt;br /&gt;- Pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael estava diferente. Seus olhos não estavam mais azuis e sim negros. Esses mesmos olhos alcançaram Ana no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Intruders. Intruders. Intruders.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Rafael levantou o braço. Todas as estátuas evaporaram-se. Justus apontou a arma verde-limão para o peito de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é do bem ou do mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael sentou-se confortavelmente em sua poltrona de veludo alemão. À sua frente, Justus ainda segurava a arma e Ana a carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem, crianças. Ok, vocês merecem uma explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus e Ana, calados, deixavam o engenheiro desconfortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu e seu pai construímos isso aqui embaixo, Ana. Queríamos um lugar secreto, sagrado, onde nenhum demônio pudesse nos achar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus levantou a sobrancelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Demônios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não deveria saber, Justus. Mas eu deveria. Um andar inteiro traz curiosidade, né? Prometeu acorrentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus estava hipnotizado pelos olhos negros de seu pai. Ao mesmo tempo, ele não tirava os dedos do gatilho da arma. Ainda não confiava. Seu pai olhava fixamente para o colar de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O exército que vocês viram, são meus protetores. Ou eram. A evaporação demora a fazer com que eles retornem. Geralmente em um, dois dias, todos estarão com os chips limpos e poderão tomar conta daqui de novo. Enquanto isso, estamos à mercê de nossa própria sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De quê que o senhor está falando, Sr. Rafael?&lt;br /&gt;- De que os demônios estão entre nós, entre os humanos. Os &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;- Demônios?&lt;br /&gt;- Seu pai era um vigilante caído, Ana. Ele era o quarto. Permaneceu junto às portas do Éden com uma espada ardente, combatendo à tempestade e ao terror, um guardião dos mundos. Trouxe Lu à Terra. Você não sabe como ele sofreu quando soube qual era a missão de Lu. Ele destruiu os exércitos de Senaquerib! Era o espírito de visão mais arguta de todo o Céu. De toda Terra. Era meu melhor amigo também.&lt;br /&gt;- O que aconteceu com ele?&lt;br /&gt;- Não sabemos até hoje. Alguns acham que foi enfeitiçado, o que acho meio difícil,  outros de que ele, ele...&lt;br /&gt;- Ele?&lt;br /&gt;- De que ele desistiu.&lt;br /&gt;- Desistiu de quê?&lt;br /&gt;- De ser a face de Deus.&lt;br /&gt;- Mas por quê?&lt;br /&gt;- Porque ele queria te salvar, menina. Ele não queria ser responsável por esses acordos.&lt;br /&gt;- Acordos?&lt;br /&gt;- Pactos.&lt;br /&gt;- Pactos?&lt;br /&gt;- Pactos entre os demais e os seres iluminados.&lt;br /&gt;- Você pode ser mais claro, pai?&lt;br /&gt;- Entre Deus e Lúcifer.&lt;br /&gt;- Nós lemos a carta, pai. Vocês mais pareciam terroristas.&lt;br /&gt;- Justus, somos o reflexo da sociedade. Você acha que estamos satisfeitos com tudo isso? Deus pensa em até...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos de Rafael voltaram a ser azuis. A negritude se desfez rapidamente, fazendo com que Justus levantasse e apontasse a arma para seu pai e fizesse Ana dar um passo para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhhh. Você estão ouvindo isso?&lt;br /&gt;- Não há nada, sr. Rafael.&lt;br /&gt;- É por isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pássaros caíram mortos do céu. Pés dentro de uma bota Berluti. Do lado de fora da casa, Lu ajeitava o paletó Dior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rafael, mon cherie. Você tinha que estar por trás disso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo que Lu dava as plantas se contorciam, as flores ganhavam um tom monocromático e fúnebre e seus caninos embranqueciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não temos mais tempo, Ana. Você precisa me dar esse cordão.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael avançou em direção à Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não chega perto dela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus mirou seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou te dar meu cordão.&lt;br /&gt;- Você usando esse cordão. Ana, é perigoso.&lt;br /&gt;- Meu pai queria que eu usasse.&lt;br /&gt;- Impossível. Seu pai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do andar de cima arrebentou. As paredes do andar debaixo tremeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Logo logo ele estará aqui. Não temos tempo. Temos que destruir esse cordão. Agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão de Rafael agarrou o cordão. Justus mirou a cabeça de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela fez um estrago a uma estátua de mármore. Imagine o que não faria com a sua. Eu já disse, larga a Ana e o cordão.&lt;br /&gt;- Justus. Você não sabe o que está fazendo.&lt;br /&gt;- Sei muito bem.&lt;br /&gt;- Você... Eu sou seu pai! Você tem que obedecer! Abaixa essa arma, Justus.&lt;br /&gt;- Você é um negociador.&lt;br /&gt;- Eu sou seu pai!&lt;br /&gt;- Um cara que anda vendendo coisas.&lt;br /&gt;- Eu ainda sou seu pai!&lt;br /&gt;- Por quanto que você me venderia, pai?&lt;br /&gt;- De quê que você está falando?&lt;br /&gt;- De que lado você está?&lt;br /&gt;- Do seu, meu filho. Do seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma figura atraente saiu do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele está do lado de Deus, &lt;em&gt;chevreau&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lu era elegante. Sua camisa de cetim preta o deixava onipresente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Heosphoros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael se curvou. Lu também. Ambos se abraçaram e se beijaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus continuou a apontar a arma para seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael emudeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não pode mentir, Rafael. Uma das regras.&lt;br /&gt;- Sim. Ela não sabe de nada, Lu. Por favor. Uma menina.&lt;br /&gt;- Ele escolheu bem, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana se encolheu. Justus a protegeu com a arma verde limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aquele é seu filho?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- O bebê Justus!&lt;br /&gt;- Sabe que sua &lt;em&gt;maman&lt;/em&gt; era uma mulher encantadora, Jus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos de Justus tremiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não precisará de armas, &lt;em&gt;chevreau&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael intercedeu. Quando Justus piscou, seu pai estava entre ele e Lu. Lúcifer rasgava a pele de Rafael, o que deveria ter acontecido com Justus, se seu pai não estivesse à sua frente. De repente, os pensamentos de Justus foram interrompidos com uma voz conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corra, Jus. Se esconda com Ana. Não volte. Procure ajuda. Ache o livro dezesseis no elevador. Acabe com o cordão. Ana precisa de você.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lu levantou Rafael. Rasgou suas costas. Da costela, pode-se ver pequenas protuberâncias brancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mostre-se, &lt;em&gt;ange&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael uivou. Seus olhos amendoados tornaram-se negros. De suas costas, uma fileira pequena de pequenas asas tomou forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mon amour&lt;/em&gt;, você já não tem poderes celestiais. É simplesmente um negociador burocrata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael balançou seus cachos ruivos. De seus olhos uma luz branca brotou, fazendo com que Lúcifer tropeçasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora, Justus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus puxou Ana. Eles correram para dentro do elevador. Justus jogou água benta pelo chão. Abriu todas as bíblias que pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um portal, Ana. Um portal.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Precisamos sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcifer levantou. Da branquidão ele mandou um jato vermelho para cima de Rafael. O chão tremeu. Os ventos saíam do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Portador do Archote. Tenha misericórdia.&lt;br /&gt;- Você é um nada, &lt;em&gt;mon amour&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As penas de suas costas foram arrancadas pelos dedos de Lúcifer. Rafael se contorceu. Justus ainda pode ver o olhar azul do pai quando Ana o agarrou e o puxou, rumo a um portal desconhecido. Em sua mão, ele levava o livro dezesseis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcifer olhou para o elevador. No chão, uma carta dourada se desfazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Merde&lt;/em&gt;, esbravejou Lúcifer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No chão, Rafael se contorcia. Seus olhos estavam verdes, opacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mostre-se, &lt;em&gt;démon&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;A figura abriu um sorriso pelo canto da boca.  Desproporcionais e salientes caninos nasceram no sorriso da nova forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Bien&lt;/em&gt;, você deixa de ser Rafael para ser um Daymon F11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura continuou sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe quem é Justus?&lt;br /&gt;- Aquele que devo matar.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque ele guarda a vida de Ana.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Merci&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lu acendeu um cigarro de Bali de canela e passou a caminhar rumo ao leste. Uma parede foi demolida. Ele passou lentamente pelos escombros, enquanto que Rafael, o atual Daymon F11, cheirava os restos das cinzas da carta que Ana outrora segurava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115673087674983023?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115673087674983023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115673087674983023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115673087674983023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115673087674983023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-xii-o-negociador.html' title='capítulo XII - O negociador'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115669499963185618</id><published>2006-08-27T09:06:00.000-07:00</published><updated>2006-08-27T18:57:17.416-07:00</updated><title type='text'>capitulo XI - Chame-me de Lu</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A senhorita loira atrás do balcão de utilidades, repleto de brincos, jóias e outros adereços reluzentes articulou um sorriso ligeiro para a figura à sua frente. Estendeu uma dúzia de pedras preciosas, topázios, rubis e diamantes esculpidos em ouro branco até o sujeito relinchar pedindo mais amostras. Gentilmente a moça esgueirou um outro sorriso e resolveu ir ao estoque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura abriu um sorriso pelo canto da boca. Ajeitou o paletó Dior por cima da camisa de cetim preta e ajeitou a gravata italiana. Completamente bem vestido e chamando atenção de várias mulheres que por ali passavam, o sujeito mirou um espelho para provas e tornou a face em nojo. Virou o espelho lentamente, sem usar as mãos. Se alguém por ali passasse ou estivesse a admirá-lo de mais perto, talvez nem acreditasse no que acontecera. A atendente da loja demorou alguns segundos até voltar trazendo duas caixas grandes embrulhados em um papel branco e ainda rindo, como se estivesse prestes a fazer a maior venda de sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor... - torceu o nariz envergonhada tentando preencher o vazio da frase.&lt;br /&gt;- Lúcifer, &lt;i&gt;sucrerie&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atendente quase pode ver o brilho roxo que percorreu os olhos do sujeito à sua frente, mas envolta em um puro êxtase típico dos comerciantes prestes a uma vitória como aquelas, nem se importou com os desproporcionais e salientes caninos mostrados no sorriso do rapaz de simpática forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui está - abriu uma caixa com dificuldade, até revelar duas grandes pedras amarelas - são do Cairo. Chegaram ontem do estoque confidencial da loja, mas acredito que o senhor Luiz nem vai se importar - e tornou a rir com um apavorante nervoso.&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Mon cherie&lt;/i&gt;, não se preocupe. Seu patrão deve estar muito feliz por você me trazer essas belezinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina riu novamente. Nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor Lúcifer...&lt;br /&gt;- No, no, no! Chame-me de Lu, &lt;i&gt;mon doux&lt;/i&gt; - levou uma das fortes mãos até o rosto gorducho da atendente e afagou o queixo reluzindo um dos 5 anéis dourados.&lt;br /&gt;- Oh... - se recompôs diante de alguns burburinhos na loja, algumas senhoras faziam questão de cochichar entre si a cena no balcão - Perdoe-me! Senhor Luci, digo! Senhor Lu.&lt;br /&gt;- Ah, bem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou a abrir as caixas, agora a segunda, revelando uma pedra azul-celeste, bem clara, embutida dentro de um anel côncavo. Os olhos de Lúcifer brilharam mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Ele&lt;/i&gt; realmente não teve inspiração maior para criá-las, não é mesmo? - olhou para a moça tonta de ambição - Se não fossem as minhas excelentes idéias como a luxúria, a inveja, a soberba - parou e olhou em volta. Mirou as pessoas que estavam ali também, cheias de pedras preciosas, roupas caras, ostentando o luxo de forma vulgar, como verdadeiros modelos vivos de vitrine - A avareza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcifer soltou uma pequena risada irônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Infelizmente vocês, &lt;i&gt;os demais&lt;/i&gt;, tiveram o esforço de achar as maiores relíquias que pousaram neste mundo e fizeram questão de trancafiá-los em cofres, transfomaram em moeda de troca, deram de presente para a vagabunda da esposa de vocês. Ou então, viram que era tão pouco, quando as já escassas sumiram do olho da maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou com cuidado uma das duas brilhantes pedras amarelas ofuscando sua visão por uns segundos ao encontrar a luz artificial da loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São tão bonitos, não acha?&lt;br /&gt;- São lindos.&lt;br /&gt;- Sabe, uma menina como você, atrás desse balcão, não terá muita sorte nessa vida medíocre assalariada. Tudo bem que vocês chamam de sobrevivência. Mas eu chamo de tolice. Deus deixou vocês bem estúpidos mesmos. Ficarão perplexos quando chegar a minha hora. Qual que devo fazer a terra engolir primeiro? A Igreja Universal ou a Igreja Católica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a língua áspera entre um dos dentes caninos e revelou mais um, prateado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Mon doux&lt;/i&gt;, não tens idéia da merda que Deus meteu vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina não ouvia. Estava em êxtase. Quase um estado de transe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcifer pegou as duas pedras egípcias e enfiou dentro de uma bolsa de couro avermelhada. Retirou o anel da segunda caixa e enfiou dentro do dedo médio. O anel se encontrou com outros três anéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curvou-se sobre o balcão e estalou um rápido beijo na boca assustada da atendente. Virou-se e passou a caminhar em direção à porta. Passou pelo sinal de alarme, prestes a tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, numa movimentada e badalada rua de São Paulo, Lúcifer mirou os determinados &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt; caminhando pela calçada. Eram velhas, meninas, jovens, senhores. Todos afortunados em seus preciosos objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou os óculos escuros de um bolso de seu alinhado terno e colocou-o. Olhou pelo relógio e viu que ainda havia muito tempo até Skiter encontrá-lo. Sabia que o demônio era um tanto desastrado e bobo, mas fazia a maioria das coisas de forma correta. Correta na sua percepção. Sentou-se em um banco calmamente e acendeu um cigarro de Bali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fundo, correndo, Skiter avistou a figura que mais lhe dava medo. Estava aparentemente calmo, mas sentiu uma fisgada quando lembrou-se do que estava prestes a contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O demônio-menor aproximou-se exausto e sentou-se ao lado de Lúcifer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alteza, me... me perdoe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lu entendeu a expressão de horror na cara de Skiter. Não era preciso falar. Sabia que a carta que enviara a Deus confirmando a compra do Mundo fora interceptada. Por algo. &lt;i&gt;Por alguém?&lt;/i&gt;, refletiu. Quem, em juízo de si, um &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt; qualquer, teria agora de enfrentar a ira serena do anjo decaído? Quem iria atrasar as negociações? Lúcifer levantou-se do banco e ajustou a roupa. Naquele exato momento, na rua em frente, um caminhão perdeu o controle da velocidade e vôou para cima da calçada. Atingiu cinco pessoas antes de se chocar contra uma loja e explodir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem sorriu, apagou o cigarro no chão e passou a caminhar, abandonando Skiter.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115669499963185618?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115669499963185618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115669499963185618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115669499963185618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115669499963185618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/capitulo-xi-chame-me-de-lu.html' title='capitulo XI - Chame-me de Lu'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115646847445159209</id><published>2006-08-24T18:08:00.000-07:00</published><updated>2006-08-25T16:05:18.646-07:00</updated><title type='text'>capítulo X - INRI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- E você conseguiu fugir de Maria Clara ajudada por uma barata falante e que te ensinou a abrir portais no espaço?&lt;br /&gt;- É, resumindo. Foi isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus soltou uma gargalhada irônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prove.&lt;br /&gt;- Provar?&lt;br /&gt;- Sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino estava sentado na escada espiral de estilo gótico, projetada pelo maior arquiteto da região para os Giovanni. Ele não estava brincando dessa vez. Ana não sabia o que fazer. Desde que a barata tinha indo embora não abrira mais portais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não acredita em mim, Justus?&lt;br /&gt;- Além do fato de você ver uma pessoa entrando em nosso mundo e de que você anda com um cordão bem estranho que cheira à menta?&lt;br /&gt;- Você é meu melhor amigo, por que eu mentiria?&lt;br /&gt;- Para sua descoberta ser maior do que a minha.&lt;br /&gt;- Me poupe, garoto.&lt;br /&gt;- Sra. Ana Giovanni - os dois passaram a descer as escadas -  Eu tenho o prazer de lhe comunicar que consegui a senha do laboratório de meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana riu com um certo ar de deboche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A que você procura desde os 5 anos de idade?&lt;br /&gt;- Sim, pois é.&lt;br /&gt;- Impossível. Por que você ia conseguir logo agora?&lt;br /&gt;- Porque eu fiz um acordo com um garoto da terceira série do ensino médio que estuda processamento de dados na &lt;i&gt;Luiz de Lemos&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;- Ainda se estuda isso?&lt;br /&gt;- Ele invadiu o laptop do meu pai.&lt;br /&gt;- Hum... - franziu o cenho - Sei.&lt;br /&gt;- A senha é &lt;i&gt;INRI&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;- E o que tem lá dentro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus deu uma risadinha contida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não quer lá descobrir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa de Justus não era tão histórica e graciosa quanto à de Ana, mas era um exemplo de arquitetura pós-moderna. O pai de Justus era apaixonado por andares e sua casa tinha vários deles. Clean, ela era arquitetada toda de vidro e móveis pretos. Nada exuberante em termos de detalhes, mas elegante ao ser simples e despojada. Os ambientes imensos eram sempre agraciados com uma luz de diferente tonalidade, fazendo da casa um lugar de agradável atmosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus e Ana passaram pela governanta que conversava com o chofer. Uma senhora um tanto gorda e pálida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus. Você tem que prometer...&lt;br /&gt;- Prometer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles passaram pelo hall principal. Justus deslizou pelo chão que tinha um gigantesco sol projetado em ladrilhos escoceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conta para ninguém o que aconteceu comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana apertou o elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem vai acreditar nisso, Ana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador residencial abriu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não acredita, Justus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno garoto apertou o botão 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já me provou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quinto andar era projetado somente para o pai de Justus. Rafael, um engenheiro renomado obcecado por projetos arquitetônicos de séculos passados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus era filho único, assim como Ana Giovanni. Ambos foram criados por babás, governantas ou pessoas de fora do círculo familiar, enquanto que suas mães muito juntas saíam em viagens para Bariloche, Veneza e Iuguslávia. O garoto passou a infância pedindo para sua mãe levá-lo em uma das viagens e quando ela combinou em um passeio pela Espanha, morreu misteriosamente em um acidente. Atropelada. Sem vestígios. Sem carros. Sem pistas. Enquanto isso Justus fora levado para tomar sorvete no &lt;i&gt;Heladore's&lt;/i&gt;, uma das mais famosas sorveterias espanholas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes acordava assustado e jurava que via sua própria mãe fechando as cortinas de seu quarto pela madrugada. Os espanhóis não deixaram o menino ver o corpo. Ele ainda podia se lembrar de uma senhora com estranhos óculos de largas hastes e grossas lentes, dentro de um grande vestido colorido e embaixo de um florido chapéu amistosamente lhe dizer alguns consolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu mamá se fué. Tu tienes que hablar con tu papá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu pai mandou sua tia buscá-lo. Na viagem de volta, a irmã de sua mãe abraçou-o fortemente. Os dois choraram o vôo inteiro. Desde então, Justus não chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não acredito que você duvida de mim. Eu deveria ir embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus agarrou a mão da amiga, como quando agarrou a mão de sua tia voltando da Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Por favor, você sabe o quanto isso é importante para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana hesitou, mas cedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual a senha mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do laboratório era bonita. Prateada. Em volta, pequenos espelhos em forma de losango. Havia um olho mágico esbugalhado no canto direito, logo acima do quadrado contendo letras e números. Cada vez que Justus digitava algo, o olho mágico abria e fechava enquanto um barulho de máquina registradora processava a mesma mensagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Error.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é possível. O Lucas futucou tudo. Eu mesmo vi.&lt;br /&gt;- Às vezes a senha não está no lap.&lt;br /&gt;- Impossível! Tudo é conectado ao lap, toda a casa. - Justus rosnou baixo&lt;br /&gt;- Justus, esquece isso.&lt;br /&gt;- Como assim esquecer? Eu tenho um andar inteiro na minha casa que não conheço.&lt;br /&gt;- Talvez seja melhor deixar para lá. - Ana Giovanni alisou os cabelos do menino, tentando confortá-lo.&lt;br /&gt;- Deixar para lá? Ele não confia em mim, Ana. Ele é meu pai, tinha que confiar em mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus chutou a porta. A mensagem &lt;i&gt;Error&lt;/i&gt; continuava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem - Ana respirou fundo - só porque você disse que queria uma prova.&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni fechou os olhos dessa vez. Precisava se concentrar e se ficasse de olhos abertos iria se distrair com a surpresa de Justus. O engraçado foi que, mesmo com os olhos fechados, ela pode ver nitidamente a porta prateada. O barulho da máquina registradora voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o q... - o menino arregalou os olhos o máximo que pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho voltou ensurdecedor. Ana se assustou com sua força. Quando abriu os olhos um buraco prateado girava velozmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só deu tempo de Ana agarrar a camisa de Justus ao mesmo tempo em que era puxado. As partículas de seus corpos se desintegraram rapidamente enquanto o olho mágico da porta derretia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus caiu do outro lado da porta de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo. Certo. Eu prometo não contar nada. - poliu os óculos vermelhos na frente do rosto.&lt;br /&gt;- Desculpa, Justus. Acho que me concentrei demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando levantaram, deram de cara com outra porta, mas de madeira. No meio dela, uma cruz de imbuía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não! De novo, não!&lt;br /&gt;- Qual é a senha mesmo? - correu até um painel imbutido na parede ao lado da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ana digitou as letras INRI, seu cordão pairou no ar. A porta havia sumido. A única coisa no cômodo era um elevador antigo, recoberto de paredes acolchoadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem certeza que seu pai é engenheiro?&lt;br /&gt;- O que é isso, uma piada dele? Esse tempo todo ele tá escondendo um elevador? Mas esse é o último andar. Para onde esse elevador vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana entrou dentro do elevador. O barulho dos pés no metal ecoava de algum jeito. No teto, uma outra cruz esculpida em ouro branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pai é católico, Justus?&lt;br /&gt;- Não. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os botões eram letras em aramaico. O chão era transparente. Vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O elevador desce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus se alinhou ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No canto esquerdo uma estante embutida com diversos tipos de livros com cruzes chamou sua atenção. Era rustica, como as estantes da biblioteca do Colégio Sagrado Coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bíblias?&lt;br /&gt;- Será que seu pai... Você quer mesmo continuar?&lt;br /&gt;- Mais do que nunca. - os olhos do rapaz brilharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana apertou um botão aleatoriamente. Um barulho distante fora ouvido, como um metal batendo em outro. De repente o barulho aumentou, ouviu-se algo partindo. O elevador  despencou. Ana e Justus tentaram se segurar nas paredes, mas a velocidade aumentava cada vez mais e os jogava de um lado para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára isso, Ana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais Ana Giovanni apertava os botões mais o elevador avançava em direção ao chão. Os livros não se mexiam, mas o elevador sacudia. Eles se aproximavam do chão, podiam ver pela transparência do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tira a gente daqui! Abre aquele maldito buraco novamente!&lt;br /&gt;- Eu não consigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltando dois metros para atingir a terra, o elevador parou. O cordão de Ana pairou no ar. Os dois estavam suados e uma gota desceu pelo rosto de Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da próxima vez eu aperto o botão! Esse cordão está com defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta abriu-se sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Não abra-me se quiser entrar, Justus?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- Não deixava de ser uma pista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois se entreolharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok. No três.&lt;br /&gt;- Você começa, Ana.&lt;br /&gt;- Um.&lt;br /&gt;- Dois.&lt;br /&gt;- Três! - as duas vozes se encontraram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois pularam para fora do elevador. Escuridão. Vento gélido. Aroma de menta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana? Ana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus encontrou-se sozinho. Ana havia desaparecido. O pavor começou a tomar conta dele quando um gerador foi ligado e um clarão tomou conta do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau!&lt;br /&gt;- E você ainda acha que seu pai é engenheiro? - Ana limpou a poeira do vestido do uniforme do Sagrado Coração. Então lembrou-se que não comera, não tomara banho e estava pressentindo que iria demorar para novamente cumprir essas tarefas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um salão gigantesco. O dobro do tamanho do refeitório da escola. Milhares de armários brancos, com fechaduras douradas. Alinhados por tamanho, diversos tipos de arma. Centenas de pistolas brancas, milhares de escopetas azuis-piscina, dezenas de facas e &lt;i&gt;Zilhões de água benta?&lt;/i&gt;, pensou a menina ainda boquiaberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por um minuto eu pensei que era parente do seu Marcola. Acqua benedetta? - leu com dificuldade o rótulo de um dos vidros.&lt;br /&gt;- Será que seu pai é um lobisomem? - Ana riu mais uma vez tentando se controlar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado leste, uma imensidão de livros até o escuro teto, uma escrivaninha e um aparelho que lembrava um computador. Mas era muito mais complexo, portando inúmeras telas de vídeo, botões e luzinhas. Uma espécie de televisor, nas imagens, vários aposentos de uma grande casa eram vistos. Pelo monitor os dois reconheceram na hora a escada em espiral que ia do primeiro até o segundo andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus! É minha casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pedaço do monitor eram gravações do quarto de Ana. Ana conversando com Justus e todos os demais cômodos. Como gravações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que meu pai te vigia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As figuras de anjos esculpidos em mármore chamou a atenção do lado oeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou gostando disso, Justus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino vasculhou cada pedaço da escrivaninha com destreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você tá procurando?&lt;br /&gt;- Por que meu pai te vigia? - ainda atônito, parecia não saber dizer mais nada. Continuou a fuçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni não prestou atenção nos resmungos do amigo porque algo mais além chamara sua atenção. Em um pequeno santuário estava um envelope seda laranja, com um emblema vermelho dourado. O que chamou sua atenção era que aquilo lembrava algo que ela tinha visto recentemente. Pegou o envelope que estava envolto a um plástico-bolha e abriu-o cuidadosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amigo Rafael,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que as negociações não estão boas do lado de lá. Hoje não consegui controlar e dois aviões colidiram com as Torres Gêmeas. A burocracia atrapalha nosso trabalho. Há um prazo a ser cumprido e só Deus sabe quanto será pedido. Creio que o andar debaixo está pronto para assumir o poder, mas temos que ser cuidadosos já que o Senhor não quer injustiças. Se eu não conseguir o acordo, peço que tome conta de Ana por mim. A mãe dela não compreenderá muito, mas acredito em minha menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu amigo de longa data,&lt;br /&gt;Uriel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.= você já viu o novo Ibook que será lançado em 2006? Se a supervisão da Terceira Tríade deixar, levo um para ti.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus olhava por cima do ombro de Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau! Um Ibook!&lt;br /&gt;- Justus...&lt;br /&gt;- Mas quem é Uriel?&lt;br /&gt;- Meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115646847445159209?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115646847445159209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115646847445159209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115646847445159209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115646847445159209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-x-inri_24.html' title='capítulo X - INRI'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115637123049122368</id><published>2006-08-23T15:09:00.000-07:00</published><updated>2006-08-24T08:39:27.806-07:00</updated><title type='text'>capítulo IX - Nova vizinha</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;Ana correu apressada pelo bairro até chegar em sua rua. Mirante Flores. Não era a toa o nome dado ao lugar. Uma rua sem saída, com magníficos jardins espalhados entre os majestosos casarões. Algumas poderiam chegar a se dar o luxo de serem chamadas de &lt;i&gt;Mansões&lt;/i&gt;, mas nenhuma passava da grandiosidade da casa de Ana Giovanni. Além de grande, ela era peculiar. A calçada sempre lhe chamou a atenção. Desde pequena estava acostumada com os entalhes no piso. Pequenas estrelas e luas preenchiam as pedras, riscadas por estranhos escritos. Talvez fosse o tempo desgastando-os, mas algo de interessante rondava a calçada dos Giovanni. O jardim interno, um gigante tapete de violetas ia da porta inferior até a porta principal da casa. Branca-ouro, sempre recém-pintada - que fazia a menina sempre se questionar quem na verdade pintava sua casa - as janelas no formato do século passado, com o vidro muito complexo, cheio de detalhes. Número 33.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina entrou afoita no terreno e sentiu um calafrio. Não quis parar até chegar bem perto de sua porta e encontrar um pequenino papel em cima do aveludado capacho. Antes de pegá-lo leu a frase em vermelho marcada no tapete. "Para voltar, basta ir de trás pra frente". Ana adorava essa frase, estranha e enigmática. Como sua vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu ler o bilhete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ana, não esqueça de almoçar. Fui ao cabelereiro.&lt;br /&gt;Beijos, Mamãe.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ok, logo agora minha mãe resolve sumir.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou em volta antes de abrir a porta, foi então que sentiu alguem se aproximar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina, menina. Uma menina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana virou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;- O docinho saberia me informar aonde fica a casa número 34?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina tentou entender por uns instantes enquanto amassava o bilhete. Uma senhora de idade, com óculos de largas hastes e grossas lentes, dentro de um grande vestido colorido e embaixo de um florido chapéu amistosamente lhe encarava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve ser a casa dos Almeida. - e imediatamente apontou para o terreno ao lado, uma casa tão grande quanto o de Ana, porém, sem os cultivados jardins.&lt;br /&gt;- Ah, que coisa! É ali do lado! Desculpe eu invadir seu jardim assim.&lt;br /&gt;- Não tem problema.&lt;br /&gt;- Veja, você sabe se já foi vendida?&lt;br /&gt;- Vendida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni lembrou-se da família Almeida. Pessoas simpáticas. Um pouco distantes da vizinhança. Assim como ela. Ana também não era muito popular entre seus conhecidos de rua. Alguns até torciam o nariz quando passava, mas sabia que viver entre a classe média-alta dava a incrível vontade de se matar de vez em quando ou engolir alguns litros de Veja Multi-Uso. Talvez seu único amigo fosse Justus. Então lembrou-se de encontrá-lo também. Não podia perder tempo. &lt;i&gt;Mesmo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim! - bravejou a senhora - Está a venda. Segundo consta este jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou um pedaço de papel da bolsa de crochê que carregava ao lado de duas maletas abóboras e abriu-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rua Mirante Flores. Número 34. Vende-se."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que estranho, não sabia que os Almeida tinham se mudado.&lt;br /&gt;- Ah, minha filha. Sabe como é a violência.&lt;br /&gt;- Meu bairro não é violento...&lt;br /&gt;- Ah, minha querida, qualquer lugar nesse pais é um caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni viu a estranha figura retirar um leque e começar a balançá-lo freneticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, preciso entrar. Minha mãe... - lembrou-se que estava sozinha - Minha mãe está me esperando.&lt;br /&gt;- Ah, está? Que lindinha. Posso perguntar uma coisa? Bom, sua mãe sabe cozinhar?&lt;br /&gt;- Ela sempre está ocupada - tentou por um tempo lembrar da última refeição apreciada e feita por sua mãe, mas desistiu e inventou algo - Mas o bolo de chocolate dela é uma maravilha.&lt;br /&gt;- Hm! Isso está me dando uma tremenda fome, bonitinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura acenou e passou a caminhar para o terreno ao lado. Ana abriu a porta e entrou rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo as escadas de Madeira Real, sentiu um calor percorrer seu corpo. Agarrou no corrimão enfrentando a dor, uma forte sensação de quentura dirigiu-se ao seu tórax. Correu ao quarto imediatamente jogando a mochila em cima da cama, abriu o casaco e olhou para o espelho antes de levar a mão ao pescoço. Foi quando viu o pingente de seu pai, dado por sua mãe, brilhar intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma luz prateada pulsava de dentro do colar. Ana levantou-o e balançou entre os olhos. &lt;i&gt;Cinzas&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Legal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz do pequeno Justus disparou pelo quarto enquanto Ana se assustava com o objeto. O garoto entrou pela janela e correu em sua direção. Sentou ao seu lado estupefato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus, você não vai acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina olhou para o garoto e os dois se voltaram ao colar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, se eu disser o que aconteceu hoje, talvez seja você que não vai acreditar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da casa de Ana Giovanni, no número 34, uma campainha soou para o Seu Almeida. O sujeito caminhou até a porta e abriu-a lentamente. Antes de ver quem estava batendo e perguntar quem era, perdeu os sentidos e desmaiou. A porta do número 34 se fechou bruscamente quando a figura do lado de fora caminhou por cima do sujeito estendido no chão e entrou. Uma tenebrosa luz violeta percorreu toda a casa. Em seguida um zumbido soou abafando os gritos dentro da residência. As janelas se fecharam sozinhas ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a luz sumiu e não se ouviu mais nada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115637123049122368?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115637123049122368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115637123049122368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115637123049122368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115637123049122368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-ix-nova-vizinha.html' title='capítulo IX - Nova vizinha'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115636020639336115</id><published>2006-08-23T12:03:00.000-07:00</published><updated>2006-08-23T14:51:31.670-07:00</updated><title type='text'>capítulo VIII - O acordo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Vida longa ao verme! Vida longa ao verme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O buraco repleto de lacraias, aranhas e outras demais baratas foi fechado rapidamente. Era um terreno impróprio para seu tamanho. Ana nunca havia imaginado que um mundo repleto de seres originais da Taxonomia de Lineu pudesse existir. Ou coexistir com a realidade dela. Mas havia, havia sim. &lt;i&gt;Talvez seja de lá que eles surgem na minha cozinha&lt;/i&gt;, imaginou. E depois de fugir dos muros do Colégio Sagrado Coração criando um portal com uma árvore do pátio, ainda tonta em seus pensamentos, percebeu uma voz estridente vinda do chão novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda! Anda! Esse mundo já era! Vamos para outro!&lt;br /&gt;- Há muitos outros?&lt;br /&gt;- Assim como há muitos cabelos nesse mundo.&lt;br /&gt;- Uau.&lt;br /&gt;- Uau nada, maior dor de cabeça. Cuida daqui, abre dali, supervisiona de cá, ensina de lá. Vida burocrata, salário miserável.&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- Vamos! Vamos! Temos que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata escorregou por uma tubulação, quando o tênis de Ana atingiu as grades metálicas do bueiro bem a sua frente. A placa da rua São João balançou. O inseto que falava sem parar, soltou um grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há mais tempo! Os demais estão vindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio central da rua batia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata ainda segurou pela grade com seu bigode avermelhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe! Querida, você vai aprender sozinha! Vá logo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ainda tentou pegar a barata com seu dedo mindinho, mas a mesma se soltou, deslizando esgoto abaixo. Ela abaixou para olhar mais além, mas só ouviu um tilintar de algo caído no fundo do túnel. Um gari limpava a rua. Jogou papéis e poeira bem na hora que Ana levantou a cabeça. Ela era sempre vítima de anomalias agarradas em seu cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me perdoe, menina! De onde você surgiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana abaixou a cabeça novamente, sacudindo a poeira agarrada em seus fios. Foi assim que algo chamou sua atenção. No meio das grades do bueiro um envelope seda laranja, com um emblema vermelho dourado reluziu diante de sua face. No mesmo instante, uma ventania tomou conta do lugar. Assustada com o arrulhar dos pombos e com o relógio que não parava de bater 16:00 horas, correu segurando a carta instintivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da rua, Ana Giovanni viu o pedaço de uma mão, flutuando a alguns metros dali. Era transparente, uma cor cinza-violeta, ou algo assim, realizando um gesto. Os dedos sumiam e apareciam enquanto o membro gesticulava no ar. &lt;i&gt;Abrindo um portal para meu mundo&lt;/i&gt;, pensou. O envelope que estava em sua mão começou a se decompor. Rapidamente, ela retirou o papel de dentro, enquanto que as cinzas do envelope caíam. Não sabia porquê, mas precisava sair dali. Ela não deveria estar vendo alguém entrando em seu mundo. Ninguém deveria perceber. E na verdade ninguém estava mesmo, segundo uma conversa de 40 minutos que tivera alguns minutos antes com a barata falante. Tinha 20 segundos até o ser do outro lado, onde estivesse, pudesse atingir seu mundo. Desdobrou a folha e leu rapidamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Querido Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dólar está em alta. Estamos em pleno ano de acordo mútuo. Líbano, Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Indochina e Antártida. Liberalismo e globalização. Internet a cabo. Para que se preocupar com o destino do mundo, cara? Você já deu o livre-arbítrio. O preço está alto, amigo, mas pense em algo como abertura de processo. Aceito sua oferta devido à tecnologia implantada. Ok, compro o mundo.&lt;br /&gt;Lu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. = O Conselho de Ética do Senado decidiu hoje enviar para a Mesa da Casa as denúncias contra os três Demais apontados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Peço sua permissão para interferir.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;5.4.3.2.1. A carta se desmanchou. Ana se escondeu atrás de uma árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando calmamente, segurando uma maleta de couro comprada na Le Postiche, o arcanjo da Esperança, Anunciação e Revelação tirou do bolso um PalmOne LifeDrive e agendou um compromisso para às 18h. Gabe ajeitou seu terninho e seu sapato alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Preciso fazer as unhas. Um ser feminino tem que estar a rigor. Não reclame. É o mínimo - falou pelo celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encostada em uma árvore, Ana Giovanni viu a mensageira se afastar, ainda falando no telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Caracoles&lt;/i&gt;, pensou. &lt;em&gt;Deixa o Justus saber disso!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115636020639336115?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115636020639336115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115636020639336115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115636020639336115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115636020639336115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-viii-o-acordo.html' title='capítulo VIII - O acordo'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115620215793180222</id><published>2006-08-21T16:13:00.000-07:00</published><updated>2006-08-23T11:09:30.100-07:00</updated><title type='text'>capítulo VII - A barata e a fuga</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;As pernas de Ana Giovanni não paravam. Cada vez mais longe dos corredores frios e úmidos do Colégio Sagrado Coração, sua respiração começava a dificultar, os pés inchavam e a mochila pesava cada vez mais em suas costas. Resolveu parar bem próxima das grandes muralhas que torneavam a escola. Encostou em uma árvore e tentou tomar fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se dos últimos momentos em sua vida. Acordara de um dos rotineiros e misteriosos sonhos que tinha todos os dias e sempre tentava esquecer, criando assim um tabu quando alguém mencionava &lt;i&gt;sonho&lt;/i&gt;. Era sempre a mesma coisa, estava em meio a um vasto campo de trigo, o horizonte se perdia em um céu azul e com uma rapidez monstruosa uma poderosa tempestade se abria sobre sua cabeça. Em meio aos ventos e trovões ela era sugada para dentro de um buraco aberto em meio ao nebuloso cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sugada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então seus pensamentos voltaram a situação do banheiro. Estava atrasada para aula de Álgebra, então colidiu com a figura tenebrosa de Maria Clara, sua eterna inimiga de infância. &lt;i&gt;Aquela garota tem problemas&lt;/i&gt;, pensou. Então os dois brutamontes de Maria Clara a jogaram no banheiro e fizeram tudo aquilo que, mesmo fresco em sua memória, ainda era difícil de lembrar. O móvel tapando a porta, a privada, os risos abafados e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me esmague, tenho filhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni levantou uma das pernas e encontrou o simpático inseto, a barata cascuda, espremida debaixo de seu tênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acredito. - arregalou os olhos e tentou ver mais de perto - Não é possível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata sacudiu o rabo e como se fosse voar, pestanejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha aqui minha filha, eu tenho mais o que fazer do que tentar provar minha existência a você.&lt;br /&gt;- Mas, mas... Desculpe, queira me perdoar. Eu não falei por mal.&lt;br /&gt;- Eu sei, querida. Não se encontra uma barata que fala todos os dias, não é mesmo? Aliás, se todas as baratas falassem como eu, duvido que os comerciais de Baigon fossem os mesmos. Imagina? Uma barata-filhote sendo morta por aquele vapor nazista? Seu choro é de desesperar qualquer barata-mãe. Aliás, sabe que aquilo é derivado dos Nazistas, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni piscou algumas vezes tentando acompanhar a barata, sua voz diminuta saía esganiçada enquanto sem parar, andava pra lá e pra cá como se estivesse tonta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... Eu não sabia.&lt;br /&gt;- Pois é, e tem mais. Sabe o que é pior? Ser comida. Gente, ser comida? Você sabe o que é isso? Ah! Não me leve a mal, mas prefiro ser morta por um Baigon gigante e atearem fogo em mim do que ser devorada. Gente, meus primos dizem que na África as pessoas nos comem vivas! Gente, na China também. Pelo menos os esgotos da China são tão atrativos!&lt;br /&gt;- Olhe, desculpe, mas preciso sair daqui. Maria Clara deve estar querendo meu pescoço a qualquer custo e... Bom, aqui dentro sou alvo fácil de suas vontades mesquinhas e pera aí, estou falando com uma barata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inseto ainda falava quando percebeu que a menina estava aflita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu bem, você não usou sua mágica? Então, querida, seja esperta. Vamos, trate de por essa cabecinha repleta de shampoo para funcionar. O que aconteceu com você?&lt;br /&gt;- Eu voltei no tempo?&lt;br /&gt;- Correto, querida. Mas e depois? &lt;br /&gt;- Depois eu encontrei você, aqui.&lt;br /&gt;- Certo! Eu sabia que você não era um caso perdido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata ergueu-se nas duas patas traseiras e passou a comemorar numa espécie de dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois bem querida, você precisa agora aprender a viajar pelos portais de espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni torceu o nariz e inclinou-se para prestar atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja bem, você é uma Giovanni, querida. Sua mãe nunca te contou nada sobre seu pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então tudo estalou. O vento que antes chacoalhava seu cabelo fora interrompido, as folhas que caíam uma vez ou outra da árvore pararam e sua mente não conseguia pensar em mais nada do que em seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, preste atenção em mim. A história sobre seu pai é longa e você não tem tempo pra continuar aqui. Vamos embora!&lt;br /&gt;- Mas como? Os portões estão fechados, os muros são altos e nenhum aluno tem autorização para sair do colégio antes de meio-dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata fungou algo e subiu por seu ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você realmente vai me dar trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequenino inseto desceu até o gramado e indicou uma folha. Ana pegou-a com cuidado. Logo depois mirou com as antenas um graveto a seu lado. Subiu ligeiramente até sua orelha e balbuciou algo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina levantou-se e quebrou o graveto em dois repetindo uma estranha frase. Jogou os gravetos no chão e estendeu a folha a sua frente com o braço esquerdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um leve zumbido passou a soar no ar até se transformar num chiado estridente e por uns instantes sentiu o chão tremer. Percebeu algo acontecendo a suas costas. Quando virou-se, pode ver a imponente árvore antes imóvel e ereta curvar-se até sua ponta esquerda formando um formidável arco. No meio, como um espelho d'água, a imagem da rua do outro lado do muro era vista nitidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente, não é que você é boa mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inseto gritou para que ela seguisse em direção ao arco. Quando Ana aproximou-se a mesma sensação de antes do banheiro fora sentida, um ardor repentino percorreu seu corpo e fechou os olhos atravessando-o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abriu-os estava na movimentada rua São João e a folha da árvore dissolvia-se em sua mão esquerda lentamente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115620215793180222?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115620215793180222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115620215793180222' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115620215793180222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115620215793180222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-vii-barata-e-fuga.html' title='capítulo VII - A barata e a fuga'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115620196921980994</id><published>2006-08-21T16:11:00.000-07:00</published><updated>2006-08-21T19:31:55.656-07:00</updated><title type='text'>capítulo VI - Segunda chance</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;- Obrigada, Aninha do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni abriu os olhos e sentiu o hálito reconhecível de Maria Clara Neves bem próximo. Tentou por um momento entender o que havia acontecido consigo. Uma hora estava no banheiro cheirando à urina e suja com a água detestável da privada. Agora estava ali, longe do banheiro, limpa e melhor, do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni ergueu a cabeça e levantou-se enfrentando Ana Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? Como ousa levantar, ser inferior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana pegou sua pasta do chão rapidamente e voltou a encarar o rosto delicado e macio de Maria Clara. Os contornos faciais esguios, sua boca rodeada por finos lábios e quase inexistentes. Sua cara era sempre de alguém com mau humor, fazendo bico e um ar irritavelmente blasé. Ana percebeu o mesmo dedo indicador direito de alguns minutos atrás vindo novamente em sua direção. Esquivou-se. Quando Maria Clara esforçou-se para frente e percebeu a velocidade com que Ana Giovanni escapara, sentiu sua mãos empurrando-a. O tombo não seria menos dolorido mesmo se fosse em cima de um colchão macio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aaaai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni olhou para trás e ouviu alguns passos vindo em sua direção, recolheu o resto de seu material espalhado pelo piso frio e desandou a correr na direção oposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni, sua idiota, eu vou te pegar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eco estridente da voz de Maria Clara ecoou pelos corredores do Colégio Sagrado Coração fazendo com que muitos alunos olhassem pelas janelas das salas de aula para ver o que estava ocorrendo. Antes de virar a esquina no corredor central da escola e desaparecer pelo pátio central, Ana Giovanni ouviu a voz de Miguel e Igor resmungarem e apanharem da irritante garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ria de mim, seus mongolóides! Eu - cada vez mais alto - sou a supervisora do segundo ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada, com os braços esticados e um rímel borrado, Maria Clara tentava se recompor diante das risadas histéricas dos outros alunos. Seu rosto se contorceu em uma horripilante expressão de ódio. Olhou em volta tentando procurar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquela gorda estranha não vai sair ilesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se. E com os olhos semi-cerrados passou a procurar um pouco mais pelas paredes do lugar. E viu entre os escaninhos, bem escondido, uma folha de papel jogada contendo alguns rabiscos de Ana Giovanni. Maria Clara olhou para as duas figuras que sempre estavam a sua volta e abriu um sorriso macabro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejam só, a letra de Maria Clara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediu a Igor uma borracha, mas lembrou-se que era mais fácil o rapaz andar com uma bandeira do Brasil em seu bolso do que com um objeto escolar. Olhou para Miguel e gesticulou. Pegou o pequeno objeto e apagou algo na folha. Depois passou a escrever por cima.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115620196921980994?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115620196921980994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115620196921980994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115620196921980994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115620196921980994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-vi-segunda-chance.html' title='capítulo VI - Segunda chance'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115618653841124514</id><published>2006-08-21T11:54:00.000-07:00</published><updated>2006-08-21T14:26:07.006-07:00</updated><title type='text'>capítulo V - O portal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O sinal rompeu o silêncio do pátio dois segundos depois que Ana Giovanni se despediu de Justus e apresentou sua carteirinha para o fiscal. Se chegasse mais uma vez atrasada irmã Irene a levaria para direção e ela teria mais uma fichinha para sua coleção de atrasos. Normas do Sagrado Coração, Portas Abertas. Ana conhecia muito bem o regulamento do imenso colégio, cuja santa localizada na parte anexa do colégio, chorava lágrimas de sangue, segundo as crianças da primeira série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colégio Sagrado Coração, Portas Abertas localizava-se no centro da metrópole, dois quarteirões de prédios, bibliotecas, quadras e rigidez católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana precisava correr mais o prédio B e C para poder chegar a tempo. Suas meias três por quatro deslizaram dos joelhos para as canelas ao atravessar o prédio B. Sua pasta polionda escorregou de sua mão ao entrar no prédio C. Todas as colas se espalharam pelo largo chão encerado. Apressadamente tentou recolhê-los, mas uma mão feminina, com uma pulseira da Hello Kitty agarrou a pasta polionda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, Aninha do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana não queria levantar a cabeça, mas seu corpo burlou seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara Neves Soares, filha do prefeito da maior cidade do Quadrilátero Metropolitano, com seus dentes perfeitos e sua roupa encharcada de perfume francês legítimo, com o dedo indicador direito empurrou o corpo agachado de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ops. Cuidado, amiga. Você pode perder suas colas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni fechou os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe que vender cola escolar é um negócio ilegal, não?&lt;br /&gt;- Isso não é cola, Maria Clara.&lt;br /&gt;- E você sabe que eu não gosto de você, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara era supervisora juvenil do colégio, eleita pelos estudantes com 90% de votos. Bonita, popular, rica e com um mal hálito que dava náuseas em Ana Giovanni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você sabe que você engoliu um valão podre, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das características acima, Maria Clara andava com dois guarda-costas mirins. Igor, sétima série e Miguel, quinta. Igor era jogador de basquete tetracampeão estadual. Miguel, bem, Miguel era o nerd que ajustava o cérebro de Maria Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua pirralha nanica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o mesmo indicador que a derrubara, Maria Clara apontou para os papéis e para Miguel que rapidamente os picou e jogou no bebedouro horizontal. Com o indicador esquerdo, sugeriu o banheiro para Igor. Com um único braço, o garoto levantou Ana e a jogou dentro do banheiro feminino. Ana só sentiu o chão molhado quando quicou pelo Veja Limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Clarinha, eu posso ficar na porta vigiando - vozeirizou Igor.&lt;br /&gt;- Não. Você virá para cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igor fechou a porta. Ana gelou. Nunca Maria Clara tinha ido tão longe, quebrando as regras escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana Giovanni. Eu te condeno a ser a rainha da merda! - gargalhou Maria Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igor sorriu. Puxou Ana pela saia e a jogou latrina abaixo. Seus cabelos se encheram de urina e seus olhos de lágrimas que quase caíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda gargalhando, Maria Clara fechou a porta do banheiro individual com uma gigantesca cômoda antiga que as freiras usavam para guardar papel higiênico e produtos de limpeza. Ironicamente, Igor jogou um pacote de Neve, atingindo a cabeça de Ana, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sentado nesse vaso, tenho uma visão profunda: a merda que bate na água e a água me bate na bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ainda ouviu os passos dos dois, saindo felizes. Depois disso, o mundo ficou preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou uma hora depois, com os cabelos endurecidos e sendo observada por uma barata cascuda. Tentou abrir a porta, mas a cômoda era pesada demais. Derrotada, abaixou a tampa do vaso e sentou. Não dava para pular porque era alto demais. Amedrontadas pelos filmes hollywoodianos, as irmãs fizeram portas gigantes para que nenhum engraçadinho pudesse olhar as meninas ou até mesmo as freiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana não tinha saída. Mais cedo ou mais tarde alguém entraria no banheiro e aquilo seria suspensão na certa. Olhou a barata. A bicha parecia hipnotizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Seria o cheiro da urina?&lt;/i&gt;, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi para um lado e a pequena a seguiu. Foi para o outro e a mesma a acompanhou. Tendo como aliada o bicho mais asqueroso do planeta, Ana sentou-se novamente e começou um papo-cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tô encrencada, dona Barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Automaticamente, Ana começou a ler a pixação da porta do banheiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;"Se você volta no passado e mata sua avó, sua mãe não nasce. Se sua mãe não nasce, você não nasce. Se você não nasce, quem volta no passado para matar sua avó?"&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa é fácil. Eu mesma. Só que ficarei para sempre presa no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz fina veio do chão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É claro que vai ficar presa. Você ainda não abriu o portal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana deu um pulo de susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo do inseto tremia enquanto as palavras saíam de sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá esperando o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana arregalou os olhos. &lt;i&gt;Era o banheiro assombrado?&lt;/i&gt;, pensou. Em resposta a seu pensamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É só você se concentrar e pensar na primeira palavra que te fez parar nessa situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana estava sonhando, com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda, guria! Eu não tenho todo o tempo do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata avançou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caracoles, você fala?&lt;br /&gt;- Não, eu tô surfando na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata subiu a latrina, olho no olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda! Vou te ajudar. Se concentra em mim, vou descer. Foque em meu movimento e lembre da primeira palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barata pulou para o sachê violeta situado no canto do vaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A primeira frase, anda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana forçou a memória, não acreditando no que ia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, Aninha do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inseto pulou. Ana parou de piscar. A barata suicida caiu na água de xixi amarelo claro. Ana concentrou-se. A água começou a se movimentar em círculos, a descarga pôs-se a funcionar sozinha. A barata, antes de afundar, profetizou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coração meu do Aninha, obrigada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jato circular parou diante de Ana Giovanni. Dentro dele uma imagem iluminada por raios solares. Curiosa, tocou lentamente a água. O buraco abriu-se. Ela colocou a mão. As partículas de seu corpo tremeram e foram puxadas bruscamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No banheiro, o papel Neve começou a se decompor, queimando sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115618653841124514?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115618653841124514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115618653841124514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115618653841124514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115618653841124514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-v-o-portal.html' title='capítulo V - O portal'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115611894712055472</id><published>2006-08-20T17:07:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T16:20:40.524-07:00</updated><title type='text'>capítulo IV - A senha</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;Ana chegou em seu quarto e viu a doceira aberta. Brigou consigo mesma por ter deixado o pote ao léu. Um pequeno caminho de aranhas já era formado que ia debaixo do móvel até o pequenino recipiente de vidro. Deu um leve tapa para espantar algumas e viu a trilha dos pequenos insetos enlouquecer com o gesto. &lt;i&gt;Parecem comigo&lt;/i&gt;, pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, estava certa. Sabia que muitas coisas aconteciam em sua vida desde que tomara consciência disso. Não tinha fé, não rezava a noite, não era cultista de nenhuma crença ou assava maçãs em um caldeirão com abóboras reluzentes. Mas algo ou alguma coisa sempre acontecia em sua vida. Por qualquer momento que fosse desesperador, a situação se invertia a favor de Ana Giovanni. Ora era o fim do grude da cantina logo na sua hora ou o sinal de fim de aula que tocava na sua vez de responder as perguntas de Álgebra. Sorte? Ana apenas achava que sempre precisava emagrecer um pouco mais. &lt;i&gt;Talvez aos 30 não pense nisso&lt;/i&gt;, alertou-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou o resto de seu material escolar e dirigiu-se a porta quando ouviu um barulho. Ana Giovanni parou e virou-se assustada. Na janela de seu quarto, pode reconhecer a figura que estava do lado de fora, portando incríveis óculos vermelhos de grossos aros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justus, seu idiota! Quer me matar de susto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana abriu a janela e puxou o pequeno garoto para dentro do quarto, que imediatamente tombou no chão, antes de rolar pelo tapete de retalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ana, você não adivinha o que eu descobri!&lt;br /&gt;- Espero que seja rápido, temos aula. Álgebra!&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei. Mas espere, olhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto retirou de dentro do casaco um pequeno papel amarelado. Nele estava escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;"Não abra-me se quiser entrar, Justus"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana arregalou os olhos e virou para o rapaz que sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso? Uma charada?&lt;br /&gt;- Exato! E adivinhe mais uma coisa!&lt;br /&gt;- Hmm... Você já descobriu a resposta?&lt;br /&gt;- Ahm, não. Mas isso é o menos importante. O importante é que essa charada tem uma forte ligação com a porta secreta do laboratório do meu pai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justus fez aquele sorriso que Ana detestava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pai criou uma senha que não queria que você descobrisse, certo?&lt;br /&gt;- Correto.&lt;br /&gt;- Porque ele cita seu nome no papel?&lt;br /&gt;- Eu não tive tempo para pensar nisso ainda.&lt;br /&gt;- Você realmente é engraçado.&lt;br /&gt;- Não seria se não fosse seu melhor amigo.&lt;br /&gt;- Ok, agora saia do meu quarto logo e vamos para o colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana reconsiderou quando olhou pela janela o grande esforço que o garoto fizera pra chegar até ali. A descida pela janela seria um tanto quanto desastrosa. Conformada, os dois saíram do quarto, desceram pela escada e sumiram rapidamente pela porta da frente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115611894712055472?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115611894712055472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115611894712055472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115611894712055472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115611894712055472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-iv-senha-secreta.html' title='capítulo IV - A senha'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115595817012471230</id><published>2006-08-18T20:27:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T16:16:26.066-07:00</updated><title type='text'>capítulo III - Ana Giovanni</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dizem que o dia que muda nossas vidas sempre raia com uma textura diferente, com acontecimentos inesperados e situações inusitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Giovanni desceu as escadas de sua casa de 7 quartos, 8 gatos, 1O empregados e 5 banheiros cambaleando de sono. Tinha que chegar cedo na escola para passar as coordenadas da cola grupal. Estava preste a responder automaticamente à sua mãe o porquê de não ter tomado banho antes de descer, mas encontrou a mesa do café da manhã vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a mesa, um bilhete vermelho, escrito com uma caneta prateada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aprecie seu café da manhã.&lt;br /&gt;Amor, Mamãe.&lt;br /&gt;P.S. = vire o verso&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde quando sua mãe usava canetas não-pretas? Desde quando ela não estava presente para a refeição matinal? Desde quando ela deixava bilhetes? Desde quando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana percebeu que do lado do bilhete havia um tipo de colar estranho, com um pingente maior do que um brinco de argola, contendo pequenas cinzas em seu interior. Nele as iniciais “INRI”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana virou o verso do bilhete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu pai gostaria que &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;você ficasse com isso.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu pai?&lt;/em&gt; pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória mais presente que tinha de seu pai era a foto de casamento de sua mãe, escondida no fundo do guarda-roupa e retirada dali somente nas duas vezes que Ana, aos 3 anos, perguntou porquê o pai dela não ia nas festas da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele era loiro ou moreno?&lt;/em&gt; forçou seu pensamento, mas de nada adiantou. Havia esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para agradar a mãe, automaticamente colocou o cordão. Tinha um perfume de menta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mordeu um pedaço de misto-quente e subiu as escadas correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a mesa, o papel tremeu e começou a se decompor, queimando sozinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115595817012471230?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115595817012471230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115595817012471230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115595817012471230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115595817012471230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-iii-onde.html' title='capítulo III - Ana Giovanni'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115594838410378341</id><published>2006-08-18T17:42:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T16:19:11.399-07:00</updated><title type='text'>capítulo II - Skiter</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;São Paulo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skiter, desajeitado como sempre, recolheu do chão uma carta, duas, três e limpou o suor da testa com a manga bufante. Olhou em seguida para o estranho relógio avermelhado em seu pulso e verificou que estava atrasado umas tantas horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Tantas horas, mas que droga!&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhar para &lt;i&gt;ele&lt;/i&gt; sem dúvida nenhuma era um trabalho estressante. Se bem que demônios menores não deveriam ter, sentir ou desenvolver stress. Isso era coisa dos &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt;, como diziam. Aliás, os &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt; passavam apressados tanto quanto Skiter, carregando suas maletas, portando gigantes óculos escuros e desafiando o tempo entre movimentadas Avenidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt; nem repararam quando Skiter apertou um botão verde-fosforescente em seu relógio Time-Plus, "made in Korea", e uma névoa branca surgiu no ar envolvendo seu atarracado corpo de demônio. A fumaça percorreu o vazio pela calçada após girar pela cabeça oval de Skiter e atingir o relógio central da rua alguns metros dali. Em alguns segundos, o poste que iluminava dois ponteiros negros pararam. &lt;i&gt;Lalalala jabaji sobuji&lt;/i&gt;, comemorou Skiter enquanto deixava cair mais algumas cartas de sua bolsa de couro de lagarto infernal. Olhou em volta e viu os &lt;i&gt;demais&lt;/i&gt; antes apressados em suas vidinhas agitadas totalmente imobilizados. Pássaros estavam imóveis, o lixeiro que passava, carros haviam parado e até a fumaça que saía de seus canos de descarga estavam congelados em pleno ar. Skiter dançou animado em volta do poste e reparou a mágica névoa branca lentamente começar a se dissipar. &lt;i&gt;Droga, preciso correr! Como sou estúpido! Skiter estúpido!&lt;/i&gt; e bateu o relógio avermelhado na testa, entre as duas pretuberâncias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chifres de demônio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu um lado da jaqueta de couro e sibilou cinco palavras indecifráveis antes de retirar um pequeno pedaço de graveto de um dos bolsos secretos. Quebrou-o ao meio e jogou-os ao chão. &lt;i&gt;Zazaru Babalu!&lt;/i&gt; E como se pudesse, as sombras de tudo o que havia na rua se deslocaram esgueirando-se como serpentes e acumulando-se em seus pés. Um círculo sombrio formou-se bem embaixo do pequeno demônio, Skiter carregou o nariz pontudo e soltou rapidamente uma rajada verde na perna do gari ao seu lado. Riu mais uma vez e saltou dentro do buraco apressado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os chifres pontudos sumiram o movimento na rua São João voltou ao normal. Todos se movimentavam apressadamente como se nada houvesse acontecido, o relógio central da rua batia e as sombras pareciam seguir seus devidos donos. O lixeiro voltara a varrer quando sentiu o estranho gelado na perna e esbravejou: &lt;i&gt;Droga de pombos!&lt;/i&gt; Tomou-se a varrer os demais pedaços de papel jogados no chão, entre eles um de seda laranja, com um emblema vermelho dourado em sua face. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo indo pro lixo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115594838410378341?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115594838410378341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115594838410378341' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115594838410378341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115594838410378341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-ii-ana-giovanni.html' title='capítulo II - Skiter'/><author><name>Hanny Saraiva</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8wsFgwaSTLw/Snb12hvkHvI/AAAAAAAAATk/pw0XgmtEbBs/S220/DSC00103.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32781669.post-115577206444544728</id><published>2006-08-16T16:46:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T16:17:38.695-07:00</updated><title type='text'>capítulo I - Onde?</title><content type='html'>&lt;p align=justify&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Bahia, Vilarejo de São Tomé&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito baixinho arrastou a cômoda para perto da janela com dificuldade. Subiu ofegando com o pé esquerdo, e assim quase cambaleando debruçou no parapeito da abertura em mármore na parede do salão. Lá fora, podia já ouvir as preces todas abafadas pela grande fogueira no centro do pátio. As chamas faziam uma dança engraçada no ar, juntamente da fumaça que parecia bailar aos movimentos das mãos das mulheres a sua volta. Mulheres idosas vestindo roupas rendadas, cabelos bem presos e portando estranhas máscaras de uma madeira escura. O sujeito sabia que eram senhoras. Ele conhecia bem aquela cultura. E mesmo na situação em que estava, tudo era muito mais lúdico e desesperador. O ar demorou a sair quando deu-se conta de que estava prestes a levantar no parapeito da janela e fugir por ali. Sentiu os pés tremerem em cima do pequenino móvel de madeira e suando muito, levantou a própria batina para facilitar os movimentos. Sabia que não tinha destreza alguma para executar a próxima função que estava preste a cometer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu uma rápida olhada para fora pela abertura e viu os cinqüenta metros de altura surgirem numa tontura desesperadora. Por um momento sentiu sua própria gota de suor escorrer pela face, deslizar pelo queixo e cair silenciosamente no breu dos jardins perto da edificação. Uma poderosa vertigem surgiu em sua mente fazendo-lhe agarrar nas portas de madeira da janela da grande igreja. Balançando ainda com o vento, sentiu o frio do medo correr pela nuca, umedecendo toda sua espinha com a adrenalina e chegar até o córtex.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, a poucos metros dali, alguém poderia ouvi-lo talvez se gritasse por socorro. Mas a música de uma simples banda que tocava ecoava sobre a área criando uma espécie de barreira sonora na movimentação. O sujeito olhou para trás e lembrou-se do ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Oh, meu deus. Salve-me! Eu suplico a ti nesta hora!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus lábios começaram a tremer quando ouviu o som de passos. O barulho entrecortado com a musica agitada na noite lá fora fez seu coração acelerar. Então alguém ou algo parou diante da porta do outro lado. A sombra nitidamente posicionada. O suspense poderia matá-lo. Segundo a segundo descargas de choque de seu cérebro eram enviadas para não desmaiar. Suas pupilas dilataram quando a porta abriu-se violentamente criando um estampido que cortou rapidamente o aposento e se dissipou pela janela afora. O pequenino padre começou a cantar uma música antiga. Suas mãos taparam o rosto quando a figura a sua frente calmamente entrou na sala. Os pés pisando no assoalho rústico como se estivesse calculando cada centímetro que permeava seu caminho até ao amedrontado sacerdote. Por um momento, o padre deixou escorrer algumas lágrimas enquanto tentava continuar a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bonne nuit, mon vieil homme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo do padre foi arremessado pela janela. Seus olhos se fecharam antes da própria carne bater e se quebrar no jardim lá embaixo. Ali ao lado, um evento alegremente marcava o início das festividades de São Tomé. As crianças pararam de dançar quando o vulto terminou de fazer seu trajeto até o chão. Então a música parou quando um grito sobressaiu-se em meio a multidão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32781669-115577206444544728?l=anaeopacto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anaeopacto.blogspot.com/feeds/115577206444544728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32781669&amp;postID=115577206444544728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115577206444544728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32781669/posts/default/115577206444544728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anaeopacto.blogspot.com/2006/08/captulo-i-skiter.html' title='capítulo I - Onde?'/><author><name>José Amarante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02057947718834393836</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
